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Rione Luzzatti, bairro de Nápoles que inspirou livros de Elena Ferrante // Reprodução

Os moradores de Rione Luzzatti, bairro da classe trabalhadora de Nápoles, afastado do centro, nunca imaginaram que a área, aparentemente sem atrativos, se tornaria um dos pontos turísticos mais procurados nos últimos tempos. Culpa da escritora Elena Ferrante e de sua série napolitana, um dos maiores best-sellers da literatura recente. A história da amizade de Lenu e Lila, contada em quatro volumes, conquistou leitores nos quatro cantos do planeta e acendeu a curiosidade de conhecer onde se passa o drama vivido pelas personagens. Batizado “efeito Ferrante”, o movimento de turistas tem chamado a atenção de quem vive por lá e nunca tinha visto nada igual. No livro, a autora não menciona o nome do bairro, mas quem conhece logo ligou os pontos e entendeu que Rione Luzzatti foi a referência usada como cenário da história. “Peguei os livros sem saber de nada. Mas ao ler imediatamente entendi que estava no Rione ”, disse Ylenia Rettino, arquiteta que frequentou o ensino fundamental no bairro e hoje mora em Florença a um site italiano.

Rione Luzzatti foi construído durante o período fascista e seus prédios de quatro andares, tipo conjuntos habitacionais, são típicos da arquitetura da época, assim como as ruas largas que cercam os quarteirões. Em 1929, o primeiro estádio de futebol de Nápoles foi construído no Rione, mas foi destruído pelos bombardeios aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Cena da série ‘A Amiga Genial’ inspirada nos livros de Ferrante // Reprodução

E após a série de TV inspirada no primeiro livro, “A Amiga Genial”, a curiosidade pela região no sul da Itália aumentou ainda mais. “De repente, ficamos famosos”, brincou Rossella Amato, professora aposentada da escola primária local. “Só Elena Ferrante poderia tornar essa área famosa. Ninguém jamais teria vindo antes passear por aqui se não fosse ela”. Claro que algumas empresas de turismo já estão de olho na demanda, oferecendo pacotes com o tema ‘Ferrante em Nápoles’. Agora os moradores de Rione – e de outras áreas próximas – estão aprendendo a conviver com o vai e vem de ônibus vermelhos de dois andares lotados de turistas interessados em ver de perto e registrar cada detalhe do local em que as personagens de Ferrante viveram seus dramas desde a infância até a velhice.

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