23.07.2015  /  11:15

Maria Rita e Paulinho da Viola nos bastidores da Portela

Maria Rita || Créditos: Juliana Rezende
Maria Rita na passagem de som || Créditos: Juliana Rezende

Por Michelle Licory

Glamurama aceitou um convite para um evento diferente nessa quarta-feira. Fomos a Madureira, no subúrbio do Rio, acompanhar os bastidores da gravação do primeiro DVD da Velha Guarda da Portela, na quadra da escola, ciceroneados por ninguém menos que Maria Rita e Paulinho da Viola, que – nomes respeitadíssimos dentro da agremiação – participaram do registro. Nessa noite, além da comunidade, glamurettes conhecidos lotavam os camarotes. Jackie de Botton levou uma turma, Ricardo Dale outra, Leo Marçal mais uns tantos, tudo sob o comando de Renata Carvalho.

Com a palavra, Maria Rita. “Além da relevância musicalmente, os compositores da Portela são essenciais para a identidade cultural. É o samba nacional como expressão cultural máxima do que é ser brasileiro. Existe uma importancia histórica de se registrar a vida dessas pessoas da Velha Guarda da escola, que e impar. Fiquei muito feliz quando eu soube do DVD, como apaixonada pelo samba, primeiramente. Acho que a gente tem que cuidar muito dos nossos patrimônios. As lideranças brasileiras não tem essa tradição de cuidar… Da arquitetura, da história… Pode parecer besteira, mas isso forma o caráter, a expressão, a brasilidade, o que é ser brasileiro. Vi com muito bons olhos. Intimamente, comemorei. Foi Mauro Diniz que escolheu a música que vou cantar e só me disse: ‘O dia é tal, a hora é tal.’ Ele elegeu ‘Coração em Desalinho’, que eu gravei há alguns anos e venho cantando em todos os shows. Causa sempre uma catarse na plateia.”

Paulinho da Viola no camarim || Créditos: Juliana Rezende
Paulinho da Viola no camarim || Créditos: Juliana Rezende

* Maria Rita continua: “Em janeiro ,cantei na feijoada aqui na quadra e vi o que é essa musica para os portelenses. Cantar aqui com eles coladinhos vai ser uma emoção. Fico arrepiada. Vim pra cá conversando sobre outras coisas pra nem pensar muito no assunto. Acho que na hora vai ser um nó na garganta.” Perguntamos se a paixão pela agremiação veio da mãe dela, Elis Regina. “Você sabe que é um mistério? Minha mãe era sambista, mas nunca saiu em escola nenhuma. Tem uma declaração dela, falando da vontade de desfilar. Mas ela só realizou através de mim esse sonho. Eu mesma não sei se ela tinha uma escola do coração. E, desde que gravei Noca da Portela, ‘Coração em Desalinho’… A escola me recebeu de braços abertos, com um carinho diferente. Sou respeitada nas escolas onde vou, mas a Portela… Não sei se por Paulinho da Viola. Eu tenho uma coisa de observa-lo de longe e meu olho brilhar. Ele tem a elegância, educação, carinho, atenção de um gentleman à moda antiga. Não sei como isso aconteceu, mas não posso deixar de falar da importância dos compositores da Portela para a música nacional, então eu acho que também passa um pouco por aí esse meu sentimento pela Portela.”

Tia Surica e Monarco no palco || Créditos: Juliana Rezende
Tia Surica e Monarco no palco || Créditos: Juliana Rezende

* Claro que também conversamos com Paulinho. “Uma turnê da Velha Guarda seria ótimo pra todo mundo. Para os que participam do grupo e para quem vai conhecer um pouco da história através de sambas memoráveis. Até hoje, quando a gente canta esses sambas, as pessoas se levantam e começam a cantar junto. Um registro dessas músicas feito pela Velha Guarda tem outro sabor, é o ideal.” Por que demorou tanto para ser gravado um DVD? “Não sei explicar. A primeira Velha Guarda me sinto muito honrado de ter organizado e gravado o primeiro disco deles, em 1970. Nessa época, o Monarco não era Velha Guarda. Era jovem, e eu mais jovem ainda. Aí a gente fez uma turnê do LP. Eu só apresentava o show, que era para divulgar o disco, ‘Passado de Glória’. Depois a Velha Guarda ficou livre de mim, eles gravaram vários discos e a turma se mantem ate hoje.”

Maria Rita com a Velha Guarda da Portela || Créditos: Juliana Rezende
Maria Rita com a Velha Guarda da Portela || Créditos: Juliana Rezende

* Por fim, perguntamos por que ele, que tinha um camarim exclusivo, estava ali, no meio de uma galera a poucos minutos de entrar no palco. “Não sei como vim parar aqui, e a gente está combinando coisas que não tinham sido combinadas. Algumas coisas de ultima hora funcionam, outras não.” Em tempo: vem ver os bastidores da gravação aqui embaixo, na nossa galeria de fotos!