01.06.2018  /  9:36

Julio Andrade: tolerância zero com preconceito, sem apegos, ex-cantor de bar… Vem saber!

Julio Andrade || Créditos: Reprodução

Julio Andrade aparece numa vibe Zeca Baleiro em “Paraíso Perdido”, filme de Monique Gardenberg que entra em circuito nesta sexta-feira, com Erasmo Carlos no papel de um patriarca de uma excêntrica família que abre mão de sua carreira acadêmica para realizar o sonho dos filhos e abrir uma boate de música brega na qual todos se apresentam.

“É que o Zeca foi o produtor musical do filme, fez a trilha… Acho que foi um pouco de influência, de estar ali com ele. Só de estar do lado dele já veio uma voz de Zeca Baleiro… Não foi pensado…” Julinho está ótimo no longa, soltando a voz. E tem uma explicação para estar tão confortável no palco… “Eu tenho um tio, Marcelo Andrade, que é músico, tinha banda e me inspirou a ter banda também. Aprendi a tocar violão, toquei MPB em barzinho, ganhava couvert artístico. Tocava Zeca Baleiro! E Djavan, Erasmo…”

Isso foi antes mesmo de virar ator… “Aí fui convidado para fazer uma peça, fui mordido pelo bichinho de teatro, mas a música sempre andou junto comigo. Todos os meus personagens eu construo em cima de música, de trilhas… E nesse filme a música estava dentro do personagem…”

Hoje Julio é um ator respeitado. Não ficou com vontade de se consagrar também como músico? “Fiquei com essa vontade de me consagrar na música, sim, mas você tem que estar atento ao que a vida lhe dá, saca? Que nem… Bem, eu vim do teatro, mas desde que saí da minha cidade [Porto Alegre], há 14 anos, não faço teatro. Caí aqui, fui pego pelo cinema, pela televisão, agora pelas séries… Então estou num momento série, aprendendo essa linguagem e brincando um pouco com isso. Daqui a pouco vou pra outro lugar… Pro sítio plantar. Não tenho um sítio, mas quero ter, vou ter. Não vivo sem terra…”

Sobre o personagem do longa, conta um pouco? “Faz tanto tempo que filmamos… O que tenho do Angelo [papel dele] são flashes de afeto, de amor, de música… De um cara que divide a vida com a música, que é na vida uma pessoa triste, mas no palco é um artista. Uma pessoa que ama a família, que preserva os valores familiares de amor um pelo outro, de amor ao próximo”.

Julio Andrade largaria a carreira para fazer a família feliz, como o personagem do Erasmo? “Não tenho muito esse apego com as coisas. Largaria qualquer coisa pra fazer quem eu amo feliz. Uma vez meu pai me falou que deixou de estudar pra me criar. Eu falei pra ele que não pedi pra estar aqui. A gente só não pode se arrepender das coisas que faz…”

A história toca no tema preconceito. Na vida real, Julinho… “Não tolero nenhum tipo de preconceito na minha frente. Essas pessoas sofrem há muito tempo. De uns anos pra cá, tem acontecido comigo esse fenômeno: se percebo preconceito, eu já falo na hora. Não é por radicalismo nem nada disso, é porque chega, já deu. ‘Ah, não pode nem brincar?’Não, não pode brincar, gente. A gente já brincou tanto tempo com isso. Não pode mais brincar. Vai brincar com outras coisas, cara. Toda hora tenho lidado com isso. No grupo de WhatsApp, com motorista do Uber… Fala uma coisa que eu não gosto, já digo que ele deveria pensar de outra forma. Procure saber, não fale o que não sabe… É isso”.

E mais: “Em algumas situações, sei que as pessoas prestam mais atenção em mim por ser famoso, então me aproveito disso. Já que sou um artista e as pessoas estão atentas, por que não falar sobre preconceito, né? Ficam aí escondendo tanta coisa”.

Mudando de assunto, o ator está se dedicando à segunda temporada da série da Globo “Sob Pressão”. “Meu ciático está… Hoje fui espirrar de manhã e travei… Estou travado. ‘Sob Pressão’ não tem cena fácil. É um hospital, você chora muito, corre muito, lida com sangue… Mas é um personagem importante, um projeto importante. Tento dar mais importância pra tempo com minha família que trabalho, mas me sinto orgulhoso de deixa-los pra fazer essa série, que aborda os problemas do Brasil”.

Só que… “Meu corpo reflete. Estou magro, fraco. Mas eu não consigo me policiar, me cuidar. Meu corpo vai indo naturalmente porque o personagem está magro e fraco. Não é de propósito, não faço esforço: é uma mágica que acontece”. (por Michelle Licory)