Desvendamos o fascinante e visualmente inesquecível cinema teatral do diretor Wes Anderson

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A primeira coisa que nos saltam aos olhos diante de um filme de Wes Anderson, com certeza, é a vibração das cores. A habilidade de trabalhar com paletas específicas em cada uma de suas obras nos mostra que estamos diante de algo visualmente fascinante e único. Mas um outro traço tão forte quanto a exuberância do colorido que completa o universo fascinante de seus filmes é a simetria. Em parceria com Robert Yeoman, diretor de fotografia que está em todos os seus filmes, exceto nas animações, ele faz uma medição física para determinar o centro geométrico de todas as cenas, deixando tudo milimetricamente alinhado – assim como Stanley Kubrick fazia –, antes de começar a gravações. O modo como filma longas tomadas também é algo bem característico de seus filmes. Com câmeras que passeiam pelos cenários junto com os atores – que sempre se movem em linha reta, nunca em diagonal –, permitindo que os diálogos sejam desenvolvidos completamente, demonstra a intencionalidade de compor imagens teatrais. Nada é por acaso. E tudo é composição em sua obra.

Nascido em 1969, em Houston, Texas, Wes Anderson fez diversos filmes mudos na juventude até dirigir seu primeiro curta Bottle Rocket, em 1992, que foi selecionado para o Festival de Sundance, impulsionando sua estreia profissional no cinema. Seu primeiro longa, Pura Adrenalina, que estreou em 1996, foi indicado como um dos 10 melhores filmes da década de 1990 pelo diretor Martin Scorsese. A partir daí sua carreira deslanchou em grande estilo. Marcado pela separação dos pais quando tinha oito anos, Anderson explora bastante esse trauma nos filmes, mostrando que muitos dos transtornos dos personagens são originados por problemas vindos da infância e do interior de relações familiares. Esse é um aspecto bem usado em seu primeiro grande sucesso de bilheteria, Os Excêntricos Tenenbaums, lançado em 2001. Com roteiro escrito pelo diretor em parceria com Owen Wilson, seu colega de quarto na faculdade e amigo da vida toda, o filme, que traz um elenco brilhante, retrata uma família com dificuldade de demonstrar afeto e faz uma crítica sarcástica ao que chamamos de “dar certo na vida”. Nos filmes A Vida Aquática com Steve Zissou (2004), que homenageia ao oceanógrafo e documentarista Jacques-Yves Cousteau, e Viagem a Darjeeling (2007), um road movie sobre reconciliação e redenção, ele coloca em cena personagens cuja principal característica é o distanciamento emocional. É dentro de famílias disfuncionais que o diretor desenvolve suas tramas. As relações conflituosas entre os membros produzem cenas fortes, que tanto podem ser dramáticas como cômicas.

As cores tão presentes possuem uma função clara: revelam elementos psicológicos dos personagens. Assim, cada filme tem sua própria linguagem cromática, com um tom predominante e outros que o acompanham. Na animação em stop motion O Fantástico Sr. Raposo (2009), adaptação da fábula Raposas e Fazendeiros do escritor britânico Roald Dahl, tal como em Moonrise Kingdom (2012), que retrata uma universo pré-adolescente e a perda da inocência, segundo o diretor, predominam tons terrosos e amarelos. Já no seu penúltimo filme O Grande Hotel Budapeste, de 2014, que é ambientado em três diferentes décadas, cada período ganhou seu próprio esquema de cores sempre permeados por um constante rosa.

Assistir a um filme de Wes Anderson nos faz entrar em um mundo completamente diferente do nosso, com sua visão muito particular e levemente fantástica do mundo e do cinema.

(Por Ana Elisa Meyer)

Universo Wes Anderson

@accidentallywesanderson: Onde viajantes ávidos e fãs do diretor compartilham fotos de lugares do mundo inteiro que remetem à estética do cineasta. O perfil virou um livro.

@quotingwes: Frases de filmes de Wes Anderson como Os Excêntricos Tenenbaums e O Grande Hotel Budapeste.

@mrandersonshouse: Uma casa do Airbnb no Canadá com decoração inspirada nos filmes do diretor. Cada quarto da casa representa um de seus filmes, alguns mais sutis, outros mais fiéis.

@wesandersonworld: Perfil dedicado “ao mundo esquisito e fantástico” de Wes Anderson. Há imagens dos filmes e personagens, o diretor interagindo com o casting, em cerimônias do Oscar e com seus amigos, como Marc Jacobs e Sofia Coppola.

wesandersonpalettes.tumblr.com: Um guia de cores das cenas dos filmes de Anderson feito somente por diversão, assinado pelo grupo de designers britânicos Present & Correct.

Bar Luce: Café dentro da Fondazione Prada, em Milão, que foi projetado pelo cineasta e que traz a estética particular dos seus filmes.

Hotel Les Deux Gares: Inaugurado em Paris no início de 2020, a decoração traz referências da estética dos filmes do diretor americano.

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