06.12.2016  /  23:23

Juliana Paes fala sobre incesto e possível predileção por um dos filhos

Juliana Paes || Juliana Rezende
Juliana Paes || Créditos: Juliana Rezende

Juliana Paes é uma das estrelas de “Dois Irmãos”, obra de Milton Hatoum dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Na minissérie, que já está pronta e aguardava na “gaveta” da Globo há mais de um ano, ela interpreta – em uma das fases da trama – Zana, uma matriarca libanesa que tem predileção por um dos filhos gêmeos, papel defendido por Cauã Reymond na fase seguinte.

Perguntamos se, na opinião de Juliana, mãe de dois meninos da vida real, é possível preferir um a outro. “Preferência é algo amplo. Acredito que o amor por um filho é incondicional, mas a afinidade é outra história. A gente pode ter, sim, uma afinidade maior com um filho do que com outro. E aí você talvez não se dedique igualmente para um e outro. Você pode ter um alvo preferido para essa dedicação. Meus filhos são completamente diferentes: um é lagoa, outro mar, um é manso, o outro eu só ganho no grito, na briga, castigo”.

Na história, fica pairando uma possibilidade de incesto entre Zana e o gêmeo preferido. “Eu ficava pensando por que essa mulher fez essa escolha… Ela tinha uma paixão, uma coisa de pele e cheiro com um dos filhos. Fica subentendido. Cheguei à conclusão de que eu, como atriz, não preciso saber explicar as sensações da personagem. O texto diz que Zana não sabia ou não queria explicar aquilo. Se nem o autor soube verbalizar essa questão do incesto… Existe um olhar mais intenso, mas não uma sexualidade explícita entre os dois. Fica no ar. Entre os irmãos também existe uma sensualidade, mas não se mostra um coito, um momento real. É tudo insinuado. Deixamos para o espectador o deleite de imaginar uma coisa ou outra”.

Sobre a violência de algumas cenas, ela nos disse: “Eu saía roxa das gravações. A gente tem que ser muito corporal para entregar a emoção que o Luiz quer. Era uma catarse coletiva libertadora”. A minissérie é bastante polêmica, e não poderá sofrer pressão da opinião pública, já que é uma obra fechada. “Acho bom porque assim a gente não abre concessão e pode ser fiel ao que foi preparado artisticamente”. (por Michelle Licory)