Facundo Guerra
Por Julia Rodrigues

“Não quero atender apenas um público: homem, branco e mais velho”, diz Facundo Guerra sobre transformação da Love Story

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Ícone da noite paulistana, a boate Love Story terá um novo capítulo em sua história. O local foi arrematado por Facundo Guerra, Cairê Aoas e Lily Scott após entrar com um pedido de recuperação judicial em agosto de 2018 —contabilizava uma dívida de quase R$ 1,7 milhão e teve sua falência decretada em fevereiro deste ano.

“Estamos no meio do processo [de produção], a gente ganhou o leilão judicial. [Nós] compramos o que tinha dentro da Love Story, toda parte de mobiliário e tudo mais, mas não a marca, nem nada disso.”

Facundo Guerra

Em conversa com o Glamurama, Facundo afirma que a ideia é desmistificar o sexo e que o local não será uma casa de striptease, muito menos um clube de swing ou “puteiro”, mas que ofereça atividades com inspiração erótica.

“Nada contra os trabalhadores do sexo. Eu respeito muito uma mulher que, por força de vontade ou não, porque é obrigada ou empurrada a isso por conta da desigualdade social. Não quero moralizar, estou mudando o produto, quero o uso do espaço. Não quero que ele seja usado para atender apenas um público homem, branco, [mais] velho.”

Facundo Guerra

Além do ambiente, a ideia é fazer com que o local seja transformado em todos os sentidos. Quem passar em frente ao número 262 da rua Araújo, no centro de São Paulo, não verá mais o letreiro piscante da Love Story. A antiga boate terá um novo nome, usando apenas o símbolo de coração: “<3”.

“A ideia é de olhar para a maneira como a Love Story existiu na memória do paulistano. Mas que também, de alguma forma, era um local que tinha muita dor. Tanto pela maneira como as mulheres eram tratadas, ali tinha muito crime, muita notícia de ‘Boa noite, Cinderela’. Só ficar ali perto para entender a tensão que existia entre a vizinhança e o Love Story [e o edifício] Copan.”

Facundo Guerra

Segundo o empresário, a ideia do novo negócio é justamente acompanhar os novos tempos. “A gente começou a falar muito sobre sexo durante a pandemia. Pole dance já não é mais uma atividade de erotização do homem. Hoje, virou uma atividade física, é ginástica. Nenhuma mulher faz pole dance para seduzir homem, faz porque é um exercício vigoroso, que precisa de muita destreza, muita força. Os vibradores saíram do campo da pornografia, do proibido, do marginal, e entraram no campo da saúde mental”, afirma.

Mark Hillary/Flickr

No entanto, o antigo local não irá desaparecer por completo. Parte da casa será preservada. No térreo, onde ficava a pista de dança, já está certo que haverá uma área destinada a performances artísticas, com uma estrutura de teatro. Já, o segundo andar, que na época da Love Story era ocupado pela administração, vai virar uma livraria erótica com uma loja de sex toys e casa de chás. Nos dois últimos andares, em parceria com o motel Lush, haverá uma área com quartos para os clientes.

“Esse tipo de espaço tem em vários locais do mundo, em Amsterdã, em Londres, onde o ato, os rituais que precedem o sexo são centralizados. Tem o Crazy Horse, em Paris, e aqui em São Paulo não temos. O que estamos tentando fazer é montar um lugar onde fale sobre fetiche, que seja uma plataforma para educar as pessoas e que não aconteça necessariamente sexo ali dentro.”

Facundo Guerra

O responsável por transformar o local será o arquiteto e designer Maurício Arruda com curadoria de Mayumi Sato, pesquisadora e diretora do Sexlog, uma rede social de sexo. Já a drag queen e performer Ikaro Kadoshi ficará responsável pela direção artística das apresentações. A ideia é que o local inaugure no ano que vem, logo após o tão esperado Carnaval.

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