Carlos Miguel Aidar: “Vitória da Alemanha beneficia o futebol brasileiro”

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Presidente do São Paulo assistiu a vitória da Alemanha no estádio do Morumbi

Após a vitória da Alemanha em cima da Argentina, Glamurama foi conversar com Carlos Miguel Aidar, na Casa Pelé do Futebol, no estádio do Morumbi, para uma avaliação da conquista do tetracampeonato mundial pelo time de Schweinsteiger e do desempenho da seleção brasileira na Copa. Confira a entrevista com o presidente do São Paulo!

Para quem estava torcendo?
Como todo bom brasileiro, estava torcendo para a Alemanha (risos). Na verdade não é que eu tenha uma preferência pela Alemanha, mas é pelo bem do futebol brasileiro. Vamos lembrar que a Alemanha estava um desastre em 2001 –o mesmo que o Brasil está hoje, e depois de uma reformulação em 2004, hoje é um exemplo de nação.  Se a Argentina tivesse ganhado, iam dizer que o modelo europeu não funciona. Com a vitoria da Europa, abrem as perspectivas de mudança no futebol brasileiro.

Quais são as essas mudanças?
Mudanças de estrutura. Os clubes precisam ter voz ativa, para participar do processo decisório. As federações elegem quem quer, não há perspectiva de mudanças. Quem ganha são os dirigentes da confederação. A gente precisa mudar o comitê, o clube precisa eleger a confederação. E se os clubes estão passando por dificuldades, é por má gestão.

E qual foi a sua avaliação da nossa Seleção?
A seleção brasileira foi um desastre, uma tristeza. Não convenceu em nenhuma partida, nem nos três jogos em que venceu. Não tinha opção tática de mudar o jogo durante a competição.Faltou maturidade, faltou treinador. Nosso treinador é absolutamente superado. A grande maioria dos treinadores brasileiros conhece o mundo brasileiro só. Essas táticas novas de solidariedade dentro do campo, de revezamento de posições, são modelos europeus que precisariam ser copiados.

O que faltou no nosso futebol?
Eu acho que está faltando humildade. A CBF precisa reconhecer que errou, precisa trocar o treinador, fazer uma audiência publica de avaliação, chamar treinadores estrangeiros para dar palestras aqui, ser humilde para reconhecer isso, e começar um novo ciclo de uma nova preparação. Não sei se daqui a quatro anos, mas pelo menos daqui a oito. Não se faz da noite para o dia uma seleção. Além do que, a gente sempre contou com a habilidade de um ou outro jogador. Faltou Neymar no time, acabou o time. Ou seja, o brasileiro era dependente do Neymar e você não pode ter uma seleção dependente de um jogador, porque se ele vai mal, o time inteiro vai mal. Os treinamentos que foram feitos, pelo que a gente assistiu, os times que entraram em campo não eram os times que treinaram juntos. Faltou jogadores mais velhos para mesclar com os jovens. O Kaká e o Ganso teriam caído muito bem nesse time. Eles fizeram falta para coordenar o time. E o futebol brasileiro é muito pobre. Você perde o jogador, você não consegue segurar, é uma dificuldade. Eu sinto aqui no São Paulo, não temos dinheiro para segurar os jogadores mais expressivos. Não tem dinheiro porque é pobre, porque falta força. E falta força porque não tem organização. É um ciclo vicioso que uma coisa ruim puxa a outra.

E o Kaká? Quando deve estrear?

O Kaká vai estrear no dia 3 de agosto, contra o Criciúma. Ele está readquirindo a forma física. Talvez até desse para ele estrear neste sábado [19], mas seria forçar demais, ele não estaria em condições plenas ainda. (Por Denise Meira do Amaral)

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