04.07.2015  /  16:28

Monteiro Lobato para crianças: ler ou não ler? Poetas na Flip respondem

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Monteiro Lobato morreu em 4 de julho de 1948

No dia em que completa 67 anos da morte de Monteiro Lobato, neste sábado, Glamurama foi atrás de dois poetas brasileiros na Flip, em Paraty, para saber se a sua obra infantil ainda é atual e recomendada para as crianças. Vale lembrar que a partir de 2010, ganhou repercussão na mídia o suposto racismo do autor em torno da personagem de Tia Anastácia, no livro “Caçadas de Pedrinho”.

Eucanaã Ferraz

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Eucanaã Ferraz na mesa “A Cidade e o Território”, na Flip || Crédito: Walter Craveiro / Divulgação

“Monteiro Lobato é um dos autores que toca em questões profundas da cultura brasileira e da alma das pessoas. Ele poderia ser muito mais importante do que é se não tivesse escrito em língua portuguesa. Se fosse um autor estrangeiro, teria tido um alcance universal. As polêmicas recentes de racismo em torno da obra são pequenas, mesquinhas, estão muito aquém do que ele disse ou escreveu. É uma bobagem completa. É o politicamente correto levado às últimas consequências. É um coisa pequena, mesquinha e tola diante da literatura dele”, defende o poeta.

João Bandeira

João Bandeira na mesa "A Cidade e o Território", na Flip || Crédito: Walter Craveiro / Divulgação
João Bandeira na mesa “A Cidade e o Território”, na Flip || Crédito: Walter Craveiro / Divulgação

“A obra infantil do Monteiro Lobato tem lá a sua atualidade, na maneira de narrar, no olhar que ele tem pro universo infantil, mas também há algumas distâncias que precisam ser percorridas, que é a linguagem e o próprio universo rural que é descrito. Tudo isso está muito distante do Brasil de hoje e não só das grandes cidades, mas também das cidades do interior, que estão conectadas como uma grande cidade mundial. É preciso fazer uma ponte para chegar na obra dele. Quanto à incitação ao racismo, acho que isso vale tanto para o Monteiro Lobato quanto para uma série de autores da época dele. Ao meu ver, o que precisa ser feito, é usar isso como mote de discussão e explicar para as crianças o que acontecia na época”, relativiza o poeta e curador.