Comediante, atriz, baterista… Sim, Tatá Werneck faz tudo pela audiência

Tatá veste blazer Ricardo Almeida, body Valisere, calça Vitorino Campos e brinco Mario Pantalena||Créditos: Mauricio Nahas/Revista J.P

Ela já fez drama, musical, programa de auditório, está na novela das 7 e ainda toca bateria em uma banda de rock. Mas é fazendo rir que a atriz Tatá Werneck mais bomba. Como apresentadora do hilariante “Tudo pela Audiência”, ela está simplesmente impagável

Por Paulo Sampaio para revista J.P de junho
Fotos Mauricio Nahas

Quando Tatá Werneck chegou ao estúdio com três horas de atraso e uma expressão de quem pisou em cocô de cachorro, a primeira pergunta que suscitou foi a clássica: por que será que todo comediante é mal-humorado? A prudência julgou conveniente guardá-la para outro momento. Como o almoço estava sendo servido, Tatá foi acomodada na cabeceira e submetida à técnica da massagem de ego, na base da fala mansa. Consiste em dizer para o entrevistado duas ou três frases estimulantes, tipo: “Você conta que come ‘feito um homem’, mas não parece. É tão magra!” Deu certo. Em pouco tempo, a apresentadora do impagável “Tudo pela Audiência”, humorístico compartilhado com o hilariante Fábio Porchat, matraqueava alegremente. “O show vai ser dia 5 de junho, no Ibirapuera”, disse ela, enquanto confirmava para o stylist Fabricio Miranda a data da apresentação de sua banda, Renatinho, na qual toca bateria. Com a seriedade que o timing de comédia pedia, ela explicou que o grupo iria fazer o show sem nunca ter ensaiado. A roqueira bissexta também se dedica a aulas de piano e violão.

Um pouco da versatilidade de Tatá Werneck vem do medo que ela sempre teve de não conseguir “sustentar a família” só com o teatro. A família a que ela se refere é a que pretende constituir. “Ainda quero ter uma. Sou do tipo que estoca frango”, diz ela, muito apressada, inclusive para falar. A intenção de casar e ter filhos é antiga, tanto que a levou a cursar jornalismo e publicidade, além de teatro, para garantir um plano B. Filha de uma jornalista e de um analista de sistemas, ela conta que sua primeira entrevista foi com Chico Anysio. Como repórter? “Não, como criança”, responde, rápida. “Eu acompanhei minha mãe.” Tatá lembra que tinha cerca de 6 anos e que levou um bloquinho, anotou toda a entrevista e, ao fim, disse com a maior intimidade: “Chico, me passa seu telefone”. Ele passou. Foi assim também com José Wilker, que se tornou a primeira vítima dela em um de seus “trotes com famosos”. “Liguei para ele e perguntei: ‘Zé Wilker?’ Ele disse: ‘É’. E desliguei.”

PÉS LINDOS

Como se vê, plano A e plano B sempre se mesclaram na vida de Tatá. Na escola, ela  era a “aparecida”, a que se levantava para duelar com os professores e a que, por isso, consideravam rebelde – não seus pais, que sempre a apoiaram em tudo. “Cresci acreditando, por exemplo, que meus pés eram lindos”, afirma. “Meu pai é ainda mais coruja que minha mãe. Se eu digo ‘árvore!’, ele aplaude. Isso me ajudou muito a ter uma boa autoestima.” E também a perseverar na fé artística. A estreia foi aos 9, no musical Annie,  montado  no encerramento de seu primeiro curso de teatro. Em seguida, estudou na escola da atriz Sura Berditchevsky e fez faculdade de artes cênicas na Unirio. “A Tatá começou criança,  mas sempre foi muito disponível. É esperta, inteligente, agora sou eu que fico querendo trabalhar com ela”, diz Sura. Antes de ficar famosa, a atriz participou de 18 espetáculos, incluindo dramas como “Medeia” e o premiado infantojuvenil “Diário de um Adolescente Hipocondríaco”: “Eram 40 pessoas fazendo, três assistindo”. “Até os 26 anos, eu ganhava R$ 700 por mês”, conta. Acontece que Tatá já havia se tornado dependente física do palco. Para dimensionar sua paixão, ela conta que não esmoreceu (completamente) nem mesmo no dia em que soube, minutos antes de entrar em cena, que sua melhor amiga havia morrido. “O segundo sinal já tinha tocado quando me ligaram para comunicar. Fiz o espetáculo como pude. Depois, claro, desabei.”

VALDIRENE E O OGRO

A consagração televisiva veio em 2010, com o programa “Quinta Categoria”,  na MTV. Ela e um grupo de comediantes  faziam esquetes e interagiam com a plateia na base do improviso. Bem divertido. Em 2011, participou de dois filmes com Fábio Porchat (“Teste de Elenco” e “Podia Ser Pior”). “Ela tem um humor inimitável, muito dela.  É uma das pessoas mais engraçadas do mundo”, acha Porchat. Dois anos depois,  bombou na Globo em “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, como Valdirene. E agora está no ar em “I Love Paraisópolis”, de Alcides Nogueira, fazendo papel de Danda, irmã de coração de Marizete (Bruna Marquezine). Entre as duas novelas, em 2014, recusou o convite para fazer outra, porque já havia se comprometido com o “Tudo pela Audiência”. Apresentado pelo canal a cabo Multishow, o “Tudo” já está na segunda temporada. Nele, ela e Porchat satirizam programas de auditório em quadros estilo gincana e fazem entrevistas com convidados como Alexandre Frota, Eliana e Preta Gil.

No dia de Frota, uma ajudante de palco coberta apenas com pastéis serve de apoio para a atração. Cada pastel contém uma pergunta, e o convidado escolhe os que ele quer retirar primeiro. “Xiii”, dizem Porchat e Tatá, e depois leem a pergunta em voz alta: “Você frita o pastel pra Globo?”. Frota passa a fazer um discurso defensivo, dizendo que a emissora é que tem de fritar o pastel para ele, até que Tatá o interrompe: “Mas nós estamos falando dos biscoitos Globo”, deixando o “ogro”, como ela chama Frota, completamente desconcertado – enquanto a plateia morre de rir.“Venho emendando um trabalho no outro, sem parar”, diz Tatá. Logo depois da novela, ela tirou quatro dias e foi para a Disney com uma amiga. Queria rever o parque, que não via desde criança. Em outubro do ano passado, outros oito dias, Londres, Paris e Croácia: “Apesar de não falar croata, quis assistir a uma comédia lá, para ver como o público reagia. Eles riem mesmo, sem pudor!”.

PEDRA NO RIM

Depois do almoço, sobremesa. Servida? “Não, obrigada.” Tatá conta que, por causa de uma promessa, deixou de comer doces. Promessa? Sim. Foi  uma tentativa extremada de erradicar para sempre os problemas renais que acometem toda a família, inclusive ela: “Minha mãe já teve tantas pedras que o rim dela é deformado”. (Em tempo: para não parecer leviandade da reportagem, cite-se que a assessora de Tatá ligou às 7h45 para informar que a atriz não poderia pegar o voo das 9h, no Rio, porque teve uma crise renal: as duas chegaram ao estúdio às 13h.) A essa altura, a produção está no segundo look. Vestiram Tatá dos tornozelos ao pescoço com uma meia arrastão preta, estilo catsuit, e colocaram por cima um smoking muito curto. Tatá segura a barra do smoking, atrás, e diz em tom ao mesmo tempo sexy e o cômico: “Não queria que a câmera do fotógrafo tivesse acesso ao meu traseiro”.

AMOR DA VIDA

E então, com exclusividade para J.P, a atriz vai revelar detalhes de seu novo amor. “Sabia que ia ter essa pergunta. Vim ensaiando no avião uma resposta”, diz ela, dramaticamente.  O furo de reportagem veio parar no pé da matéria porque garantimos a ela que o assunto seria tratado com displicência. Antes da revelação, ela manda um discurso sobre a retidão de seus princípios afetivos. “Você nunca vai ler uma notícia tipo: ‘Tatá ficou com fulano’, ou ‘Tatá foi vista bêbada, jogada em cima de sicrano’. Se eu ‘fico’ com alguém, é porque tem uma história, entende?” Claro. Ele é famoso? “Não, não é.”

Durante as fotos com o terceiro look  – vestido listrado TalieNK,  sapato preto Schutz e bambolê vermelho –, uma rápida pesquisa no Google revelou o que todo mundo já sabia: que o eleito de Tatá é o ator pernambucano Renato Góes. Imediatamente, as fotos do casal na tela do iPad foram mostradas para ela, como constatação indignada de que ele é famoso sim (ou pelo menos pretende ser, como todo ator). Por que tanto mistério, se o caso é público? Sem graça, e para compensar o falso furo de reportagem, Tatá concordou em revelar alguma outra informação sobre o romance. Depois de muitos “pelo amor de Deus, vê lá onde você vai publicar isso”, ela contou que foi apresentada a Góes nos bastidores de “I Love Paraisópolis”. “No dia em que eu o vi no estúdio, olhei para ele e (ela gira os olhos e suspira)…” Foi amor à primeira vista. O ator era cogitado para fazer par romântico com Danda. Não ganhou o papel, mas em compensação conquistou o coração de Tatá.  É sério.

Styling: Fabricio Miranda (CAPA MGT)
Beleza: Lavoisier (CAPA MGT)

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