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Foto: Reprodução/Unsplash

Amanhã, me despeço de uma versão de mim mesma. E, finalmente, vou atrás da versão que a Julia de 6 anos de idade sempre sonhou: a que mora em Paris.

Para contar essa história e como ela começou eu preciso voltar para antes até da Julia de 6 anos. Quando eu era muito pequena e nem falava ainda, o meu pai – que vocês já devem ter percebido que é o personagem principal da minha vida – cantava uma música que dizia “eu tenho uma bonequinha que veio de Paris para mim”. Naquela altura do campeonato eu evidentemente nem sabia o que era Paris.

Um pouco mais para frente, já falando e sabendo o que era Paris, criamos uma espécie de rima/música juntos. Ele começava as frases e eu tinha que completar, como:

  • Eu te…
  • Amo
  • Você me…
  • Ama

Até a parte que falava: “A gente é feliz, a gente tem uma bola no nariz, do jeito que a gente sempre quis, em frente a um chafariz em Paris”.

Desde então, ir a Paris era quase que um acontecimento. Era a cidade preferida do meu pai fora do Brasil, e se tornou a minha também. Das vezes que fomos juntos, tiramos uma foto em frente a um chafariz, e quando ele ia sem mim gravava um vídeo cantando nossa música em frente a um chafariz também.

As fotos da minha primeira vez em Paris são outro acontecimento. Fotos de uma mini Julia 100% feliz, realizada, divertida, vaidosa. É engraçado porque ela me lembra exatamente de quem eu sou hoje, mas ao mesmo tempo parece extremamente distante. Para  a minha formatura na faculdade, peguei uma foto dessa Julia do passado na frente da torre Eiffel e fiz adesivos escrito “Nascida em São Paulo, feita para Paris”. De alguma forma, sempre me pareceu que uma parte de mim pertencia àquele lugar. E, como me disse uma pessoa essa semana: “acho que seu pai também sempre soube que o seu destino estava lá”.

Desde muito pequena, quando o meu pai viajava, ele deixava uma camiseta dele, com o perfume dele para eu usar de pijama todos os dias. Ele sempre fez questão de criar rituais e gestos especiais para demonstrar o amor e a certeza de que ele sempre voltaria em breve.

Mas, acho que a maior demonstração de amor e certeza de que ele sempre vai estar aqui é o poder que ele deu para os meus sonhos.

Meu pai entrava no meu quarto todos os dias de manhã e falava: coragem, Julia! E, de alguma forma, é isso que eu sigo repetindo pra mim mesma todas as manhãs. Amanhã, essa coragem ultrapassa algumas fronteiras emocionais e físicas. E, que demais que é não fazer ideia do que me espera do outro lado.

Não sei se estou indo atrás de reencontrar a Julia de 6 anos de idade, ou, melhor ainda, apresentar a ela quem é a Julia de quase 22. Uma amiga querida me lembrou esses dias da música “Deus me proteja”, que diz: “caminho se conhece andando, então vez em quando é bom se perder”. Entre erros, acertos, medos, encontros, reencontros, perdas e ganhos, ir atrás desse sonho é uma certeza plena no meu coração de que é a coisa certa a se fazer. E não vejo a hora de dividir tudo com vocês.

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