Acabou chorare: Morre aos 72 anos Moraes Moreira, icônico cantor e compositor baiano

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E a semana começa mais triste por aqui. Morreu Moraes Moreira, aos 72 anos. O cantor e compositor baiano morreu nessa madrugada, de infarto, enquanto dormia, em sua casa no Rio de Janeiro. Ícone da MPB, ele começou a carreira no antológico grupo Novos Baianos, onde tocou entre 1969 e 1975, ao lado de Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão.

Em seguida, engatou carreira solo, que rendeu 29 discos de estúdio. Entre os maiores sucessos compostos por Moraes estão ‘A Menina Dança’, ‘Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira’, ‘Preta Pretinha’, ‘Besta é Tu’ e ‘Acabou Chorare’. Glamurama era fã e se solidariza com o filho Davi Moraes e toda a família.

*

Em sua última postagem no Instagram, o baiano deixou uma nova composição batizada ‘Quarentena’: “Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos, cumprindo minha quarentena, tocando e escrevendo sem parar. Este cordel nasceu na madrugada do dia 17 e envio para apreciação de vocês. Boa sorte”.

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo…
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem idade

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