24.03.2020  /  14:08

Luiza Helena Trajano reflete sobre os efeitos da pandemia do coronavírus: “Medidas econômicas não podem esperar”

Luiza Helena Trajano // Créditos: Bob Wolfenson / Revista PODER

Capa deste mês da revista PODER, a empresária Luiza Helena Trajano, à frente do conselho de administração do Magazine Luiza, usou as redes sociais nos últimos dias para refletir sobre os efeitos da pandemia do coronavírus na vida das pessoas e, por consequência, na economia mundial. Trajano, uma das empresárias mais relevantes do país, que fez do Magalu uma empresa à sua imagem e semelhança, mostrou-se confiante e cobrou medidas urgentes dos órgãos públicos “com planos que possibilitem a tranquilidade já durante a quarentena”

“As medidas econômicas não podem esperar, é necessário caminhar rapidamente com planos que possibilitem a tranquilidade já durante a quarentena, em todos os níveis: Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, estados e municípios, para que haja condições para que os cidadãos não sejam assombrados com o fantasma do desemprego e da insegurança financeira para sustentar suas famílias”, escreveu.

Confira abaixo, na íntegra, o texto postado por Luiza Helena Trajano:

Esta pandemia irá mudar radicalmente a nossa forma de viver. Tenho confiança de que após o término desta crise iremos aprender com tudo isso e nos tornarmos melhores.

O que pode ser feito na área da saúde está em andamento, mesmo enfrentando um inimigo desconhecido e para o qual não estávamos preparados, mas as ações seguem, e sinto que toda a sociedade está colaborando.

Após superarmos a fase de isolamento, que é necessária, sem dúvida, o que me preocupa muito é o quadro que iremos enfrentar na economia. Dependendo do tempo de quarentena, muitas empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, irão desaparecer, e muitas das grandes terão que demitir equipes, agravando ainda mais o enorme quadro de desemprego que tínhamos pré-crise. Estudiosos estão falando em dezenas de milhões.

Estávamos em um momento de expectativa de recuperação gradual da economia, mas um impacto deste tamanho irá trazer consequências graves que deverão levar muitos anos para serem recuperadas, e com grandes consequências sociais para o Brasil.

O que nós podemos fazer para minimizar esse quadro, neste momento, é algo que não está acontecendo ainda, mas que a sociedade tem que cobrar. É a hora da verdadeira união de forças contra um inimigo comum que está assolando o mundo e do próximo que virá, o risco da miséria. Não é hora de vaidades ou discussões sobre competências, a população já estava cansada disso, e agora não admitirá divisões com objetivos eleitoreiros ou de aumento de poder.         

É necessário focar todos os esforços na saúde pública e na recuperação da economia. Quem não participar ativamente, com todos os esforços possíveis da solução destes problemas, pagará um preço histórico.

As medidas econômicas não podem esperar, é necessário caminhar rapidamente com planos que possibilitem a tranquilidade já durante a quarentena, em todos os níveis: Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, estados e municípios, para que haja condições para que os cidadãos não sejam assombrados com o fantasma do desemprego e da insegurança financeira para sustentar suas famílias.

O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), entidade do varejo da qual sou conselheira, tem uma série de propostas e está pronta, assim como outras entidades empresariais e da sociedade civil, para ajudar a atravessarmos, juntos e unidos, cada um fazendo sua parte e concessões, este período terrível que já se anuncia.

O Estado brasileiro estava encaminhando uma série de reformas necessárias, como a tributária, a administrativa e a política. Agora, elas serão ainda mais urgentes, além da injeção de muito dinheiro na economia, como já está anunciando os EUA, incentivos para empresas evitarem demissões e também programas de incentivos para os mais necessitados da população.

Temos um longo trabalho pela frente, e nunca na história precisamos tanto dos governantes, que devem pensar e agir em conjunto com o único objetivo de vencermos a crise da saúde e a grave crise econômica que se anuncia.