Alice Pataxó
Foto: Divulgação

Influenciadores indígenas se destacam nas redes, na moda e nas artes em busca de representatividade e inclusão

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Muitos estereótipos e preconceitos ainda rondam os indígenas, que estão sempre lutando por espaço, respeito e igualdade. Mas, longe do imaginário de alguns, os povos originários vêm cada vez mais ampliando seus espaços para além das aldeias e áreas rurais.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, entre 2010 e 2019, a presença deles em universidades saltou de 10 mil para mais de 81 mil, e pelo menos um terço da população vive em regiões urbanas, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E uma geração de jovens influenciadores está ajudando a levar essa representatividade ainda mais longe e desconstruir paradigmas inserindo sua cultura e suas tradições no universo pop. É o caso de Alice Pataxó, ativista que tem quebrado barreiras divulgando a voz de seu povo para o mundo. Recentemente, ela participou da Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia, e é a primeira indígena nomeada embaixadora da World Wide Fund for Nature no Brasil.

Em suas redes sociais (no Instagram ela tem mais de 140 mil seguidores), Alice, que não abre mão de usar adereços característicos de seu povo, fala sobre os direitos indígenas, preservação do meio ambiente e inclusão.

“A luta diária é importante, mas precisamos comunicar às pessoas o que fazemos e por quê. Passei pelo processo de uma reintegração de posse, por exemplo, e sei o quanto isso dói. Quero que as pessoas conheçam essa história, pois é muito mais do que a romantização da luta indígena. Muitas pessoas dizem: ‘Vocês são heróis’, mas não quero ser heroína de nada, quero ter o direito de ser eu mesma e ter a certeza do meu espaço”, desabafou em uma live dia desses. Segundo ela, ser indígena vai além da pele e dos fios de cabelo, tem a ver com o sangue, a história e o pertencimento.

Conheça as histórias de quatro jovens indígenas que, assim como Alice, estão ocupando novos espaços, dando mais voz a seu povo e defendendo suas tradições.

Moda mais inclusiva

Quebrar os padrões de beleza e levar os traços originários para a indústria da
moda em busca de mais representatividade. Esses são dois objetivos do modelo
Noah Alef, 22 anos. De origem pataxó, foi descoberto em 2020 e é representado no
Brasil pela Way Model, mesma agência de Sasha Meneghel e Carol Trentini.

Noah, que atualmente está passando uma temporada de trabalho na Europa, já participou da São Paulo Fashion Week desfilando para estilistas como João Pimenta e Isaac Silva, fez campanhas para diversas marcas e até uma rápida participação na série “Verdades Secretas” 2, da Globo. Ativo nas redes, ele tem hoje quase 300 mil seguidores no Instagram e usa essa visibilidade para mandar a real sobre os povos
indígenas e a conquistar mais oportunidades na arte e no meio social. “Quero que sejamos protagonistas das nossas próprias vozes”, decreta ele.

A luta é de todos

“Apenas uma pessoa não consegue mudar o mundo, mas com união e parcerias,
podemos levar nossa voz adiante”, diz o rapper Owerá, de 21 anos. E é isso que ele
vem fazendo. De etnia guarani, usa a música e as manifestações pacíficas para falar de arte, resistência e luta pelos direitos de seu povo.

Ele ficou conhecido aos 13 anos, quando ergueu uma faixa de protesto “Demarcação Já” na abertura da Copa do Mundo de 2014. Depois participou do documentário “Meu Sangue É Vermelho”, com a produtora britânica Needs Must Film e participação de Criolo, com quem gravou uma música depois. Suas letras falam sobre o respeito aos indígenas, a importância da demarcação de terras e a preservação da natureza. Em setembro, Owerá lançará seu terceiro álbum, com o apoio da Natura e canções que falam sobre a trajetória de seu povo desde o descobrimento.

“Uso o rap para reivindicar meus direitos e levar nossa cultura a mais pessoas, em busca de um mundo mais justo e inclusivo para as próximas gerações”

Arte como manifesto

Quando We’e’ena Tikuna, 33 anos, saiu da aldeia Umariaçu, no Amazonas, para morar com os pais em Manaus, ficou cara a cara com o preconceito e viu na arte uma maneira de mostrar – e explicar – sua cultura às pessoas. Formada em artes plásticas e nutrição, hoje ela tem uma marca de roupas e é artista plástica – suas obras já ganharam o mundo e contam a história de seu povo.

Além de receber o prêmio Quality Internacional do Mercosul como melhor artista plástica indígena pela Sociedade Brasileira de Educação e Integração, ela tem 12 obras expostas no Museu Histórico de Manaus, e foi a primeira indígena a participar como estilista da Brasil Eco Fashion Week. “Minha luta é por mais direito e representatividade. Ainda somos muito discriminados e a maioria das pessoas não conhece nossa verdadeira história. Tudo o que faço – a moda, a arte, a música – é para fortalecer a causa indígena e mostrar que somos capazes e protagonistas de nossas histórias.”

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