Beatriz Milhazes: uma entrevista com a artista brasileira mais valorizada no mundo

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Beatriz Milhazes está comemorando 30 anos de carreira com a mostra panorâmica “Meu Bem”, que inaugura logo mais, nesta quinta-feira, no Paço Imperial, no Rio. A artista plástica brasileira mais valorizada no mercado internacional – a tela “O Limão” foi vendida por US$ 2,098 milhões em um leilão em Nova York – estava há 11 anos sem expor na cidade, onde mora, no Leblon, e mantem seu ateliê, em uma casa que ocupa no Horto desde 1987.

* “Tive um percurso muito linear ao longo desses 30 anos. Na década de 80, foi um desenvolvimento bastante local, Rio e São Paulo. Em 1996, por ocasião da minha primeira individual em Nova York, recebi uma crítica muito positiva da Roberta Smith, do New York Times. Ela terminou dizendo: ‘Acho que tem algo novo surgindo’. Isso me abriu as portas para o mundo da arte nos Estados Unidos, depois Europa e, mais adiante, Ásia. Foi fundamental, em 2003, minha participação na bienal de Veneza, e ter minha obra em museus importantes como Tate Modern e o MoMA.”

* E esse rótulo de “brasileira mais cara”? “Apesar de eu estar nesta situação, não saberia explicar… É a primeira vez na arte brasileira contemporânea que um grupo, mesmo que muito pequeno, conquista essa posição internacional, com preço internacional. É um grande ganho, um aprendizado para todos nós, um patamar que eu não esperava. Temos que saber lidar com isso. Com as galerias lá de fora é mais fácil. Eles estão acostumados. Tenho uma vida em inglês e uma vida em português. Também tem outro orgulho, por eu ser mulher. A pintura é um universo muito masculino.”

* Existe algo em comum com Vik Muniz e Adriana Varejão, outros nomes contemporâneos bem valorizados fora do país? “Isso é curioso. Somos muito diferentes como artistas e como pessoas, apesar de sermos amigos. Mas temos, sim, um ponto em comum: nós três, de alguma maneira, nos utilizamos da cultura brasileira para criar diálogos, introduzimos nossa experiência de vida no país para dentro do próprio trabalho. Mesmo o Vik, que emigrou jovem e se desenvolveu nos Estados Unidos, guardou em seus conceitos algo inteligente, mas meio rude da nossa formação brasileira. Eu e Adriana, de jeitos bastante diversos, temos bem claras essas questões do nosso pensamento sobre a cultura do país.” (Por Michelle Licory)

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