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A modernidade líquida transborda

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A cada ano que se passa, sentimos com mais intensidade os sintomas da modernidade liquida: ansiedade, insegurança, pressa, sentimento de ser substituível e, principalmente, de tudo possuir data de validade. À medida que consumimos mais, mais descartáveis nos tornamos, pois a lógica não é aplicada apenas ao iPhone do ano, mas também a uma amizade que se tinha, e por motivos de discordância e pensamento em comum acabou ficando desatualizada, logo, ultrapassada e antiquada para vida do user.

Em um primeiro momento, o termo “liquidez” pode soar como estranho e meio desconexo com a realidade, que pensamos ser concreta e sólida. Contudo, é com a sociologia e análise do pensador contemporâneo Zygmunt Bauman (1925-2017) que o termo passa a ter uma conotação de “diagnóstico” para com a sociedade e seu comportamento moderno.

Bauman em suas obras aponta umas profundas mudanças na sociedade, que deixou de ter uma base norteadora sólida e confiável “derretendo” para uma sociedade líquida sem rumo, onde a única coisa que é possível ter certeza é da própria incerteza. Processos históricos como a Revolução Francesa, Revolução industrial, Guerras Mundiais, globalização, hipercapitalismo e a Internet acabaram por reestruturar a sociedade, fazendo com que noções que antes eram sólidas e bem definidas passassem a ser voláteis e dinâmicas. Instituições como a própria família mudaram completamente seu significado, a mobilidade social aconteceu ao passo que o capitalismo se instaurou e moldou a sociedade e seu comportamento a seu bel prazer.

“À medida que consumimos mais, mais descartáveis nos tornamos, pois a lógica não é aplicada apenas ao iPhone do ano, mas também a uma amizade que se tinha”

O que antes podemos entender como “modernidade sólida” eram tempos onde investimentos a longo prazo, horizontes previsíveis e papeis estabelecidos configuravam a sociedade. Vamos exemplificar em alguns pontos: o seu avô provavelmente já recebeu um conselho de um mais velho que ele para prestar um concurso, porque um cargo concursado era visto como estabilidade financeira e solidez de carreira.

Seus antepassados provavelmente prefeririam muito mais comprar terrenos e imóveis pela segurança e concretude do bem do que investir no mercado de criptomoedas.
Uma família era hierarquizada de maneira concreta, não havia possibilidade de inversão de papeis ou, ainda, novos papeis.

Uma roupa era feita para vestir seu dono por longos anos, com inclusive a possibilidade concreta de uma futura geração herdar essa roupa, diferente das grifes que influenciam a mudança completa do guarda roupa das pessoas apenas para acompanhar a moda da estação.

O que tudo isso significa? Tudo era mais certeiro, as coisas tinham uma sensação de durabilidade e segurança. Ao passo que os fatores já citados ocorreram, as relações entre os indivíduos mudaram, tampouco só objetos e bens se tornaram descartáveis ao passar do tempo, mas os laços humanos também. Quanto tempo alguém realmente demora para falar “Eu te amo?”. Quando o amor ainda valia mais que uma curtida no Instagram ou um match no Tinder, demorava muito tempo, hoje é preocupantemente comum uma pessoa dizer “Eu te amo” para alguém, sendo que há dois meses estava se declarando da mesma maneira para outra pessoa. Descartar um laço é fácil, pois é mais fácil ainda construir outro. O grande segredo que ninguém te conta? Todos esses laços são superficiais, por isso é fácil construir e destrui-los.

A grande questão é que a liquidez não é superável. Feliz ou infelizmente não há como superar uma noção de realidade que já inundou a sociedade e afogou os indivíduos. Entender a modernidade líquida é nos entender, é entender como o mundo está funcionando e com isso necessariamente pensarmos o quão rasos e apressados temos sido nos últimos anos. Sabe essa sensação de não saber o que fazer? De incerteza do que vai vir daqui pra frente? É justamente isso que é a modernidade líquida.

Assista o vídeo a seguir para mais!

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