Renata

Modo de Vida: J.P mostra todo o conforto da casa de Renata Schumulevich

01.05.2018  /  9:00

 

Renata Schumulevich || Créditos: Divulgação /

Design com significado, zero modismos e muito conforto: assim é o amplo apartamento da estilista Renata Schmulevich em São Paulo

Por Thayana Nunes para a Revista J.P de abril  |Fotos Silvia Zamboni

 

A obra de Paulo von Poser no hall de entrada já indica: essa visita vai ser boa. Estamos prestes a conhecer o apartamento de Renata Schmulevich, sócia-fundadora da FIT, label de roupas das mais conhecidas da moda brasileira, e parece que chegamos em uma boa hora. É no fim da tarde, durante o pôr do sol, que nossa anfitriã tem um dos melhores momentos do seu dia, que se repete há cinco anos, desde que se mudou para o 11º andar desse apartamento inspirador em Higienópolis.

Renata nos recebe com todo o charme e tranquilidade, características inatas dela e mais do que presentes em sua marca de roupas, no mercado há 31 anos. Com voz calma, ela caminha apresentando cada cômodo, que não são muitos, já que a morada foi inteira reformada pelo escritório Nitsche Arquitetos. Foi com a ajuda de Lua Nitsche, uma das sócias, que Renata decidiu quebrar paredes e dar vazão ao desejo que tinha desde que conheceu a planta do imóvel: ter mais espaço, ampliar o corredor e ligar uma vista a outra – é inevitável passar o olhar pelas duas extremidades assim que se pisa por ali. De um lado, o escritório com uma porta de vidro que dá para o deque, com espreguiçadeiras e muito verde, e, do outro, a sala com a janela que vai do teto ao chão. E é sentada por ali, muitas vezes no chão, que Renata aprecia a vista e curte diariamente o sol se pondo.

E é nesse clima relax que segue toda a nossa visita. O sofá te abraça com suas muitas almofadas, a cozinha é conjugada com a sala de jantar, os quartos não têm televisão… Até mesmo o ambiente de trabalho reflete o espírito sem amarras e modismos dos donos: Renata e o marido, Olavo, professor de desenho industrial, mantêm dois cômodos onde dão asas à imaginação, ambos com muita personalidade. Enquanto ela possui apenas uma escrivaninha, o computador e um moodboard com inspirações diárias, ele divide um ateliê com os dois filhos em uma verdadeira oficina de ideias: são ferramentas e peças de construção de barcos em miniatura – o filho mais velho estuda engenharia naval –, que só passando um tempinho ali para entender a finalidade de cada cacareco.

Falando em filhos, esbarrar com esculturas de Lego é fácil: elas estão no lavabo, na sala principal, na estante, nos quartos dos meninos. Com a influência dos pais, os dois, hoje com 20 e 17 anos, adoravam fazer montagens e o que era para desenvolver a criatividade acabou virando mania. “Temos caixas e mais caixas de Lego guardadas. Ninguém consegue se desfazer”, brinca Renata, único momento que confessa guardar alguma coisa:  “Sou zero acumuladora”. O que possui, pontua, são apenas boas lembranças e objetos práticos. Prova disso é a decoração limpa, com recordações compradas em viagens ou peças que são realmente usadas, como a antiga vitrola de Olavo e os diversos vasos, trocados de acordo com o humor e as flores do dia.  Não à toa, o design escandinavo, conhecido pelas formas limpas, está muito presente. “É uma inspiração que levo para a minha vida. A FIT tem muito desse modelo de design, com muitas formas geométricas”, continua ela, que tem Copenhague e Estocolmo como cidades que sempre visita na Europa.

Duas outras fontes de inspiração fazem parte desse universo. Primeiro a arte: amiga de diversos artistas plásticos, como Paulo Pasta e Alex Cerveny, Renata tem várias obras de artistas contemporâneos, como Guilherme Ginane, Tatiana Blass ou Marcelo Moscheta. Segundo, e não menos importante, está a ioga: Renata é adepta da ashtanga há dez anos e, com a prática, consegue dar vazão a tudo o que deseja, seja transformar tecidos em poesias ou simples objetos em histórias. “A ioga e a meditação me ajudam tanto na vida. Me dão força e forma física para eu fazer tudo o que tenho de fazer.” E é nessa união de vários sentidos que a gente presencia um lindo pôr do sol em plena selva de pedra paulistana.