18.01.2019  /  15:22

Mangueira vai ‘desconstruir’ a história do Brasil e o carnavalesco Leandro Vieira avisa: “Esse assunto é urgente, atual”

Sob o comando de Leandro Vieira, Mangueira vem com tudo em 2019 || Créditos: Reprodução / Divulgação

‘Brasil, meu nego / Deixa eu te contar / A história que a história não conta / O avesso do mesmo lugar / Na luta é que a gente se encontra’. Essa é uma das estrofes do samba enredo da Mangueira, que vem literalmente para causar na Marquês de Sapucaí, em 2019. Com desfile marcado para o dia 4 de março (segunda-feira), a escola é sempre uma das mais aguardadas. Ainda mais com o tema “História pra ninar gente grande”, que promete mostrar uma “outra versão” da história do Brasil e escancarar uma verdade que não é mostrada nos livros escolares.

Glamurama bateu um papo com Leandro Vieira, carnavalesco da agremiação, que contou como vai montar essa narrativa um tanto difícil. “Esteticamente me debrucei no material iconográfico que é o mais conhecido da história e que foi propagado nos livros escolares. O que vamos fazer em meio a tudo isso é desqualificar a forma como  nossos “heróis” e principais personagens foram apresentados para a população”, explica.

Por conta das inúmeras passagens históricas que vão compor o desfile da ‘verde e rosa’, Leandro optou por dividi-lo em setores: indígena, africano, satírico e até uma representação para Marielle Franco, uma das homenageadas do enredo e que é, inclusive, citada no samba: “Brasil, chegou a vez / De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”. “Não teremos uma ala só da Marielle, mas as pessoas vão perceber claramente sua presença na avenida”, garante o carnavalesco.

“O enredo este ano vem para quebrar esse momento conservador do nosso país. Uma escola como a Mangueira pode se colocar ao que é popular, pois se tem algo que não representa o Carnaval é o conservadorismo”, afirma Leandro, que ainda enfatiza: “A Mangueira vai defender o protagonismo negro e a causa indígena.”

Diante de um contexto tão desafiador e polêmico, Leandro não tem medo do julgamento ou de uma possível retaliação por quebrar paradigmas e abordar temas delicados. “A gente trabalha com o que acredita, o julgamento não é comigo. Essa parte está sob o juízo de outras pessoas”, diz. E esse é o maior desafio da sua carreira? “Na verdade, um dos maiores prazeres. Estou trabalhando com um material urgente. O enredo é para este momento, o pensamento atual. Para agora!”, finaliza. Agora só nos resta esperar a Mangueira… desfilar! (por Fernanda Grilo)

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