15.03.2018  /  18:00

Marina Lima quer atingir o Brasil em cheio com CD que reúne funk, tecno brega e guarânia

Capa de “Novas Famílias”, novo álbum de Marina Lima || Créditos: Divulgação

Marina Lima lança nesta sexta-feira “Novas Famílias”, álbum que coloca fim a um hiato de sete anos. O toque de modernidade que a artista coloca em tudo o que cria, desta vez transformou o pop. Aos 62 anos, ela quer se comunicar com o Brasil, por isso reúne em um único disco ritmos inéditos em sua trajetória, que vão do funk ao tecno brega, passando pelo guarânia [estilo musical de origem paraguaia].

A primeira música de divulgação do CD é o funk engajado “Só os Coxinhas”, composto em parceria com seu irmão Antonio Cícero, com quem já escreveu uma extensa lista de sucessos. No momento em que atendeu a ligação do Glamurama, Marina fez questão de dividir sua alegria em estar no Rio para acompanhar também nesta sexta-feira a cerimônia de condecoração de seu irmão como imortal pela Academia Brasileira de Letras, onde vai ocupar a cadeira 27.

Voltando ao funk, uma crítica social bem humorada que ganhou clipe gravado no Centro de São Paulo, onde Marina interage numa boa com o pessoal que trabalha e circula por lá (confira abaixo), ela fala: “Tem coxinha de qualquer partido político, em qualquer lugar. São pessoas caretas, que ficam na mesmice e que só pensam em dinheiro. Todos os funks tem um mote – as glamourosas, as cachorras -, o nosso são os coxinhas. Qualquer brasileiro vai me entender.”

A estreia da turnê do novo disco acontece em São Paulo, onde Marina mora há oito anos, nos dias 21 e 22 de abril no Sesc Pompéia. Depois, chega ao Rio em apresentação única no dia 5 de maio no Circo Voador. À entrevista.

Marina Lima em foto do álbum “Novas Famílias” || Créditos: Divulgação

Glamurama: Quais são as suas expectativas com a repercussão de “Novas Famílias”?
Marila Lima: “O disco já está bombando. Tem uma equipe que trabalha comigo em redes sociais que são muito competentes e entenderam o que a gente queria e foram pra frente. O disco, o conteúdo, tudo fez sentido… Eu to muito feliz com o resultado. As pessoas estão gostando, estão entendendo.”

Glamurama: Você espera que o CD faça pessoas mais jovem ouvirem seu som ou que rejuvenesça de certa forma seu público? Alguma expectativa nesse sentido?
Marina Lima: “Há pessoas mais jovens que têm acesso ao meu trabalho e adoram. O que eu espero é atingir um público mais abrangente porque o Brasil empobreceu, não porque ele queira. Eu quero que os menos favorecidos possam vir para perto de mim e que eu possa fazer um afago neles nesse momento que não só o Brasil, mas que o mundo está vivendo. O mundo empobreceu, há muita gente morrendo de fome, é preciso união. Eu seria muito alienada e muito egoísta se só me preocupasse com meu próprio umbigo.”

Glamurama: Como surgiu a ideia de criar pela primeira vez um funk?
Marina Lima: “Eu sou ligada à musica de forma geral, então tudo o que tem a ver com ela me interessa. Eu não vou mentir dizendo que gosto de tudo, mas adoro muita coisa. Eu curto som de qualidade e que pode vir de qualquer lugar, tanto do povo quanto de algo mais sutil. Quero criar músicas que falem desse Brasil da mesma forma e o funk é um fenômeno musical e social que me atrai. Tem também no disco tecno brega, ritmo do Belém do Pará, onde há uma cena musical muito forte e que quis trazer para me aproximar de dois músicos da minha banda que são de lá. E a música de abertura é uma homenagem aos sertanejos e a minha forma de interpretar esse estilo foi através da guarânia. Compus a canção pensando no Daniel, acho ele um grande cantor. O Brasil tem uma onda muito grande desses dois ritmos (sertanejo e funk).

Glamurama: O que você acha do funk e do pop que têm sido divulgado por nomes como Jojo Toddynho, Anitta e Pabllo Vittar? 
Marila Lima: “A não ser que seja uma pessoa muito elitista, que não queira contato com nada que te aborreça, você acompanha de alguma forma o que está rolando no Brasil e no mundo. Há vários fenômenos acontecendo como esses artistas e que temos que acompanhar independente de gostar ou não musicalmente porque são questões que envolvem as minorias.”

Glamurama: Como você cuida do seu corpo, mente e saúde?
Marila Lima: “Eu sou uma pessoa que pratica cabala. Então o dia a dia pra mim é muito importante. Através de muitos exemplos de mulheres mais velhas que eu admirava como minha mãe e Fernanda Montenegro eu entendi muito cedo o que é envelhecer. Nesse sentido também levo como exemplo a Madonna. Me cuido como uma formiguinha, sou virgem com ascendente em virgem, né? Desde os 20 anos malho e cuido da minha alimentação. Milagre não tem, o que existe é o tanto que você injeta diariamente na sua saúde, no seu bem estar, na sua alma e na sua vida.”

Glamurama: Conte mais sobre sua rotina. 
Marina Lima: “Malho três vezes por semana, bebo vinho nos fins de semana – gostava de whisky mas hoje em dia me dá muita ressaca. Durante a semana sou praticamente uma espartana.” (risos) “Ainda mais em São Paulo onde há tantos convites pra você quebrar todas as regras. E nunca perco o entusiasmo.”

Glamurama: O que podemos esperar dos shows da turnê de divulgação de “Novas Famílias”? 
Marina Lima: “Vou escolher umas cinco ou seis músicas muito representativas desse momento que estão no CD e juntá-las com vários sucessos que já estão no inconsciente coletivo do brasileiro para rodar o país levando música e alegria a todos os estados.” (Por Julia Moura)

Marina Lima em foto do álbum “Novas Famílias” || Créditos: Divulgação