Já viu a coluna de Antonio Delfim Netto?

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1. Todos sabemos que a exploração racional das florestas naturais é um dos problemas críticos para enfrentar o aquecimento global que ameaça a sobrevivência da sociedade em que vivemos. Poucos sabem, entretanto, que o Brasil há mais de 50 anos tem programas que estimulam o reflorestamento, o que compensa parcialmente o avanço das atividades agrícolas e pecuárias sobre nossas florestas. Hoje, graças àqueles programas, temos no Brasil cerca de 4,5 milhões de hectares plantados com eucaliptos e 1,8 com pinus. A área de reflorestamento tem crescido a pouco mais de 4% nos últimos anos.

2. Um fato muito interessante e que mostra a constante busca de cultivos alternativos pelos agricultores para diminuir o seu risco, é que o avanço da tecnologia e da pesquisa (oficial e privada) permite que mesmo pequenos proprietários (com localização estratégica), possam plantar com proveito ambiental e algum lucro, uns poucos alqueires de floresta fazendo uma espécie de “poupança verde”. Isso é possível devido à demanda crescente e firme de madeira por parte dos produtores de celulose, que colocaram o Brasil no topo dos exportadores mundiais do produto.

3. Recentemente o Serviço Florestal Brasileiro publicou um “guia de Financiamento Florestal” mostrando que existem pelo menos 14 linhas de crédito para as atividades florestais. Eles incluem o reflorestamento de áreas de reserva legal e áreas de preservação permanente com espécies nativas e, também, o plantio de florestas industriais para a produção do carvão vegetal, de celulose e a geração de energia.

4. Vale a pena recordar que o eucalipto chegou ao Brasil, importado da Austrália, em 1903, para ser utilizado como dormente nas ferrovias então em expansão. Sua adaptação às novas condições climáticas (alta insolação e chuvas bem distribuídas ao longo do ano) foi muito rápida com o aumento da produtividade e a redução do seu custo. Sofreu desde o início, uma campanha que afirmava – com grande convicção “científica” – que essa espécie exótica seria altamente danosa do ponto de vista ecológico. Até hoje ouve-se a difamação que “o eucalipto suga a água da terra e a esteriliza…”

5. Como disse Carlos Mendes, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal, “a produção de eucaliptos é interessante para aquele produtor que quer diversificar as culturas em sua propriedade, mas que não seja tão imediatista na obtenção da primeira colheita”. Segundo ele, um hectare de eucalipto pode gerar uma renda de 10 mil reais aos sete anos.

Por Antonio Delfim Netto

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