22.10.2020  /  10:31

Jaqueline Conceição, criadora de instituto de pesquisa de raça e gênero, dá aula sobre antirracismo. Play!

Joyce Pascowitch e Jaqueline Conceição / Crédito: Instagram

O racismo, infelizmente, faz parte da estrutura da sociedade brasileira, e essa configuração social, em que os brancos impuseram privilégios ao longo dos anos diante de pessoas negras, está marcada na história do nosso país desde a chegada de cerca de 5 milhões de africanos traficados pelos portugueses entre os séculos 16 e 19. Desde então, o povo negro foi intencionalmente excluído da sociedade dominada por brancos. E, ao contrário do que se imagina, a abolição da escravidão só trouxe a liberdade jurídica. Os ex-escravos e seus descendentes permaneceram inferiorizados até hoje.

Para explicar um pouco mais sobre o assunto e, principalmente, falar sobre o movimento antirracista, Joyce Pascowitch conversou com Jaqueline Conceição, antropóloga e psicanalista, que tem se dedicado a pesquisar a relação entre racismo e as experiências das pessoas na sociedade. “A maior parte dos meus pacientes é de pessoas negras, homens e mulheres, e eu venho lendo, pesquisando e publicando artigos nesse campo”, conta a criadora do Coletivo Di Jejê, instituto de pesquisa sobre raça e gênero.

Jaqueline aproveitou o momento para dar uma aula sobre como ser antirracista. “Esse é um processo de formação permanente porque é preciso ter a sensibilidade para perceber o que de fato é racismo. Nós temos a noção de que chamar a pessoa de macaco, preto, ou outras expressões desse caráter é racista. Mas no Brasil, que é uma sociedade baseada na divisão de raças, e que ainda tem a memória dos brancos que dominaram a vida dos negros, isso ainda influencia na maneira como vivemos. Então, o primeiro passo para ser antirracista, é entender que certamente a formação que ela teve ao longo da vida foi racista. Por isso é tão importante falar sobre o racismo”, começa.

No dia a dia, a antropóloga revela que é necessário prestar atenção na maneira como falamos, já que o racismo aparece, muitas vezes, de maneira velada. “É preciso ficar atento na nossa linguagem, nas coisas que falamos porque traduz o que o inconsciente produz da nossa percepção de mundo. Um exemplo é a fala da presidente do Nubank no programa “Roda Viva”, em que ela comentou a dificuldade da empresa em contratar negros para os altos cargos, por causa da baixa qualificação. Ela disse isso em rede nacional. Tenho certeza que ela não refletiu de fato, mas é isso que se pensa do indivíduo negro no Brasil, e isso tem a ver com a construção do imaginário social do que é ser negro”, explica.

A seguir, confira a live completa!