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#ViveDepoisPosta vira movimento contra o imediatismo das redes sociais

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Após o longo período em casa durante a pandemia da Covid-19, quando a principal companhia podia ser a tela do celular, as pessoas estão procurando viver intensamente o retorno das atividades graças à vacinação. A prova disso é um movimento que tem tomado força nas redes sociais: #ViveDepoisPosta, que se baseia em fazer os registros dos eventos e só postar mais tarde, curtindo, assim, o momento sem se preocupar com a edição do conteúdo, audiência dos internautas e comentários.

No final do ano, a influencer Camila Coutinho, que acumula 2,9 milhões de seguidores apenas no Instagram, anunciou que iria aproveitar o Natal e Ano Novo longe da redes, a fim de criar uma conexão maior com o seu mundo real. “Vou me dar de presente priorizar o meu descanso, acho que depois de um ano tão intenso (pra todos!) não tem nada que eu precise dividir ou saber que seja mais importante do que isso! Que em um mundo cada vez mais acelerado e cheio de estímulos externos, nós busquemos cada vez mais nos colocar no caminho da clareza e da presença”, afirmou ela, finalizando com a hashtag #ViveDepoisPosta.

Segundo a psicóloga Marilene Kehdi, esse novo costume é benéfico. “Essa mudança de comportamento é muito saudável. As pessoas precisam encontrar um ponto de equilíbrio. Deixar de viver e fazer as coisas de forma imediatista, acelerada, chega até ser um comportamento obsessivo, de querer registrar tudo de forma imediata”, revela.

Inclusive, esse novo comportamento se opõe o imediatismo proposto pelas redes sociais, que cada vez mais investem em conteúdo ao vivo. “O imediatismo afeta a saúde mental, gera ansiedade, crise de pânico que pode, inclusive, evoluir para a depressão e outros transtornos mentais. Portanto, viver o presente, curtir os bons momentos, relaxar, ter um hobbie, faz bem para o psicológico e para o emocional. Toda essa obsessão, esse comportamento de querer registrar tudo ao mesmo tempo em que se está vivendo faz com que a pessoa deixe de apreciar, de contemplar, de sentir o prazer do atual momento, porque ela está obcecada em registrar”, comenta a profissional.

“O imediatismo afeta a saúde mental, gera ansiedade que pode evoluir para depressão e outros transtornos mentais”

Marilene Kehdi

De acordo com a psicóloga, faz muito bem também praticar o autoconhecimento para entender qual o sentido de registrar tudo de forma imediata. “É uma necessidade de aprovação? De aceitação? De fazer parte dos padrões impostos pela sociedade? Uma vez sabendo disso, você consegue mudar esse comportamento e viver de forma que possa contemplar, viver cada momento da sua vida com prazer, com alegria e depois postar, com calma”, reflete.

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