mulher ocupada
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Estar ‘superbusy’ já não é mais tão cool assim…

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Meu compromisso aqui é aproximar você, leitor (a) do Glamurama, de conceitos, ideias e tendências da era em que estamos inseridos. Quebrar os paradigmas instaurados na nossa sociedade que, na maioria das vezes, seguimos sem nem entender como eles surgiram. Na verdade, muitos deles, a gente nem se dá conta de que fazem parte das nossas vidas. 

Hoje, convido você a repensar sobre a ideia de que “estar busy é cool”, de que estar ocupada e com a agenda lotada de compromissos, sejam profissionais ou não, é sinônimo de produtividade e algo positivo. Esse conceito ganhou mais relevância no início dos anos 1980 com os Yuppies (Young Urban Professionals – jovens trabalhadores urbanos). Os Yuppies representavam a classe média alta de trabalhadores americanos que compravam todos os itens da moda ao custo de uma cultura de exploração no ambiente de trabalho. Alguns filmes desse período podem contextualizá-lo melhor: Working Girl (1988), Wal Street (1987), AmericanPsycho (2000), e para um figurino regado a Armani, American Gigolo (1980).

Naqueles tempos, buscar a aprovação da sociedade e enaltecer o seu sucesso através de bens materiais era a motivação e a gente “vivia para trabalhar”. Essa história soa familiar e atual? Em uma resposta clara ao ritmo acelerado em que nos submetemos nos nossos trabalhos, nasce o conceito de JOMO (JoyOfMissing Out – felicidade em estar ‘perdendo’), opondo-se ao FOMO (FearOfMissing Out – medo de estar perdendo, estar por fora de tudo que acontece). 

Foto: Unsplash

Talvez a pausa mandatória durante o recente período de lockdown nos fez perceber com mais clareza a efemeridade das nossas vidas. O fato de que os dias, semanas, meses, anos fluem numa velocidade cada vez mais feroz e que o tempo não vai voltar. E, para constar, surge mais um conceito para incorporamos ao nosso vocabulário: YOLO (YouOnly Live Once – você vive apenas uma vez).

Estar presente a tudo que acontece ao nosso redor (mundo real ou digital) não só seria puro otimismo, como altamente utópico. Esses últimos tempos nos trouxeram reflexões positivas em nossa vida pessoal, assim como na organizacional; 73% dos consumidores globais querem marcas com propósitos de bem-estar em suas estratégias, de acordo com a Ogilvy. Grandes empresas, como a Delta, anunciaram nesse ano a contratação de um tal de CHO – chiefhealthofficer, focado na saúde e bem-estar dos funcionários. Um exemplo em solo nacional, a Ambev, com forte cultura competitiva, criou uma posição de diretor de saúde mental, hoje ocupado por Ricardo Melo. Não por menos, o Brasil, antes da pandemia, já era mencionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos países com maior número de pessoas ansiosas no mundo. É de se imaginar que o número de pessoas com burnout não deva ter diminuído, mas o contrário.

E, já que (também) estamos na era digital, porque não usá-la a nosso favor? Como nem todas as organizações podem criar esses novos departamentos, aplicativos voltados para saúde emocional de seus usuários, como Zenklub, FriendsBee ou Vittude Corporate, para citar alguns recém-lançados, surgem como alternativa.

A mudança de um comportamento tão arraigado exige muita disciplina. Ainda bem que temos divas como a Brené Brown, que questionam estas crenças limitantes e nos despertam para rever nossas certezas. Com esta frase, Brené nos provoca a refletir sobre este paradigma: “Requer coragem permitir-se descansar em uma cultura onde a exaustão é vista como símbolo de coragem”. 

E você, como lida com este conceito?  Está mais para o FOMO ou já consegue fluir no JOMO? Por que, lembre-se, YOLO.

Andrea Bisker é empreendedora, pensadora do futuro, especializada em tendências e comportamento de consumo e fundadora da Spark:off, consultoria em inovação e tendências.

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