Monja Coen || Créditos: Divulgação

Monja Coen fala de suas preferências e revela: “Minha grande extravagância foi casar aos 14 anos”

21.07.2019  /  9:00

Monja Coen || Créditos: Divulgação

Ela é zen, mas está bem longe de ser monótona. Cheia de bom humor e com reflexões que se encaixam na atualidade, Monja Coen é uma das principais responsáveis pelo conhecimento e crescimento do Budismo no Brasil. Agora, ela se une a Mario Sergio Cortella no livro “Nem anjos, nem Demônios”, em que os dois trazem a filosofia e a espiritualidade para uma conversa acolhedora sobre o que eleva a vida. A monja, que acredita na meditação para salvar o mundo, abre a boca para a nossa coluna e mostra que também têm momentos em que perde a paciência.

Por Fernanda Grilo para a revista Joyce Pascowitch

J.P: Meditar é para os fortes?
MONJA COEN: É para todos, nervosos, pacientes e distraídos…

J.P: Qual o grande combustível da vida?
MC: Oxigênio puro e respiração consciente.

J.P: E como alcançar a melhor vida que podemos ter?
MC: Buscar viver com plenitude a cada instante, lembrar que é rápido e não ficar imaginando uma vida fora dessa. O melhor é onde você está.

J.P: Qual a sua maior virtude?
MC: Posso falar mais dos meus vícios… (risos). No budismo não falamos muito das virtudes.

J.P: Um vício, então?
MC: Cachorrinhos, adoro eles.

J.P: O que foi mais difícil de desapegar quando virou monja?
MC: Natação, eu gostava muito.

J.P: Seu maior questionamento é?
MC: A cura da Terra. Como fazer com que o maior número de seres acorde e aprecie a vida, tenha sabedoria e viva em uma cultura de paz e justiça.

J.P: Como unir um mundo tão dividido?
MC: Com respeito, ternura, compreensão. O que nos divide é a falta de olhar em profundidade. Pensar diferente é compreender que existe o diferente e isso não é mal.

J.P: Quais são os atuais tabus do mundo?
MC: É assustadora a falta de respeito e a discriminação.

J.P: O que acha da atual situação do Brasil?
MC: Uma situação e tanto. Estou observando e existem questões que discordo completamente, mas não tenho todas as informações do poder para julgar. Espero que tudo seja para o bem de todos e não de apenas um grupo.

J.P: Os governantes te surpreendem?
MC: Me surpreendo com falas do presidente e de ministros que estão foram do meu universo de inclusão como não usar armas, agrotóxicos, a questão dos índios. Não pode ser só a busca pelo lucro imediato.

J.P: Em momentos tão difíceis, como encontrar a paz?
MC: Na respiração consciente. A chave de ouro é endireitar a coluna, manter a cabeça erguida e respirar que muda quase que tudo. Oxigena o cérebro e o contato com você mesmo.

J.P: Quem gostaria de ser?
MC: Nunca pensei nisso, quando a gente pode procurar ser a gente mesmo é melhor. Ser o outro não dá certo, nossas experiências são únicas.

J.P: Melhor conselho que já ouviu?
MC: Eu tinha 35 anos e o meu vizinho de 89 falou: “Sabe qual o maior sentido da vida? Viver”.

J.P: E o melhor conselho que deu?
MC: Que não há nada por matar ou morrer. Não matem a si mesmos e nem queiram matar ninguém.

J.P: Qual foi a grande extravagância que já fez?
MC: Muitas, sabe? Casar com 14 anos foi bem extravagante e por vontade própria.

J.P: Se pudesse viver à base de um alimento, qual seria?
MC: Ovo, que é o mais completo alimento.

J.P: E se pudesse mudar alguma coisa em você?
MC: Paciência… Preciso de um pouco mais.

J.P: Uma mania?
MC: Ficar brava de repente, daí eu tenho que pensar: “Não, monja, não, monja.”

J.P: Uma frase?
MC: Somos a vida da Terra, estamos interconectados a tudo e a todos, por isso cuidamos com respeito e dignidade.

J.P: Um lugar no mundo?
MC: Monte Fuji, no Japão.

J.P: Como gostaria de morrer?
MC: Tanto faz, devagar ou rápido.

J.P: A eternidade existe?
MC: Sim, tudo é eterno, embora passageiro.

J.P: O mundo está chato?
MC: Não, está divertidíssimo. Chato é o resfriado que peguei hoje.