18.06.2021  /  12:11

Julia Konrad prova que beleza, talento e engajamento caminham juntos: “É uma responsabilidade ética me posicionar”

Julia Konrad pelas lentes e beleza de Fernando Torquatto || Créditos: Fernando Torquatto / Revista J.P

Julia atua, canta e dança. No momento, é a versão atriz que tem levado seu talento para longe. Ela acaba de estrear a série Dom, da Amazon Prime Video, e recentemente fez sucesso em Cidade Invisível, da Netflix, que vai ganhar segunda temporada. No papel de uma ativista ambiental nesta última, Julia recebeu elogios de todo canto, inclusive de fãs de Buenos Aires e de Nova York, por onde deixou rastros. De família gaúcha, ela nasceu no Recife há 30 anos, onde o avô materno decidiu empreender: visionário, abriu uma churrascaria na capital pernambucana e construiu um império na área. Aos 11, ela se mudou com os pais para Buenos Aires e ficou na cidade por uma década. “Me sinto bem argentina porque cresci e me conheci como pessoa lá. Foi lá também que comecei a fazer teatro musical no colégio, que era superforte, e ganhei uma bolsa para estudar em Nova York”, conta. Julia frequentou The American Musical and Dramatic Academy, onde teve como colegas de classe Madeline Brewer, de Handmaid’s Tale, e Jeremy Pope, da série Hollywood – e são amigos até hoje.

De volta ao Brasil, em 2013, fez sua estreia na novela Geração Brasil, da Globo, e não parou mais de atuar. Recentemente, ela também soltou a voz no clipe de “Vuelve”, versão em espanhol da música “Volta”, de Johnny Hooker, e no single “Colores”, que compôs em parceria com o músico pernambucano Barro.

Julia Konrad pelas lentes e beleza de Fernando Torquatto || Créditos: Fernando Torquatto / Revista J.P

O engajamento em causas relevantes é outra forma de expressão de Julia. Há um ano, ela escreveu uma carta aberta contando sobre um relacionamento anterior, no qual havia sido vítima de estupro conjugal. “Foi um passo muito importante na minha cura pessoal, mas também na cura coletiva porque é aquela coisa do efeito dominó: você fala e outra mulher tem coragem de falar da situação dela, que inspira outra, e a gente vê mudanças acontecendo”, revela. “Foi muito especial receber o retorno de mulheres que tinham passado por situações parecidas ou que puderam identificar uma situação a partir do meu relato. Escrevi a carta que eu gostaria de ter lido enquanto estava vivendo aquele relacionamento.” Ela também se coloca politicamente nas redes. “Como uma pessoa que tem uma plataforma e certa visibilidade, é uma responsabilidade ética me posicionar e trazer o debate, compartilhar notícia”, conta.

A troca com os seguidores e uma nova forma de viver serviram de boia de salvação em tempos de pandemia. Por causa dos trabalhos parados no início do isolamento, ela e o namorado, Pedro Marques, dono de bar, decidiram dar um passo atrás e foram morar na casa dos pais dele, em um condomínio em São Paulo. “A sensação de estar em família, de preparar almoço junto, de jogar baralho, deu um suporte emocional e é um grande privilégio”, diz ela, que mira no futuro. O próximo passo? A carreira internacional. (Por Luciana Franca para revista J.P)