Letícia Colin como Rosa de “Segundo Sol” || Créditos: Divulgação

Letícia Colin defende prostituição como profissão: “A Rosa inspira justiça social”

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Letícia Colin como Rosa de “Segundo Sol” || Créditos: Divulgação

Ela é a bola da vez! Letícia Colin tem arrebatado o telespectador com sua performance como a garota de programa Rosa de “Segundo Sol”. Papo não falta com a atriz. Glamurama foi conversar com ela e ganhou frases como “a prostituição é uma profissão e a história confirma isso”, “a Rosa inspira justiça social, coragem e liberdade” e “tem mulheres superfortes, que eu invejo, com uma formação tão interessante da psique na relação com o corpo que podem se lançar em uma vida como essa de forma saudável”. Vem ler! (por Michelle Licory)

Quem a Rosa ama: Ícaro ou Valentim?

“Ela ama os dois. E não sei bem por quem o público torce mais… O personagem do Chay [Suede, Ícaro] agora está entrando em uma onda um pouco opressora, um pouco dominadora do machista. E essa é uma novela que combate o machismo para caramba. A Rosa é uma feminista. É uma prostituta que quer dignidade, respeito, romper com o pai”. E dá pra amar duas pessoas ao mesmo tempo? “Com certeza”.

“Não existe profissão fácil”

“Temos que falar sobre isso, por que não? A prostituição é uma profissão e a história confirma isso. E não acho que seja pior ou melhor, mais difícil ou mais fácil: não existe profissão fácil. Padronizamos as coisas e jogamos tudo no mesmo pacote. Se cabe à mulher escolher? Bem, acredito que é mais complexo que isso. A prostituição de luxo é um caminho para pessoas que querem ascender financeiramente mais rápido. E isso tem que ser uma escolha pessoal. Claro que existe a prostituição que vem da tragédia, da miséria humana, da condição econômica do país, que é quando você vê uma criança menor de idade, por exemplo. Isso não pode existir. Quando a mulher acha que sua única saída é se prostituir porque não teve uma formação estrutural familiar, cultural, ou até um cuidado do governo, quando a mulher acha que não tem valor, que a única coisa de valor é o corpo dela… Mas várias prostitutas que pesquisei são pessoas que estudam, que estão na universidade, e que têm uma relação com o corpo tão evoluída que entendem que não há problema nenhum em ganhar dinheiro com ele. Isso não as desmerece, ela não está presa a esse sistema”.

“A Rosa está nesse meio termo. Ela tem uma autoestima que não foi bem construída. Ela escuta que não vale nada, que a irmã vale mais do que ela, e isso gera na mulher um lugar de ‘realmente eu não tenho valor e aí só posso fazer isso’. Mas tem mulheres superfortes, que eu invejo, com uma formação tão interessante da psique na relação com o corpo que podem se lançar em uma vida como essa de forma saudável… Porque essa é uma profissão que o dia a dia é muito difícil, estruturalmente… Como fica o emocional, o psicológico… Mas temos que ouvir essas pessoas e não marginaliza-las”.

E se a Rosa acabar incentivando outras meninas?

“Acho sensacional fazer personagens que inspiram coragem e liberdade. Se a Rosa puder fazer isso, independente do que as pessoas escolhem para a vida delas, estou satisfeita. Já se foi o tempo em que se batia em um vilão de guarda-chuva na rua. A Rosa inspira justiça social. Ela quer ser feliz, quer ganhar o dinheiro dela. E está sofrendo também. As pessoas acompanham pela novela que não é um mar de rosas. Ela inspira coragem. Tenho contato com uma pessoa que trabalha como garota de programa de luxo que me tira muitas dúvidas. Temos uma conversa muito franca, ela é bastante generosa porque pergunto coisas bem íntimas. E achei que era necessário escutar esse outro lado e não julgar antes de ouvir”.

“Essa é a nossa história também; estou me descobrindo com ela”

“A Rosa é muito jovem e não há projeção de uma mundo perfeito. Ela vai descobrir isso da maneira dela e passando pelo lugar que ela escolheu, da prostituição. Essa é a nossa história também: uma mulher que sai da casa dos pais e vai para o mundo. Existe essa frustração, existe esse momento que você imagina que tudo que sonha não vai acontecer daquela maneira e assim a Rosa vai amadurecer, crescer. E eu estou aprendendo com ela, me descobrindo. Estou entrando nessa fase mais madura da minha vida, me formando como mulher e com certeza esse encontro com a Rosa, as falas dela, os conflitos, os pensamentos, as contradições têm me formado também. Tenho certeza que vou sair desse trabalho uma mulher mais forte, melhor, por ter ouvido e acolhido essa personagem na minha vida. Estou sendo transformada por isso e esse momento é irreversível, esse protagonismo feminino”.

Pra não dizer que não falamos de Michel [Melamed, namorado dela]

“Ele me dá muita força. Bate texto comigo, me ajuda a decorar, e vemos muito a novela juntos, comentamos sobre as cenas. Quando acho que poderia ter feito alguma coisa melhor, ele fala que fiz meu melhor. Ele me acolhe”.