28.10.2018  /  9:00

Mariana Ximenes faz sessão divã de três recentes personagens – e dela mesma! Vem ler

Mariana Ximenes em “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, “Ilha de Ferro” e “O Grande Circo Místico” || Créditos: Divulgação

Glamurama puxou um cadeira e foi bater um papo com Mariana Ximenes no restaurante Capim Santo, no Rio, sociedade entre a atriz e a chef Morena Leite. Por lá, tinha acabado de rolar um evento da Fundação Laço Rosa pelo combate ao cancer de mama. Como boa anfitriã, ela fez dancinha com George Israel e Marcella Rica, que se apresentavam, sorteou brindes, deu uma palavra de força para mulheres em tratamento e atendeu a incontáveis pedidos de selfie. No fim desse circuito, ela pediu um drink com gin, respirou e foi conversar com a gente. Em pauta, saúde física e mental. E o perfil de suas mais recentes personagens, incluindo uma psiquiatra suicida que vai disputar Cauã Reymond com Maria Casadevall na segunda temporada de “Ilha de Ferro”. À entrevista! (por Michelle Licory)

Equilíbrio, endorfina, meditação, análise

Sobre o assunto do evento beneficente que ajudou a viabilizar… “Não tenho casos de cancer de mama na família, graças a Deus. Mas sou preocupada com isso. Vou sempre à ginecologista, faço autoexame… É porque ninguém está livre, infelizmente. E li muitas reportagens falando que 90 por cento dos casos, se descobertos precocemente, têm cura. Então tem que divulgar isso. E sou muito preocupada com a saúde em geral. Sempre estimulo as pessoas que estão ao meu redor a praticar exercício, até para liberar endorfina, e a se alimentar bem… A consciência do restaurante também tem isso. A Morena busca muito uma alimentação balanceada com ingredientes frescos. E no meu dia a dia busco isso também. Comer deliberadamente, por exemplo, ter prazeres, isso é bom, uma delícia, mas aí tem que compensar no dia seguinte. É uma questão de consciência na sua rotina. Pra mim, a prática de meditação é algo transcendental, que me ajuda… Você precisa ter um equilíbrio físico, mental – fazer análise e meditação – e um espiritual também. Aliar um ponto de equilíbrio a tudo isso… E, inclusive, se você está equilibrada e tem a doença, consegue rebater de uma forma melhor”.

Mariana Ximenes || Créditos: Reprodução/ Instagram

“Assim eu poderia sentir menos e beber mais”

Sobre a série “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, produzida pela Globo, que estreou no Now… “Quero que todo mundo veja… Adalgisa é uma delícia de personagem porque é totalmente irreverente. Ela fala, por exemplo: ‘Eu queria ter um fígado no lugar do coração, assim eu poderia sentir menos e beber mais’. Ela tem essas frases emblemáticas… ‘Ah, se fosse pra lembrar eu escrevia. Por isso que esqueço’. Ela anda com uma taça de Dry Martini numa mão e um cigarro na outra. Eu não fumo, então foi superdifícil pra mim. Mas ela é tão divertida, irônica… Ela participa do mistério da trama, tem um envolvimento com o assassinato que acontece. Não posso falar porque estraga o gostoso da surpresa. Mas ela tem uma coisa escondida que se revela no final”.

Perguntamos como ela analisa esses novos produtos da Globo, lançados primeiro por streaming. “É algo novo, né? A gente precisa entender como vai ficar isso… Mas adoro série e já estou fazendo a minha segunda seguida, que é a temporada dois do ‘Ilha de Ferro’. Adoro o formato, a linguagem. E o diretor, Afonso Poyart, vem do cinema, estética que eu amo. Vejo também muito seriado. Gosto de fazer. E o público brasileiro gosta de tudo, vai se acostumar com as séries. A novela é nosso carro-chefe e quem não é noveleiro no Brasil? Gosto de passear por tudo: TV, teatro, cinema… E se puder ainda abrir para performances… Estou sempre aberta a tudo”.

“Não é algo velado. Ela vai para o embate”

Sobre “Ilha de Ferro”… “Entrar numa história que já está num fluxo… Mas também ninguém viu ainda a primeira temporada… Nem eu. Só vi o primeiro capítulo. É uma aventura, uma delícia como linguagem… Estou adorando trabalhar com o Afonso. Minha personagem é totalmente diferente. É uma psiquiatra que chega para formar um triângulo com os personagens do Cauã [Reymond] e da Maria [Casadevall]. E não é algo velado. Minha personagem vai para o embate mesmo. Ela é uma psiquiatra que não é muito controlada, não. E tem uma história de vida barra pesada, já tentou se matar… Isso tudo vai influenciar em como ela leva a vida. Se as pessoas vão torcer por ela na disputa com Cauã? Não tenho ideia. Até porque ainda não filmei muito. Teve uma primeira parte e agora uma pausa, estou fazendo um filme e depois vai embolar o filme com a série porque ‘Ilha de Ferro’ vai até março. Se vou estar também na terceira temporada não sei ainda…”

“Lindo, estupendo, lúdico”

A gente quis saber sobre “O Grande Circo Místico”, escolhido para representar o Brasil no Oscar. Finalmente o longa entra em circuito no mês que vem. “Primeiro que quem está contando essa história é o mestre Cacá Diegues. Ele já tem toda a história do cinema dentro de si e coloca isso no filme, que conta uma trama que dura cem anos. Então tem muitas passagens de tempo, de épocas. É um filme plasticamente lindo, estupendo. A gente rodou em Portugal, com uma equipe portuguesa, brasileira e francesa. Olhares muito apurados, cenário lindo, lúdico, um circo com animais, e personagens muito densos… Mulheres muito fortes. A gente nesta onda do feminismo, que veio pra ficar, e aí fazer um filme no qual mulheres são protagonistas… É importante falar disso. Faço essa trapezista que também tem uma história de vida superconturbada. Ela tem muitas tatuagens no corpo, mas não mostra. Isso é até um momento surpresa emblemático e muito forte do filme. Passei seis horas em pé fazendo essas tatuagens. Ela é bem maluca também. Foram quatro meses fazendo aula de trapézio, precisa de uma força… Não dá pra aprender em quatro meses, não… É muito difícil. Mas já dá pra ter uma noção. Admiro profundamente… São atletas”.

Mariana Ximenes || Créditos: Reprodução/ Instagram

“Bom caráter pra caramba, mas confusa”

Aproveitamos a deixa para pedir para Mariana falar também sobre esse novo longa que está rodando. “É uma comédia, ‘Loucas’. A direção é da Claudia Jouvin. Já fiz um projeto com ela [‘Um Homem Só’, com Vladimir Brichta], esse é o segundo filme da Claudia. A gente tem essa parceria porque ela é uma das minhas melhores amigas… E o filme é produzido pela Conspiração, pela Carol Jabor. Faço uma jornalista”. Boazinha? “Ela é bom caráter pra caramba, mas é confusa, estabanada. Cheia de humor e inteligente, isso é ótimo. Jornalistas têm uma cabeça criativa, pulsante. Espero retratar isso. Mas tem que ter ficção também, né? Ela está lá com seus conflitos…”

“Sabe ‘Brasil, Mostra Sua Cara’?”

Perguntamos se a atriz está esperançosa com o segundo turno das eleições, neste domingo. “Estou ansiosa. Muito. Espero que impere o amor. E a luta pela democracia. Sabe ‘Brasil, Mostra Sua Cara’? É o momento das pessoas não anularem seus votos. Votarem em quem acreditam. E acho que é importante, fundamental ter debate. É preciso dialogar com os candidatos, e entre eles, saber das propostas… A gente precisa ouvir. Essas eleições estão muito inflamadas. Falta respeito dos dois lados. Tem que haver respeito acima de tudo, e amor no coração. Amor nos dedinhos na hora de votar. Amor. Arma, não”.