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Shari Redstone
Foot: Jared Siskin/Patrick McMullan via Getty Images

Em meados de fevereiro deste ano, diante de um grupo de investidores formado majoritariamente por homens, Shari Redstone afirmou com uma certeza contagiante o quão animada estava com o futuro da empresa sob sua gestão indireta há anos, a então gigante de mídia americana conhecida como ViacomCBS, e rebatizada dias depois daquele discurso como Paramount Global.

O momento marcou uma vitória pessoal da executiva de 68 anos, que apenas dois anos antes lutava para manter o controle da companhia em suas mãos, uma batalha à la “Succession” que a colocou em alguns momentos contra seu próprio pai, o lendário magnata do entretenimento Sumner Redstone, e a obrigou a enfrentar o ex-todo-poderoso de Hollywood Les Moonves, que durante mais de duas décadas foi o chefão da rede de televisão CBS, a maior dos Estados Unidos, e parte do conglomerado que agora ostenta o nome de um dos estúdios de cinema mais famosos do país.

Mais do que vitoriosa, Shari não somente venceu a disputa corporativa sem precedentes contra todos que passaram por seu caminho como, de quebra, também acabou se tornando a mulher mais poderosa da indústria de entretenimento global.

Shari e diretores da Paramount com Tom Cruise na pré-estrria de “Top Gun: Maverick”. Foto: Leon Bennett/Getty Images for Paramount Pictures

Não por acaso, a guerra na qual ela levou a melhor serviu de inspiração para a premiada série da HBO, que trata de uma guerra familiar recheada de personagens ricos, herdeiros, esnobes e pouco confiáveis, pelo comando de um império de comunicação bastante parecido com a Paramount Global – suas subsidiárias mais famosas, além da CBS, incluem canais como MTV e Nickelodeon, a editora Simon & Schuster, o estúdio Paramount Pictures e a plataforma de streaming Paramount+, recém-chegada ao Brasil que conta atualmente com mais de 62 milhões de usuários pagantes e compete de igual para igual com Netflix e Disney+.

Fusão de gigantes

Shari Redstone começou a sua luta que culminou com a criação da Paramount Global em 2018, quando iniciou as atrativas para fundir a Viacom com a CBS, ambas pertencentes ao pai, Sumner, que morreu em 2020 aos 97 anos.

A ideia da executiva era reunir as duas companhias para criar sinergia, e, consequentemente, diminuir o poder de Les Moonves, uma espécie de “Boni” (ex-diretor da Rede Globo) da TV americana, no que diz respeito à sua relevância no meio, que fez de tudo para impedir o negócio. É ou não uma trama e tanto? Para o azar dele, e sorte de Shari, Moonves se tornou alvo de várias acusações de assédio sexual no auge do #MeToo, e se viu forçado a renunciar ao cargo de CEO da CBS que ocupava desde 2003.

O executivo de mídia, no entanto, continuou sendo um dos maiores conselheiros de Sumner, que a essa altura já não mandava mais em suas empresas e havia passado o bastão para a filha, embora mantivesse o cargo de presidente do conselho da ViacomCBS e, vez por outra, desse mais valor às observações de seu subordinado famoso do que as de Shari.

Ela, porém, não desanimou, e no fim conseguiu tirar a fusão do papel criando uma nova corporação de US$ 30 bilhões de um jeito que surpreendeu até mesmo os mais experientes players do showbiz americano, que a partir daí deixaram de vê-la apenas como uma herdeira nascida em berço de ouro.

Na “Succession” da vida real, Shari não teve vida fácil ao chegar no topo. Isso porque os investidores, os mesmos que a encontraram no começo de 2022, passaram a cobrá-la cada vez mais por resultados e, principalmente, pela elaboração de um plano de negócios capaz de preparar a ViacomCBS para o futuro, que neste caso significava o avanço das plataformas de streaming.

O resultado disso foi a criação da Paramount Global, que nasceu com o objetivo de preparar a empresa antecessora, com seus mais de 170 canais e 700 milhões de telespectadores em 180 países, para o amanhã da grande mídia, uma das indústrias em maior transformação atualmente no mundo.

Sobrenome experiência

Nas mãos, Shari tem um grupo de marcas famosas, todas pertencentes ao catálogo da Paramount Global, com valor de mercado de aproximadamente US$ 22 bilhões. Por números, é possível dizer que ela está dando conta do recado, afinal, a Paramount Global terminou 2021 com receitas de US$ 28,6 bilhões e um lucro líquido de US$ 4,5 bilhões, além de um caixa forte com US$ 5,3 bilhões disponíveis. Tais cifras foram notadas até mesmo por Warren Buffett, o maior investidor das bolsas mundiais, que em março comprou US$ 2,6 bilhões em ações da mega-holding.

Formada em Direito pela Boston University School of Law, Shari se especializou em arbitragem corporativa, o que veio a calhar em sua cruzada que resultou na criação da Paramount Global. Descrita por quem a conhece bem como “extremamente competente” e “destemida”, ela já deu provas suficientes de que sua experiência vale muito mais do que seu sobrenome, e também que desafios a atraem mais do que lhe dão medo.

Shari com o rapper Snoop Dogg na festa de inauguração da sede da Viacom, em 2017, em Hollywood Foto: Todd Williamson/Getty Images

Sua nova guerra agora é outra, basicamente a mesma pela qual passam todas as grandes empresas de mídia no planeta. Nesse caso, o que está em jogo é o reposicionamento da Paramount Global diante de um novo mercado consumidor de entretenimento dominado pela Netflix e afins, que para a sorte de Shari já despontou em larga vantagem, graças ao acervo de títulos do conglomerado e de seu poderio financeiro.

O plano da executiva é conquistar 100 milhões de assinantes do Paramount+ ainda no primeiro semestre de 2023, um objetivo ousado, mas que ela garante ser possível de alcançar. Antes dela, apenas Mary Pickford, cofundadora da United Artists, e Lucille Ball, fundadora do estúdio Desilu, tiveram tanta influência nos bastidores de Hollywood.

“Nós temos a capacidade de chegar lá e focamos nisso. Com certeza vamos conseguir entregar a vocês exatamente aquilo que merecem”, disse, na apresentação em fevereiro, para os executivos investidores que a ouviram em silêncio e ao fim do discurso a aplaudiram. Outra vez a dona do controle remoto provou ter razão.

A reportagem completa está na Revista PODER de julho, já nas bancas

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