01.12.2017  /  13:26

Luiza Brunet, a eterna top made in Brazil, hoje luta pela proteção e empoderamento das mulheres

Luiza Brunet || Créditos: Reprodução instagram

Quem encontra Luiza Brunet percebe logo de cara que a tempestade finalmente passou. Por tempestade, entenda as agressões físicas sofridas pelo ex namorado, o empresário Lírio Parisotto, e a intensa briga judicial contra ele iniciada após a separação. Luiza lutou, se empoderou e hoje é referência para mulheres de todo o Brasil. Para quem achou que ela seria a eterna top model que brilhou nos anos 1980, ainda não viu nada.

Atualmente Luiza está envolvida na luta pela proteção das mulheres. “Passei a fazer um trabalho mais profundo em relação a isso. Está sendo maravilhoso ter a oportunidade de falar sobre esse assunto tão difícil”, contou ela, que tem rodado o Brasil promovendo diálogos com mulheres que são vítimas de agressões. “É um trabalho de formiguinha mas estamos conseguindo o que a gente quer, que as vítimas denunciem.” A principal parceira de Luiza nesta causa é a Avon, marca da qual a modelo é embaixadora há oito anos.

Abaixo, nossa entrevista com a musa:

Luiza Brunet no desfile Senai Brasil Fashion

Glamurama: Quando tempo você levou pra superar o caso?
Luiza Brunet: “Levei em torno de um ano e meio. É preciso ter paciência, demora um pouco. O primeiro momento é terrível. É preciso enfrentar muitas coisas quando você faz uma denúncia. Um julgamento muito forte que deixa o coração totalmente destroçado, fiquei muito vergonhada. São vários sentimentos que faz você se sentir um lixo, mas a partir do momento que essa angústia passa, você começa a tomar atitudes que contribuem para sua melhora.”

Glamurama: Falar abertamente sobre o caso a ajudou a superá-lo?
Luiza Brunet: “Super. Quando você começa a falar do problema abertamente isso dá uma força enorme. Você acaba superando esse problema e passando sua experiência para outras mulheres também.”

Glamurama: Você se sente melhor hoje do que antes de tudo acontecer?
Luiza Brunet: “Muito melhor hoje, com certeza. Me sinto uma mulher mais corajosa, segura.”

Glamurama: Como você vê a situação atual do Rio?
Luiza Brunet: “É vergonhoso o que tá acontecendo no Rio de Janeiro, aliás no Brasil. Mas também não é isolado, o mundo tá meio complicado. É uma pena que o Rio, uma cidade que vive basicamente do turismo, esteja passando por esse momento da política, da falta de segurança, que faz com que os turistas deixem de vir para cá. Eu amo o Rio de Janeiro, moro aqui há quase 50 anos, é minha cidade do coração, mas de fato está em um momento bem difícil.”

Glamurama: Você passou a sair menos de casa por causa da situação da cidade?
Luiza Brunet: “Não sou uma pessoa que sai muito de casa. Onde eu moro – tenho o privilégio de morar em Ipanema -, faço tudo a pé. Desde academia, supermercado, hortifruti, cinema, galeria de arte… tudo é muito próximo. Além disso sou uma pessoa diurna e saio muito pouco à noite.”

Glamurama: O que te atrai no universo da moda atualmente? 
Luiza Brunet: “A criatividade dos novos estilistas. Sou uma mulher mais conservadora, mais clássica…Gosto de vestidos e calças de alfaiataria, saias lápis, ou seja, uma roupa básica. Não saio correndo atrás do que a moda ditou e todo mundo tem que ter, como a bolsa tal, a sandália, a cor… Eu uso o que gosto, o que fica bem em mim. Tenho roupas antigas que uso sempre. Me considero uma pessoa discreta, não sou de ousar muito.”

Glamurama: Gostaria de estar despontando como modelo hoje ou prefere a sua geração?
Luiza Brunet: “Acho que na minha geração de modelo consegui uma coisa extraordinária que é, sem mídia social, ser conhecida no Brasil inteiro. Passar por uma marca – a Dijon – por dois anos e meio e ser conhecida por meio dela, viajar pra fora do país e ter o título de top model no Brasil, que foi incrível.Tinha a Brooke Shields na Calvin Klein e eu no Brasil. Então acho que fui percursora de uma geração que conseguia estar na capa da Manchete, Nova, Vogue, Playboy, Veja… Hoje prefiro ficar assistindo a Yasmin [Brunet] e a moda como está: confusa. Eu sinceramente não conseguiria apontar uma grande modelo, tirando a Gisele, que já não tá mais na ativa mas foi um fenômeno. Não vejo nenhuma mulher com uma personalidade única, como eram as modelos dos anos 1980.”

Glamurama: Como será seu Carnaval de 2018? 
Luiza Brunet: “Eu amo carnaval. Fui convidada para desfilar novamente na Imperatriz Leopoldinense, da qual fui madrinha durante muitos anos, e provavelmente aceitarei. Ano passado saí representando uma índia guerreira e esse ano serei a Imperatriz, de coroa e tudo!”

Glamurama: Conta pra gente como você cuida da sua beleza e corpo?
Luiza Brunet: “Cuidar da beleza pra mim nunca foi obrigação. Gosto de me sentir bonita e feminina. Sou super vaidosa e, desde muito cedo, com 16 anos de idade, quando comecei a trabalhar como modelo, adquiri o hábito de cuidar do corpo. Claro que na idade madura existem dificuldades, como menopausa, seu corpo muda e é preciso fazer mais exercícios… Ao mesmo tempo você não consegue ser tão disciplinada porque tem outras obrigações. Me sinto muito bem pra idade que tenho, que é uma frase horrorosa de se usar hoje em dia (rs). Gosto de me olhar no espelho e ainda gostar do que vejo. Aliás, espero gostar até o fim dos meus dias.”

Glamurama: Como é sua rotina de alimentação e exercícios físicos?
Luiza Brunet: “Não sou radical, não sigo nenhuma alimentação especifica como Yasmin, que é vegetariana, mas procuro comer saudável.  Tirei algumas coisas do meu cardápio, como leite e derivados, porque descobri que tenho alergia a lactose, e de carne só como frango. Saio muito pouco pra comer fora e quando saio pra jantar não vou com fome pra não cair na tentação de devorar o couvert inteiro. Me considero uma pessoa disciplinada, consigo manter o peso, nunca tive problemas com isso. Não sou adepta dessas injeções pra transformar o corpo ou o rosto, acreditando que isso pode mudar sua vida e você vai virar uma Barbie. Faço caminhadas, ginastica com personal – trabalhando os grupos musculares que preciso – e no ano que vem quero começar a fazer aquele aulão bem anos 1980, com musculação e aeróbico, e um professor bem animado liderando a turma.” (Por Julia Moura)