Braços Cruzados
Reprodução/Unsplash

Aprenda a divergir sem dizer o temido “discordo”

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Se a expressão “discordo” fosse um gesto, seriam dois braços cruzados em forma de “X”. Se fosse uma careta, teria uma boca torta, olhos fechados e testa engruvinhada. O “discordo” é o jeito mais insuficiente e ineficiente de contrariar uma opinião.

Já reparou quando alguém fala “discordo” em uma mesa? O ato atrai um silêncio imediato; é pausa; é medo e decepção.

Em um grupo de WhatsApp, o “discordo” é sinônimo de “desvontade” (queria que houvesse essa palavra no dicionário) para responder; é convite à guerra de palavras ou a sair da discussão para dar um rolê.

A unanimidade é burra. Discordar é possível, tolerável, desejável. Mas há que ser mais inteligente para discordar sem começar “discordando” em alto e bom som.

Aos discordantes de plantão que certamente discordam do meu detestado “discordo”, proponho começar com: “Interessante o seu ponto de vista, eu penso um pouco diferente, porque para mim…”. Repare como a frase segue no caminho diferente do inicial, mas convida você a ir junto no raciocínio. Discordar respeitando a opinião do outro é muito mais sábio pra abrir a mente alheia ao que você pensa.

Outro dia, em um grupo de mulheres extremamente escolarizadas na vida e na sala de aula, uma reagiu com o meu odiado “discordo” à fala de outra. Pronto! Uma baita discussão, um lugar que era seguro pra o debate virou um espaço temido. Pra quê?

O “discordo” fecha meu corpo, dispara um escudo na minha mente. Por outro lado, respeito muito frases como: “Nossa, entendi seu raciocínio, eu penso de outra forma, vamos ver se eu consigo explicar…”. Adoro pontos de vista diferentes quando são bem defendidos. Admiro pessoas com opinião e sei que tudo o que eu defendo, por mais empatia que eu tente colocar, vem carregado de vieses que moram em mim.

Que a gente aprenda a discordar sem dizer “discordo”, a acolher o pensamento diferente de peito aberto e a se comunicar de forma menos violenta e mais esperta.

Concorda?

*Daniela Graicar é jornalista e empreendedora, fundadora e co-CEO da agência PROS e criadora do Movimento Aladas, em apoio ao empreendedorismo feminino.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Glamurama.

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