De Bardot às paranoias de Putin, a coluna de Antonio Bivar na J.P

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Doris Day no filme “Ardida Como Pimenta” e Brigitte Bardot em 1953: nostalgia

Por Antonio Bivar para revista Joyce Pascowitch de setembro

Este ano é celebrado os 80 anos do jeans feminino. O blue jeans foi inventado em San Francisco, em 1873, por Levi Strauss & Co., com o objetivo de servir de roupa básica aos trabalhadores braçais e cowboys. O primeiro [denim] jeans criado especialmente para as mulheres levaria 61 anos para ser lançado, o que aconteceu em 1934. A mulher e sua posição no mundo começavam a ganhar espaço depois da Primeira Guerra e as rancheiras já usavam o modelo masculino. O cinema, com os filmes de faroeste, muito contribuiu para o desejo das americanas de aderirem ao produto. Em maio de 1935, a Vogue publicou um artigo ilustrado com mulheres envergando Lady Levi’s. E a coisa pegou. Em 1952, Marilyn Monroe aparecia de Levi’s e sutiã. Em 1953, Doris Day de jeans estourava nas telas em Ardida Como Pimenta (Calamity Jane). E assim ele tornou-se um clássico no guarda-roupa feminino. Hoje todas as grifes têm seu jeans, de Armani a Stella McCartney.

A revista inglesa Stylist lançou recentemente uma novidade. Gente que sofre da síndrome do F.O.D.O. (Fear Of Disappointing Others, ou o medo de decepcionar os outros). Vítimas fazem das tripas coração para agradar e não desapontar as pessoas. Segundo o artigo, a maioria atingida é feminina – nisso, no medo do fracasso (atychiphobia). Diz que não existe, no ambiente de trabalho, quem não tenha próximo uma vítima do F.O.D.O. Ainda bem que o artigo termina concluindo que praticamente todo mundo sofre da síndrome. Trata-se de uma coisa natural que vem do berço. E o artigo pergunta: “Are you a fodoist?”. Se você, por exemplo, gasta três horas faxinando a casa antes da chegada da faxineira, a resposta é sim. Eu gasto. Então, sou um fodoist. Mas ainda bem que não sou só eu.

E a nostalgia toma de assalto a França. Nostalgia pelos Les Trentes Glorieuses, ou seja, os 30 anos depois do fim da Segunda Guerra, de 1945 até a crise do petróleo na primeira metade da década de 1970. Mas a ênfase maior é nos anos 1960, quandoBrigitte Bardot reinava suprema em Saint- Tropez e o general De Gaulle, do Palace Elysée, pilotava a nação. Um filme responsável pela nova onda é Les Vacances du Petit Nicolas. É o retrato daquele período feliz. O jornal Le Monde considerou o longa “cínico, estúpido e medíocre como modelo de virtude” ao mostrar uma família de férias estrada afora num Peugeot 1960 rumo à Riviera. Era agosto, quando todo mundo saía de férias e Paris ficava vazia, diferente de hoje, quando agosto ela fica mais lotada de turistas. Outro filme dessa onda nostálgica é Mood Indigo, com Audrey Tautou e Romain Duris. Adaptado do romance L’Écume des Jours (A Espuma dos Dias), de Boris Vian, publicado em 1947. Além de romancista no estilo absurdo-surrealista, Boris Vian era ligado em jazz (tocava pistom e cantava), fez dupla com Juliette Gréco, e sua mulher, Michelle Vian, foi amante de Jean-Paul Sartre. Vian foi também o responsável pelo lançamento de Sere Gainsbourg e, entre outros feitos, mesmo morto aos 39 anos, em 1959, inspirou a revolta estudantil de maio de 1968. De modo que a nostalgia por esse período culturalmente rico e supostamente feliz é o dernier cri (último grito) na França, ainda que nessa onda, cá entre nós, pese um certo déjà vu. “A vantagem da nostalgia é você curtir o passado sem os problemas desse passado”, disse Thierry Dubois, autor da história na qual Les Vacances du Petit Nicolas foi baseado. À mesma conclusão chegou Valérie Meyer, editora da Rétro, a mais recente revista de papel acetinado a ganhar as bancas francesas. Brigitte Bardot (de biquíni em Cannes, 1953), James Dean, Alain Delon, Jacques Cousteau, Françoise Hardy… O foco são leitores de 40 anos para cima.

Enquanto isso, na Rússia, Vladimir Putin não tem sossego. Deu na Newsweek, em matéria (“The Pariah”) com ele na capa. De acordo com a revista, Putin não tem vida familiar. Seu pai e sua mãe estão mortos. Sua mulher sofria de uma desordem de origem nervosa. Depois da demorada separação, o divórcio. E as duas filhas, faz tempo que não moram mais no país. Há rumores de que ele recebe modelos e ginastas em casa à noite. Mas ninguém comenta. Na Rússia, a punição é severa para quem revela informações desse tipo. E diz que Putin tem paranoia de ser envenenado. Nos banquetes nas viagens ao exterior ele jamais toca na comida. O pessoal que viaja com ele cuida de tudo. E é tudo levado de casa, das toalhas, sabonete, fronhas e lençóis, ao cozinheiro e serviçais – inclusive faxineiro. Uma vida muito solitária. Ainda assim ele está determinado a fazer com que a Copa do Mundo na Rússia, em 2018, seja mais espetacular que a do Brasil. E em sendo ele Putin, com certeza será.

Estudo recente diz que o homem é mais feliz no casamento quando a esposa é mais sabida que ele. O projeto, conduzido pela doutora Christine Schwartz, socióloga da Universidade de Wisconsin, concluiu que a velha ladainha de que o homem é o cara vem mudando da década de 1990 para cá. E desde a virada do século, então, casais com o mesmo nível de educação tendem a ficar juntos, mais do que quando o marido era tido como mais qualificado. E Christine vai mais longe: “A segurança é ainda maior quando, em educação, a mulher é mais preparada que o marido. Casais”, diz ela, “estão se adaptando à realidade de que a mulher seja mais bem formada que o homem”. Não foi sempre assim?

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