03.10.2018  /  18:45

Luiza Brunet: “Não sou o tipo que fica enlouquecida para ter um homem na cama”

Luiza Brunet || Créditos: Reprodução/ Instagram

Em tempos de cobranças para que pessoas públicas se posicionem politicamente e que se engajem contra machismo, por exemplo, Luiza Brunet diz: “Não me sinto pressionada de jeito nenhum em relação à política. Já faço minha contribuição como cidadã em causas sociais. Votar é uma coisa muito particular, então não faço parte de nenhum movimento. Não me posiciono e é um direito meu. Causas sociais, sim, acho que é uma obrigação minha, como mulher e cidadã. Levar informação, ter um alcance maior. Muitas coisas posso fazer através da minha voz. É por isso que estou superenvolvida na causa contra violência doméstica. Tenho participado de conversas, de encontros para falar o que aconteceu comigo e o que podemos fazer para evitar relacionamentos abusivos”.

Perguntamos se ela se considera blindada, se é impossível que ela volte a sofrer violência doméstica. “Toda mulher está sujeita a passar por isso, mesmo já tendo experiência. A gente tem que ficar mais atenta. E fica mesmo, depois que supera. Cada dia são mais casos tão horríveis que é difícil entender como chegam a esse ponto. Qualquer tipo de sofrimento serve para você aprender a se blindar. Isso é muito importante. Tudo que eu passei acho que tinha que passar. Aprendi muito. A vida é isso: feita de altos e baixos, de dores e sabores. Não é só um mar de rosas. A gente tem que aprender a enfrentar os problemas, pedir desculpa quando tiver que pedir. Autoestima é fundamental. A mulher que se ama, que se curte, é mais corajosa para tomar uma atitude”.

Em algum momento faltou autoestima para Luiza, um ícone de beleza por décadas? “Mas eu tomei atitude. Tudo bem que demorei um pouquinho. Mas tomei a atitude que tinha que tomar mesmo. Não fiquei preocupada com o que iam falar de mim, com as redes sociais, com a pessoa ser extremamente rica [o empresário Lirio Parisotto]. Nada disso me incomodou”.

E mais: “Sofri muito com hater nas redes sociais. Apesar de eu ser uma pessoa pública e contar a minha história, tem gente que interpreta da maneira que quer e acaba não entendendo a mensagem corretamente, viraliza coisas completamente opostas ao que você acredita. Mas já aprendi a lidar. Não me afeta mais. Continuo meu trabalho de enfrentamento da violência. Vou seguindo a minha vida. Não me preocupo mais se falam mal de mim ou deturpam a informação. Eu procuro informar. E bloqueio mesmo quem fala mal de mim. É o melhor que a gente faz”.

Luiza já pediu desculpas a uma seguidora. Depois de se sentir ofendida, ela revidou. “Vadia, vai se informar. Você viveu comigo e com o espancador? Não lembro de você. Você era a faxineira metida, hein?”. “Foi um momento em que eu estava extremamente fragilizada e acabei respondendo de uma maneira que ela se sentiu prejudicada. Mas não cometi crime nem fui racista. Foi uma coisa desagradável, mas da mesma forma que a pessoa se sente no direito de entrar na sua rede social e comentar uma coisa você também tem direito de responder”.

Luiza Brunet || Créditos: Reprodução/ Instagram

Perguntamos para Luiza sua opinião sobre o caso da modelo Jessica Aronis e da advogada Tatiane Spitzner, morta no Paraná. “É o clássico relacionamento abusivo: até o lado ruim do relacionamento a pessoa sente necessidade de ter. Se as pessoas entendessem que a mulher não apanha três, quatro, cinco vezes porque quer… Não é assim que funciona. Elas não conseguem entender que está errado. E acham que mesmo o ruim é bom pra elas. É uma coisa muito louca de explicar. O sofrimento é tão maior de achar que ele vai partir, largar ela, que ela prefere apanhar. Dói menos isso do que saber que ele vai embora. A mulher tem medo de recomeçar um relacionamento… Mas quando você consegue ultrapassar essa linha tênue, fica muito melhor. Você se recupera. Melhora de dentro pra fora. E ajudar outras pessoas faz com que você se cure também. Enfim… Mulher nasceu pra sofrer… Eu acho”.

Já está pronta para um novo amor, Luiza? “Minha vida está ótima. Relacionamento não é uma coisa que a gente fique procurando por aí. As coisas acontecem. Não sou o tipo de mulher que fica enlouquecida para ter um homem na cama. Sou muito tranquila, sempre fui. Sempre tive relacionamentos longos, casei… Essa sou eu. Se aparecer alguém que eu ache interessante, com quem eu possa dividir minha vida novamente, claro que vou. Mas não estou levantando nenhuma pedra para ver o que tem embaixo, não”. (por Michelle Licory)