No dia da Consciência Negra, Glamurama relembra 5 personalidades que romperam barreiras

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No dia 20 de novembro, o Brasil comemora o Dia da Consciência Negra, que marca a morte de Zumbi dos Palmares na mesma data, em 1695. Glamurama lista 5 grandes personagens do showbizz nacional que lutaram – e lutam! -, reagiram e questionaram atitudes para tornar o país mais humano e menos racista.

TAÍS ARAÚJO E LÁZARO RAMOS

Taís Araújo e Lázaro Ramos || Créditos: Maria Antônia Anicetto / Divulgação
O casal não só abriu portas para os negros na TV como são militantes da causa e estão sempre à frente de debates sobre racismo e o espaço dedicado a seu povo nas artes. Os dois entraram na lista dos 100 afrodescendentes com menos de 40 anos mais influentes do mundo. Eles usam essa força para promover debates sobre racismo e para colocar o negro em destaque, como fazem em “Mister Brau”, série que chega à quarta temporada na Globo em 2018. Os dois também quebraram barreiras: Taís foi a primeira negra a ter o personagem principal de novelas na Manchete (Xica da Silva, em 1996) e na Globo (Da Cor do Pecado, de 2004). Já Lázaro Ramos roubou a cena em Cobras & Lagartos (2006) e fez tanto sucesso que seu Foguinho virou o grande destaque da trama, um papel que lhe rendeu uma indicação ao Emmy Internacional.

ZEZÉ MOTTA

Zezé Motta || Créditos: Reprodução / Facebook

A atriz Zezé Motta foi a grande homenageada do 15ª edição do Troféu Raça Negra, prêmio criado em 2000 com o objetivo de celebrar a atuação de uma personalidade negra do Brasil ou do exterior. Ícone negro da cultura brasileira, Zezé é reconhecida internacionalmente por sua atuação em “Xica da Silva”, no filme de mesmo nome dirigido por Cacá Diegues em 1976. Zezé é ainda presidente de honra do CIDAN (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro), responsável por criar o primeiro banco de dados de artistas negros no país, e também ocupou por dois anos o cargo de superintendente da Igualdade Racial do governo do Rio de Janeiro. Além disso, foi Conselheira de Direitos Humanos no governo de Fernando Henrique Cardoso e atuou na Superintendência da Igualdade Racial do governo do Rio de Janeiro na gestão de Luis Inácio Lula da Silva.

GRANDE OTELO

Grande Otelo || Créditos: Reprodução
Grande Otelo foi um dos atores mais talentosos do século 20. Multifacetado, podia interpretar tanto personagens sérios quanto os engraçados, além de cantar, escrever e declamar poemas. Ao longo da carreira atuou no rádio e na TV e envolvia todos com suas expressões faciais. O começo de tudo foi por volta de 1926, na Companhia Negra de Revistas, formada apenas por artistas negros e que tinha no elenco nomes como Pixinguinha (atuando na função de maestro), Donga (músico) e Rosa Negra (atriz e cantora). Fascinado pela boêmia da Lapa e de outros bairros cariocas, Grande Otelo se mudou para o Rio de Janeiro no fim da década de 1930. Lá conheceu seu grande parceiro, o músico Erivelto, com quem compôs o famoso samba “Praça Onze” em uma das muitas idas ao badalado Cassino da Urca. Aliás, até a contratação de Grande Otelo para apresentações, os negros não podiam sequer entrar pela porta da frente do cassino. No cinema surgiu na vida de Otelo ainda nos anos 1940, tempo em que estrelou filmes como Moleque Tião e Também Somos Irmãos, ao lado da grande amiga Ruth de Souza. Contudo, a interpretação mais conhecida do ator foi em Macunaíma, de 1969 – adaptação da célebre obra de Mário de Andrade. Pela atuação, Grande Otelo venceu o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília de 69. No cinema, o mineiro radicado no Rio de Janeiro também fez parte do elenco de um filme não finalizado, It’s All True, de Orson Welles, que apontou Grande Otelo como um dos maiores atores do mundo.

CARTOLA

Cartola || Créditos: Reprodução
Angenor de Oliveira, o Cartola, nasceu no Rio de Janeiro e passou a infância no bairro de Laranjeiras, até que por dificuldades financeiras sua família foi obrigada a se mudar para o morro da Mangueira, onde uma simples favela começava a ser construída. Aprendeu a tocar cavaquinho e violão com o pai ainda moleque, quando tomou gosto pela música e pelo samba. Ao trabalhar como servente de obra, passou a usar um chapéu-coco para se proteger do cimento que caía. Por usar esse chapéu, ganhou dos colegas de trabalho o apelido de Cartola. Após criar o Bloco dos Arengueiros, junto com um grupo de amigos sambistas do morro, ajudou a fundar a Estação Primeira de Mangueira. Foi ele quem sugeriu o nome e as cores verde e rosa, que consagraram a tradicional escola de samba carioca. Cartola também compôs “Chega de Demanda”, o primeiro samba-enredo da escola. Em 1940 Cartola recebeu o prêmio maior do samba carioca: foi escolhido o Cidadão-Samba daquele ano e até gravou composições com o maestro britânico Leopold Stokowski. Cartola só recebeu todos os créditos por sua contribuição à história da música brasileira após sua morte, aos 72 anos, de câncer, quando então já era considerado um dos estetas geniais da música brasileira.