Maria Rita Magalhães Pinto: “Não é só ter dinheiro. Sempre fomos pé no chão”

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Por Michelle Licory

Quando tinha 18 anos, Maria Rita Magalhães Pinto, de família de ex-banqueiros, escutou os conselhos de sua mãe e foi trabalhar… De vendedora. “Ela era cliente da Alice Tapajós, a convidou para almoçar e pediu uma vaga pra mim. Sempre fomos pé no chão. Eu era a mais nova da equipe. Todo o meu salário ia nas roupas… Mas eu pedia para fazer outras coisas também. Queria ajudar nas vitrines, fazer produção. Até que um dia a Alice me chamou para montar a Ateen, a marca jovem da Alice Tapajós”, nos contou, durante uma tarde em seu escritório, a empresária, hoje com 38 anos, casada com o arquiteto italiano Arturo Isola e mãe de Maria Cristina.

* “Depois de um tempo, Alice saiu do negócio e acabamos mudando um pouco o perfil, mas mantivemos o nome. Agora o público é de mulheres que foram amadurecendo junto comigo. Aqui trabalham pessoas que estão desde que comecei. Me sinto em família. Esse é o terceiro endereço da fábrica. Começamos em um apartamento na Glória, que se tornou pequeno. Aí fomos para uma casa em Botafogo, que depois ficou com a Isabela Capeto. E então a gente veio pra cá [onde antes funcionava o tradicional colégio São Patrício], no mesmo bairro, mas bem maior. E hoje ainda usamos um galpão”, conta, orgulhosa.

* “Aprendi a fazer fazendo. Falei pra Alice: ‘Eu não sei nada’. Aí ela me botou para ler umas revistas. Perguntava pra ela: “Será que devo me matricular em um curso em Milão?’ Ela dizia que não, que isso poderia tirar minha espontaneidade. Aí eu ia errando e aprendendo. O mais difícil pra mim hoje é o timing. Tem novidade na loja toda semana. Todo dia tem reunião e prova de roupa, que eu faço em mim mesma. Gosto de acompanhar tudo de perto. Nossa equipe é muito grande, só de estilista são cinco trabalhando comigo, mas mantemos esse perfil de marca pequena. Acho importante eu estar sempre presente. Venho pra cá todos os dias. E não é nada cansativo.”

* “A Ateen foi criando uma identidade. Não segue tendências. Tenho uma amiga que me contou outro dia que tem um vestido nosso de 15 anos atrás e que não está fora de moda. Ela diz que o lava na máquina e mesmo assim está inteiro. Nossa roupa não é descartável. E gosto de criar o que tenho coragem de vestir. Esse processo varia muito… Às vezes de uma ideia surge outra ou reelaboro uma peça antiga, dou uma cara nova. Sou muito ligada às modelagens e vou criando no corpo.”

* “Minha filha tem 12 anos e fala que quer trabalhar comigo, me dá ideias, tem bom gosto e muita opinião. Ela já pede pra usar minhas roupas. Não tenho apego. Empresto tudo. Minha mãe também sempre me emprestava. E incentivo isso de ela querer seguir meus passos. É tão gostoso a gente se sentir produzindo. Não é só ter dinheiro. Trabalho é importante, traz tantas coisas na vida. A gente cresce quando tem responsabilidades. Uma coisa puxa a outra. Acho que a Maria Cristina vê o meu exemplo e quer mesmo começar a trabalhar cedo. Na minha família, sempre fomos pé no chão. Minha mãe estimulou bastante isso.”

* Em tempo: vem conhecer a fábrica de Maria Rita na nossa galeria, aqui embaixo!

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