28.11.2017  /  10:30

Milton Nascimento quer voltar a tocar com Criolo e sonha em gravar com Gal. À entrevista!

Milton Nascimento em show da turnê “Semente da Terra” || Créditos: João Couto

Milton Nascimento, um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos, tem hoje 75 anos e há 50 compôs um de seus hinos, “Travessia”, um patrimônio musical brasileiro e inesquecível na sua voz e também na de Elis Regina. E mesmo com todos esses anos de sucesso e reconhecimento, o cantor e compositor definitivamente não pensa em parar. Uma prova disso? Depois de uma parceria musical esplendorosa com Criolo em 2014, Milton subiu ao palco do Tom Brasil, em São Paulo, nesse fim de semana ao lado de Tiago Iorc, de apenas 32 anos.

O mineiro conheceu Tiago pela TV e pouco tempo depois se tornaram amigos, até que gravaram “Mais Bonito Não Há”. Abaixo, um papo especial com Milton, que falou sobre Tiago e as vantagens de ser músico da nova geração, além do desejo de um dia gravar com Gal Costa. No papo, ainda, a força das redes sociais – onde tem mais de 200 mil seguidores -, a continuidade de sua parceria com Criolo e a rotina em Juiz de Fora, para onde se mudou em 2016.

Milton Nascimento e Tiago Iorc || Créditos: Rafael Trindade

Glamurama: Como você conheceu o Tiago Iorc?
Milton Nascimento: “Meu primeiro contato com Tiago foi pela televisão. Vi várias coisas dele tanto em novelas quanto em programas. Daí eu pedi ao meu filho, Augusto, que comprasse um disco dele. De repente, ele fez umas ligações e o próprio Tiago apareceu na minha casa, aqui em Juiz de Fora. E quem intermediou isso tudo foi o Marcus Preto, um grande amigo em comum que a gente tem.”

Glamurama: Como fluiu a parceria entre vocês? Como escreveram “Mais Bonito Não Há”?
Milton Nascimento: “Todas as minhas parcerias vieram depois de uma amizade. E com Tiago foi a mesma coisa. Um dia ele chegou pra mim e disse: ‘Bituca, escreve aí qualquer coisa bonita que te vier à cabeça’. Assim surgiu a primeira frase da música ‘Mais Bonito Não Há’. Foi tão natural que quando percebi a música já estava pronta. Mas se a gente não tivesse a amizade antes de tudo nada disso teria acontecido.”

Glamurama: Além da música e da turnê, a parceria renderá mais frutos no futuro?
Milton Nascimento: “A gente fez a estreia do show nesse último fim de semana em São Paulo. Tiago e eu tocamos duas noites no Tom Brasil. E confesso que vivi uma experiência que eu não esperava. Foi pra mim uma das coisas mais emocionantes dos últimos tempos: ver aquela gente toda lotando a casa e cantando nossas músicas. E a turnê continua, seguimos agora para Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro.”

Glamurama: Você pensa em um dia reeditar a parceria bem sucedida com Criolo, que teve até uma música feita por vocês que foi gravada pela Gal Costa – “Dez Anjos” -, além de uma turnê em 2014?
Milton Nascimento: “Aquele turnê com Criolo em plena Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil foi um negócio que mexeu com a gente. Até hoje as pessoas me perguntam se não vamos fazer de novo. E eu quero muito fazer, quem sabe agora que a gente está na estrada de novo. Criolo é um amigão da minha vida, e eu gosto muito dele! A música que a Gal gravou no disco dela se chama ‘Dez Anjos’, e a gente nunca gravou juntos. Mas isso também está na lista de coisas que a gente tem a fazer pela frente.”

Glamurama: A turnê “Semente da Terra” lançada em 2017 deve seguir pelo Brasil em 2018?
Milton Nascimento: “Nem sei o que dizer dessa turnê. Juntamos um grupo só de amigos e viajamos por todo o Brasil. No princípio de tudo o combinado ia ser somente um show por mês, mas o clima foi tão bom que em julho, por exemplo, fizemos cinco. E durante todo ano de 2017 a gente fez pelo menos uns dois por mês, isso até novembro, quando encerramos o ano com um show aqui em Juiz de Fora. Mas a nossa intenção é seguir mais algumas
temporadas com esse show ‘Semente da Terra’. A intenção é levar essa homenagem aos Guarani Kaiowá para o máximo de lugares possíveis.”

Milton Nascimento em show da turnê “Semente da Terra” || Créditos: João Couto

Glamurama: Com quem você ainda quer fazer parceria musical?
Milton Nascimento: “Pra te falar a verdade, tenho vivido coisas tão bacanas que eu acho que não posso pedir mais nada. Está tudo indo bem por aqui, e espero que continue.”

Glamurama: Qual a característica mais importante que você vê em artistas e compositores da nova geração? Alguns exemplos?
Milton Nascimento: “Acho que a rapaziada veio com tudo. Hoje em dia eles aprendem a lidar com tudo, da gravação até a divulgação. O processo está inteiro na mão deles, e essa é a grande vantagem que eles trouxeram.”

Glamurama: Você completou 75 anos. Pode nos eleger o momento mais importante da sua vida profissional?
Milton Nascimento: “Sou feliz com tudo que eu vivi até hoje. Então, o negócio é o seguinte: se eu eleger um momento mais importante acima de todos, eu estarei sendo injusto com várias coisas incríveis que já me aconteceram até aqui. Posso dizer que eu vivo muito feliz de pensar em tudo que me aconteceu e, mais ainda, com tudo que vai acontecer.”

Glamurama: Você tem cerca de 200 mil seguidores no Instagram. Você gosta de redes sociais?
Milton Nascimento:“Eu acompanho bastante. É claro que não sou eu quem aperta o botão que faz o negócio lá na rede, mas eu sei de tudo, sempre. E quando se trata de alguma coisa mais especifica, fora da carreira, a gente discute junto com o pessoal que cuida de tudo, especialmente com meu filho, Augusto, e o Japa (Danilo Nuha), que organiza a comunicação.”

Glamurama: Como é a sua rotina em um dia mais tranquilo?
Milton Nascimento:“Gosto bastante de ficar em casa, ainda mais agora que tenho viajado bastante. A gente se mudou recentemente para Juiz de Fora e eu tenho gostado cada vez mais daqui. E quando estou em casa gosto mesmo é de receber os amigos, e meu filho sempre ajeita umas reuniões aqui. A gente liga a churrasqueira e o papo vai longe. Toda semana vem alguém, a casa nunca está vazia. Ainda bem!” (Por Julia Moura)