05.06.2018  /  11:00

Leticia Colin rouba a cena em “Segundo Sol”: “Rosa está numa cilada ótima, podendo escolher”

Leticia Colin || Créditos: Leo Marinho

Letícia Colin é Rosa, a garota porreta que está roubando a cena na casa de prostituição comandada por Laureta, personagem de Adriana Esteves em “Segundo Sol”. Ela é o crush do também garoto de programa Ícaro [Chay Suede] e em breve será disputada por Valentim [Danilo Mesquita].

Dá para amar duas pessoas ao mesmo tempo? “É difícil, mas às vezes a vida é assim, uma sinuca de bico. Tem coisas no Ícaro que a deixa muito encantada, apaixonada. E o Valentim é doce e gentil, isso é muito comovente. Mas ela está numa cilada ótima, podendo escolher”, brincou a atriz.

“Senti ela borbulhando”

Depois do sucesso como a princesa Leopoldina da novela “Novo Mundo”, Leticia vai precisar mostrar muito sex appeal nesse papel. “Tudo bem porque o carão e o sex appeal a gente trabalha todo dia, na vida. Realmente a Rosa tem essa pegada de sensualidade, é sangue quente, animada. Mas isso é coisa da Bahia [onde a trama se passa], que emana um afrodisíaco que vem da comida, da música. Tem um exotismo no ar. Quando li a Rosa na sinopse, senti ela borbulhando. É uma mulher que passa e as pessoas notam”.

“Uma sensualidade nata que acho que é africana”

E mais: “Ela tem uma relação com o corpo tranquila, livre, uma afirmação da sexualidade com naturalidade. Isso é liberdade. Poder andar como o baiano anda é liberdade, cara! Essa ginga, uma sensualidade nata que acho que é africana. Essa coisa do mar, da maresia, do cheiro, do tempero. Eu humildemente pensei nisso. E são qualidades que eu não tinha trabalhado ainda”.

“Tem tanto abuso e estupro por causa da nossa inabilidade de lidar com o corpo”

Trazendo para a vida real… “Acho muito lindo porque a gente precisa lidar com a sexualidade de um jeito mais saudável. Tem tanto abuso e estupro por causa disso, por causa da nossa inabilidade de lidar com o corpo. Isso é um problema. Estamos aqui há milênios e não sabemos lidar. É um querendo dar pitaco no que acha do outro, chamando a fulana de não sei o que, sabe? Um juízo de valor, um medo de andar de um jeito ou de outro. Acho que a Bahia está muito evoluída nesse quesito… Lá existe uma afirmação do que se é, do que se vive, da cor que se tem… É um lugar forte, sobrevivente, origem do nosso país. São muitos signos interessantes e a Globo não é boba de fazer uma novela que se passa lá”.

“Homem e mulher são diferentes. É ruim tentar enquadrar da mesma maneira”

Perguntamos se Leticia se considera feminista. “Sou, mas tenho aprendido que ser feminista pode significar coisas diferentes. Tem feministas que defendem que prostituição é um lugar de vitimização da mulher submetida ao machismo, outras acham que tem que legalizar, profissionalizar, ‘meu corpo, minhas regras’, um trabalho como outro qualquer. Eu? Não sei. Tenho pontos em comum com ambos os lados. Mas acho que homem e mulher são diferentes. É ruim tentar enquadrar da mesma maneira. Óbvio que a gente quer o respeito, a dignidade, o salário… Essas coisas, sim. Mas a diferença é diferente. E por causa da Rosa, de como ela se posiciona, acho que ela veio pra me ensinar a pensar melhor sobre isso”. (por Michelle Licory)