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Prestes a lançar o seu primeiro hit oficial, Lellê não esconde a ansiedade // Crédito: Rafael Pavarotti/Divulgação

O jeito decidido de Lellê não deixa dúvidas: ela é mesmo uma ‘nega braba’, como diz em sua música de mesmo nome. Aos 21, a cantora começou a fazer sucesso no Dream Team do Passinho e, após seis longos anos, decidiu voar por conta própria. “Resolvi seguir minha vida e eles respeitaram. Inclusive, eles estão me apoiando muito, perguntando como está essa fase, e eu faço isso com eles também. Criamos um vínculo muito grande de amor e respeito”, revela. Prestes a lançar seu primeiro hit desta nova fase, chamando ‘Mexe a Raba’, Lellê não esconde a ansiedade, apesar de já ser íntima das câmeras e do palco. “Só eu e minha equipe sabemos como foi difícil fazer esse trabalho e passar por esse processo. É o meu primeiro single realmente solo e tivemos muito cuidado pra que tudo se parecesse comigo. Então adiamos algumas vezes, mas eu entendia que não podia entregar nada a mais ou a menos”, diz.

Mulher negra, que se orgulha do Black Power que cultiva, é força e referência para muitas jovens brasileiras. Mas Lellê vai além. Para quem quer ver suas outras faces, uma dica: ela está no elenco do filme da Netflix “Ricos de Amor”, de Bruno Garotti, que está sendo rodado agora e, em agosto, participará de ‘Autênticas’, série do GNT sobre os bastidores da vida de vários artistas. Apesar de suas conquistas e como qualquer garota de sua idade, Lellê é cheia de sonhos e é essa isso que ela quer compartilhar com o público. “O Brasil está passando por um momento difícil, e  sempre penso: o que eu posso fazer, como artista, para melhorar um pouco essa situação?”.

Glamurama: Em qual momento da sua vida descobriu o amor pela música?
Lellê
: Ia muito à igreja com minha família e comecei a cantar lá. Era muito novinha nessa época, tinha seis ou sete anos, mas mesmo assim fiquei muito ligada na música e nas mensagens que tudo aquilo passava. E tudo aquilo me confortava de alguma forma, fazia sentido para a minha vida. Com o tempo fui me descobrindo, percebendo de que tipo de som que eu gostava.

Glamurama: Você fez muito sucesso do Dream Team do Passinho. Como tudo começou? Como definiria essa fase da sua carreira?
Lellê: Foi um ciclo muito legal da minha vida que durou seis anos. Passamos por momentos super difíceis, mas também muito incríveis. Na verdade, vivemos como família. O Dream Team foi tudo, foi minha escola, foi como eu aprendi a ser uma artista negra de funk no Brasil. Também aprendi algo muito importante com eles, que é trabalhar em grupo, saber dividir, saber ceder e entender o outro. Acredito que você nunca faz sucesso sozinho, independente de como tenha começado a sua carreira. Você sempre precisa de alguém.

Glamurama: E quando decidiu que era hora de seguir carreira solo?
Lellê: Isso já era algo que pensávamos antes. Todo mundo do grupo sabia que, em algum momento, eu seguiria carreira solo. Cada um ali tem seu desejo pessoal. Então o ciclo se fechou naturalmente. Teve um dia em que sentamos e conversamos sobre o assunto e chegamos a conclusão de que era a hora. Resolvi seguir a minha vida e eles respeitaram. Inclusive, estão me apoiando muito, perguntando sobre como está essa fase, e eu faço isso com eles também. Criamos um vínculo muito forte de amor e respeito.

Glamurama: A sua música, ‘Nega Braba’, fez bastante sucesso. Como foi o processo de criação do hit?
Lellê: Essa música foi feita para um filme chamado ‘Correndo Atrás’, dirigido por Jeferson De. O elenco é 90% negro e o diretor queria que eu falasse sobre as mulheres fortes da história. Foi uma missão e tanto. Lembro que eu ficava me perguntando aonde encontraria inspiração, até que olhei pra mim e também para a minha história. Foi assim que surgiu ‘Negra Braba’ e, nesse processo, decidi lançar para o público geral.

Glamurama: Isso foi uma espécie de teste?
Lellê: Sim, eu queria mostrar para todos que eu fazia aquele tipo de som e foi um teste como artista, saber se era isso mesmo que eu queria. Pra ser sincera, vivo me testando.

Glamurama: Podemos dizer então que a inspiração para escrever suas músicas vem de sua própria trajetória?
Lellê: A maior parte sim e posso dizer que as músicas que já estão feitas são baseadas em fatos totalmente reais. Claro que a gente usa um pouco de fantasia e sonho, mas a história é contada verdadeiramente.

Glamurama: O seu próximo hit, ‘Mexe a Raba’, está sendo lançado agora. Qual a expectativa?
Lellê: Estou muito ansiosa. Só eu e a minha equipe sabemos como foi difícil fazer esse trabalho e passar por esse processo. É o meu primeiro single realmente solo e tivemos muito cuidado pra que tudo se parecesse comigo. Então adiamos algumas vezes, mas eu entendia que não podia entregar nada mais ou menos. Tinha que ser do jeito que eu imaginava. O resultado ficou lindo, desde as pessoas que estão no clipe, até o figurino.

Lellê no clipe de ‘Mexe a Raba’ //  Crédito: Vincent Rosenblatt

Glamurama: Vai ter um gostinho especial subir no palco agora?
Lellê: Nossa, meu deus, e como! É a minha primeira música, isso é muito especial. Dia 14 me apresento lá no Rio, então vai ser a minha primeira experiência cantando essa música ao vivo. Amo essa música, ela tem um significado muito especial pra mim. Consegui juntar duas referências da música negra, que é os anos 1970 e o trap.

Glamurama: Qual a sensação de subir no palco e cantar músicas com letras empoderadas para as mulheres, em especial jovens e negras?
Lellê: Me sinto muito nessa responsabilidade e acredito na minha representatividade, mas me coloco muito de igual pra igual. Estou falando isso porque já passei e passo por questões raciais ainda, então preciso que as pessoas escutem que não é fácil pra mim também. Não é porque sou famosa que as coisas vão deixar de acontecer. Então, me sinto na responsabilidade de dar força e de devolver a alegria que o Brasil está perdendo.

Glamurama: Como você vê a situação do país agora?
Lellê: O Brasil está perdendo um pouco a cada dia. Eu sempre penso: o que eu posso fazer, como artista, para melhorar um pouco essa situação? Não só para as mulheres negras, mas pra todo mundo. O Brasil está carente, precisamos extravasar.

Glamurama: Como lidou e lida com atitudes racistas?
Lellê: São coisas que não vão deixar de acontecer, né? Mas hoje eu entendo o meu lugar e sei que o racismo pode acontecer, mas nada disso me pára. Já aconteceram muitas vezes e nada me parou, não vai ser agora.

Glamurama: Acredita que hoje o negro tem mais voz?
Lellê: Nunca foi fácil, mas entendo que Brasil tem o seu tempo, que as pessoas tem o seu tempo e que muitas coisas já foram conquistadas, mas tem muito a ser melhorado. Fico feliz com qualquer representante negro, não só na arte, conquistando seu espaço.

Glamurama: O que te levanta?
Lellê: Meu amor pela minha família e pelas pessoas que escolhi deixar ao meu lado. Acho que se eu fosse mais egoísta, não levantaria. Mas por eles eu faço qualquer coisa.

Glamurama: Você já fez trabalhos como atriz. Pensa em seguir carreira?
Lellê: Eu já fiz novela, já fiz série, filme, já fui repórter, apresentadora, modelo. Tudo. Agora eu quero dublar. Isso é algo que nunca fiz e toparia passar por essa experiência.

Glamurama: Já tem outros hits engatilhados?
Lellê: Tenho! Além de ‘Mexe a Raba’ tenho outras cinco músicas e pretendo lançar um álbum ainda esse ano. Preciso lançar os singles primeiro para as pessoas entenderem quem sou e o que eu quero passar com o meu trabalho. É preciso ter calma na hora de apresentar uma nova artista ao público.

Glamurama: E afinal quem é a Lellê?
Lellê: Eu sou tudo o que eu era antes, mas melhorado. Estou sendo a melhor versão de mim, especialmente nessa fase de autoconhecimento pela qual estou passando. Sou essa mulher aqui que todos podem ver. (por Jaquelini Cornachione)

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