Mariana Ximenes reflete ao lançar filme sobre relacionamentos tóxicos: “Não tínhamos a consciência de atualmente”

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Mariana Ximenes | Crédito: Divulgação

Mariana Ximenes é uma das atrizes que integra o filme “L.O.C.A. – Liga das Obsessivas Compulsivas por Amor”, comédia que quer ressignificar o termo tão usado para definir as mulheres. Além dela, as atrizes Roberta Rodrigues, Debora Lamm, Fabio Assunção, Enrico Brás e Luis Miranda fazem parte da obra da diretora Claudia Jouvin. Na história, Manuela, Elena e Rebeca (interpretadas por Mariana, Debora e Roberta, respectivamente) são três mulheres que vivem grandes paixões, mas não aguentam mais serem chamadas de “loucas”. As personagens decidem se unir, tomar as rédeas da situação e dar um fim a seus relacionamentos tóxicos. Em conversa com o Glamurama, a atriz que também está na novela “Nos Tempos do Imperador” e a diretora do longa reafirmaram o papel de L.O.C.A para tratar de um tema tão relevante. (por Báarbara Martinez)

Glamurama: Atualmente, o que tem deixa vocês realmente loucas?
MX: Ótima pergunta (risos). O incêndio na Cinemateca, a falta de valorização da nossa cultura, os casos que não acabam de violência, os preconceitos, violência contra a mulher, mas também contra os transgêneros. Não pode mais haver violência, chega de violência, de preconceito, isso me deixa louca. Não acabam esses desrespeitos, essa falta de humanidade das pessoas.

CJ: Tá aí, ela falou uma coisa que engloba tudo. Falta de humanidade me deixa louca.

Glamurama: A Manuela, personagem da Mariana, é uma jornalista que sofre machismo no trabalho. Em suas carreiras, vocês se viram em uma situação parecida?
MX: Eu não me lembro de nenhuma situação exata, até porque eu acho que não tínhamos essa consciência que temos atualmente. Penso que hoje em dia, nós mulheres agimos diferente e os próprios homens estão ficando mais alertas. Temos muitas colegas que sofreram abuso e estão se colocando. Acho que estamos criando essa rede de acolhimento, de falar, se colocar, e apoiar quem se coloca, não deixar ninguém sozinha. Aquela coisa de não soltar a mão de ninguém.

CJ: Eu já sofri várias situações por conta do machismo no trabalho. Às vezes você fica com medo de retaliação, vergonha de pensarem que é bobagem, exagero, mas isso é constante e vai minando a gente. Vamos definhando por isso. É a hora de falar chega, parou, não pode. Por isso, é importante colocar no título [L.O.C.A.] e falar exaustivamente sobre isso porque não somos loucas, vamos se colocar, estamos aqui de igual, isso tem que acabar.

Glamurama: Houve uma preocupação da obra em não repetir esteriótipos por remeter para uma cultura tão ativa na sociedade?
Claudia Jouvin: Já de estar no local como diretora e roteirista é um privilégio imenso. Não são tantas roteiristas e diretoras [no meio]. Quando você ganha esse espaço, a responsabilidade é imensa sobre o que e como você vai falar porque esse espaço é suado de conquistar.

O título do filme [L.O.C.A.] para os desavisados parece suicídio, mas é uma brincadeira, uma sigla, uma crônica com o nome do grupo que o filme retrata. É uma forma de ressignificar uma palavra usada para machucar a gente durante tanto tempo, para diminuir, para fazer questionar a gente mesmo. Eu quis usar isso quase que como uma palavra de poder, que significasse coragem. Se elas [personagens] são loucas? Elas são corajosas, não vão engolir qualquer sapo, continuar sofrendo. Elas vão reagir. No final do filme, tem até aquela música da Simone e Simaria com a Anitta [Loka], que para mim é um hino de sororidade, uma música que elas falam: ‘não amiga, esquece o cara, vamos ficar loucas juntas’.

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