‘Negritude’, de Zezé Motta, é lançado pela primeira vez em formato digital: “Queriam me pregar o rótulo de sambista pelo fato de eu ser negra”

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Um dos grandes nomes da música brasileira, Zezé Motta finalmente chega às plataformas de streaming. De 1975 a 79, a diva lançou três LPs, e um deles foi o “Negritude”, que trazia canções de João de Aquino, Aldir Blanc, João Bosco, Wilson Moreira e Ney Lopes, Rosinha de Valença e Maria Bethânia, Paulo Cesar Feital, Tunai, e ouros compositores.

E é justamente ‘Negritude’, originalmente lançado em 1979, que chega ao streaming, totalmente remasterizado, com qualidade de áudio que ressalta a voz poderosa de Zezé em faixas como “Aí de Mim”, “Manhã Brasileira” e “Senhora Liberdade”.

“Desde o começo, a Warner queria que eu gravasse samba. Mas eu não queria ser rotulada de sambista. Nada contra, mas eu queria ser livre para cantar vários gêneros. E era também uma atitude política por perceber que queriam me pregar esse rótulo pelo fato de eu ser negra. Estava numa fase de militância mais radical e criei essa resistência”, lembra a cantora.

“Mas para o segundo LP da minha carreira, o ‘Negritude’, realmente me convenceram de que eu estava vendendo abaixo do esperado e que seria interessante tentar o caminho sugerido por eles. Aí já era uma questão de mercado, e naquela época não podia botar a militante à frente da artista e topei fazer um disco de sambas. A gravadora promoveu uma feijoada na casa do Sérgio Amaral para o pessoal do samba. Compareceram Martinho da Vila, Monarco, Padeirinho, João Bosco, Manacéa, Wilson Moreira, Ney Lopes… Uma turma de bambas. E assim saiu o disco”, lembra.

Play para desfrutar a voz de Zezé Motta!