15.10.2020  /  11:10

Neurocientista Natalia Mota explica como criou programa para agilizar o diagnóstico de problemas mentais, mulheres cientistas e mais em papo com Joyce Pascowitch

Natalia Mota em live com Joyce Pascowitch || Créditos: Reprodução

Mesmo com a evolução da psiquiatria e neurociência, os transtornos mentais ainda demoram dois anos para serem diagnosticados, mas esse tempo pode ser reduzido significativamente com o trabalho da psiquiatra cearense Natalia Mota, que foi a convidada de Joyce Pascowitch na live dessa quarta-feira.

A profissional, que atualmente mora no Rio de Janeiro, desenvolveu um programa de computador que mede a organização do pensamento por meio da fala, diagnosticando, de maneira mais rápida, transtornos como esquizofrenia. “Desde as primeiras descrições dessas desordens, sabe-se que no caso da esquizofrenia, por exemplo, a maneira com que a pessoa se comunica traduz a forma como ela organiza os pensamentos. Então, quem tem habilidade de organizar a sequência de eventos que quer partilhar com outra pessoa, consegue falar de forma organizada e de fácil compreensão”, começa Natalia. “A partir disso, desenvolvemos ao longo da infância relações que nos permitem entender o outro e treinar essa habilidade de comunicação. Algumas pessoas, que passam por essa desordem que é chamada de esquizofrenia, tem muita dificuldade de organizar a fala. Não é algo que o psiquiatra percebe apenas no conteúdo, mas na forma como a pessoa se comunica com organização”, conclui.

Outro projeto importante de Natalia é o Sci-Girls, grupo de mulheres cientistas. “Sempre gostei de discutir o papel da mulher dentro desse ambiente. Ser uma mulher cientista num país como o Brasil é um desafio enorme, mas ainda bem que não sou a única e isso me empolga. Quero encontrar e me unir a outras mulheres para ultrapassarmos barreiras juntas”, conta.

Aos 37 anos, a psiquiatra também falou durante a conversa sobre a importância de compreender esse momento, apesar das dificuldades. “É importante que a gente tente se adaptar e tenha consciência de que essa adaptação é mais fácil para uns do que para outros. Precisamos entender que esse é um caminho de solidariedade, sororidade e, muitas vezes, pensar em como ajudar o outro é terapêutico”, explica.

A seguir, confira a live completa com Natalia Mota.