21.12.2015  /  9:08

Maitê Proença e “uma sexualidade diferente, com propostas absurdas”

Maitê Proença || Créditos: Juliana Rezende
Maitê Proença || Créditos: Juliana Rezende

Por Michelle Licory

Maitê Proença volta às novelas, mais uma vez na faixa das onze, em “Liberdade, Liberdade”, que conta a história de uma suposta filha do inconfidente  Tiradentes, Joaquina, interpretada por Andreia Horta. “Já está em fase de produção e eu, em pesquisa. A gente tem aula de prosódia, essas coisas todas de preparação. O Brasil não tem história, escrita eu digo. Quando fiz a novela ‘Dona Beija’, era muito difícil conseguir material de consulta porque, na verdade, muito pouca coisa foi registrada. Fatos, elementos históricos… Não estou falando de imaginação. Mas isso não impede a gente de contar uma boa história baseada em boatos”.

“Uma liberdade de hábitos e uma moral distendida”

“Minha personagem em ‘Liberdade, Liberdade’ saiu fugida do Brasil porque cometeu adultério. Naquela época, era um crime muito grave. Ela está voltando para o país… É a melhor amiga da Joaquina. Elas têm uma relação profunda na qual tudo é possível, é muito livre. Isso porque elas são de certa forma marginalizadas, com mistérios, segredos. E o nosso núcleo tem três: eu, ela e o Caio Blat. Nós moramos na mesma casa em Portugal. E todos saíram fugidos do Brasil, eles têm esse elo em comum. E vão voltar com identidades meio nebulosas. São amigos, vivem juntos, voltam tendo essa união muito forte e, dentro dessa união, várias coisas são possíveis. Eles têm uma liberdade muito grande de hábitos. Não são amantes, mas têm uma sexualidade diferente. Se confessam segredos, propõem absurdos uns para os outros e têm uma moral mais distendida. Acho bem interessante! Mais não posso falar, ou fica sem graça”.

Louca, neurotizada, triste, doente

Maitê é autora de livros. Nunca pensou em escrever novela? “Não sei se quero ficar louca atrás de um computador, neurotizada e triste. Na hora em que estiver com essa disposição, talvez. Neste momento, não tenho nem capacidade de lidar com 60 personagens e escrever um capítulo por dia. Não acho que isso seja uma aspiração minha. Não basta ter palavras porque isso não te faz necessariamente feliz. Tem que ser um desejo muito claro na sua cabeça. Depois do capítulo 30, você pode ficar desesperada e querer desistir. As pessoas têm ataques do coração, ficam doentes… Então, eu já tendo visto acontecer com tantos autores, não desejo isso pra mim”.