Talíria Petrone || Créditos: Ricardo Albertini/Câmara dos Deputados

“Não daremos nenhum passo atrás”, diz deputada Talíria Petrone após precisar ir à ONU para denunciar ameaças

30.09.2020  /  17:59

Talíria Petrone || Créditos: Ricardo Albertini/Câmara dos Deputados

As ameaças à vida da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) acontecem desde quando começou sua carreira política. De acordo com ela, desafiar interesses sombrios que insistem em se manter na política nacional faz com que muitos querem seu fim. Porém, dessa vez, todos os limites foram ultrapassados e ela precisou recorrer à ONU diante das ameaças que está sofrendo. Ela pede que a organização cobre explicações do governo brasileiro sobre a falta de segurança que ela tem ao realizar seu trabalho como parlamentar. Porém, ela foi além e também intercedeu a respeito das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, que foram assassinados em um atentado em 2018. 

“Agora, as ameaças se agravaram e surgiram novas, com outro tipo de teor, mais grave. Não é possível revelar informações sobre o conteúdo delas, mas elas chegam até mim por meio da polícia legislativa, que chegaram por meio do Disque Denúncia. Nosso mandato enfrenta setores muito poderosos e é baseado muito fortemente na luta antirracista, em um outro modelo de segurança pública. Medo se tem, ainda mais com uma bebê pequena. [A situação] muda radicalmente nossa rotina, nossa relação com o território. Muitas vezes a gente pensa em desistir [da política], voltar a dar aula… mas não é possível. Existe uma urgência de transformar a realidade. Por mais que haja medo, há também uma convicção da urgência da luta, de enfrentar esse cenário. Não daremos nenhum passo atrás. Avançaremos até vencer aqueles que tentam nos amedrontar”, afirma a deputada à Poder.

Agora, ela diz que já reforçou sua proteção, mas que também não irá dar detalhes de como ela é feita à imprensa para sua maior segurança. “Mas eu tenho escolha há mais de um ano e estamos reforçando para que possamos seguir na luta vivas”, diz. Sobre sua ida às Nações Unidas, ela diz que sua ação funciona como um alerta internacional sobre a fragilidade da democracia no Brasil. “Uma pessoa eleita que tem seu exercício parlamentar cerceado mostra o grave momento da democracia”, constata. “Mais de dois anos depois, a gente não sabe quem mandou matar a Marielle. É um crime político bárbaro que teve estampado no corpo dela toda a violência política, dor e falta de democracia. É algo que nos entristece e nos faz ter uma dor muito aguda. Exigir uma resposta é fundamental. A cada ameaça que chega, eu, obviamente, lembro da execução da minha amiga Mari, mas também da parlamentar Marielle Franco e vejo com tristeza os rumos que o Brasil está tomando. Mas, ao mesmo tempo, isso nos dá força para não retroceder”, finaliza. (Por Giorgia Cavicchioli)