Iza na capa da revista J.P || Créditos: Pedro Dimitrow

IZA surge maravilhosa na capa e recheio da J.P de dezembro: “Sempre sonhei muito alto, é de graça, né?”

13.12.2019  /  11:26

Iza na capa da revista J.P || Créditos: Pedro Dimitrow

A maré da boa sorte há tempos acompanha a cantora IZA. Da carreira que se iniciou no YouTube ao sucesso estrondoso de “Pesadão” – são quase 270 milhões de visualizações! –, em 2019 ela teve de rebolar para se dividir entre a turnê Dona de Mim, a apresentação do Música Boa ao Vivo, do Multishow, do SóTocaTop e do júri do The Voice Brasil. Achou pouco? Ainda teve parceria internacional com Ciara e Major Lazer

Por Aline Vessoni  / Fotos: Pedro Dimitrow  / Styling: Bianca Jahara  / Beleza: Mary Saavedra (moodglam)

Quando era criança, Isabela adorava fazer apresentações para a família. Colocava todo mundo sentado na garagem de sua casa em Olaria, no Rio de Janeiro, e ela mesma ficava encarregada da produção: customizava as roupas da mãe, organizava elementos cenográficos no palco e dava o play. “Sempre gostei de me divertir com a música, fazia dublagem, inventava musicais”, lembra. “Uma vez, acho que estava meio triste e fiz uma performance com “Devolva-Me” [Adriana Calcanhotto]. Entrei na garagem com uma caixa de papelão cheia de papel, e ia cantando e rasgando os papéis. Todo mundo ria muito! E ainda fiz minha família pagar pela apresentação”, diverte-se.

Bom, a fruta não cai muito longe do pé. IZA tem para quem puxar: é filha de Isabel, professora de música e artes, e de Djalma, militar que nas horas vagas se dedicava à percussão de um grupo de samba. O restante da família, católica, cantava no coral da igreja e levou a cantora para soltar seus primeiros agudos diante de uma plateia.

Corta para 2015. Depois de terminar a faculdade de publicidade e propaganda e ter encarado, pelo menos cinco empregos desmotivadores, IZA lança para a mãe: “Vou fazer o que sempre quis: cantar”. Isabel, orgulhosa, devolveu, sem titubear: “Até que enfim!”. Pronto, esse foi o pontapé inicial para IZA começar a divulgar seu trabalho no YouTube, onde postava – nada despretensiosamente – suas interpretações de músicas de cantores famosos. Como tudo hoje começa na internet, não demorou para ser encontrada por uma gravadora, dando início à carreira meteórica. “O The Voice aumentou muito minha exposição também: são 35 milhões de espectadores por noite. Mudou completamente a minha privacidade, o meu ir e vir. Eu, que gostava de ir ao mercado, praia, andar de bicicleta… Nunca mais. Acho que agora seria meio caótico ir ao Saara pechinchar coisas para minha casa”, fala.

Iza na capa da revista J.P || Créditos: Pedro Dimitrow

São pouco mais de três anos de estrada, números astronômicos de pages views e seguidores nas redes sociais, além de inúmeras parcerias musicais com grandes nomes da música brasileira. Caetano, Djavan e Milton Nascimento são apenas alguns. “Quando conheci Jorge Aragão ele sabia meu nome! Essas coisas me deixam muito mexida”, conta. Apesar de extensa e pomposa, a lista de músicos com quem ainda sonha dividir o palco não se esgotou. Tem Lenine e Gal, por exemplo. O céu é o limite. E IZA não quer apenas cantar: mas produzir, dirigir e atuar em produções audiovisuais. Ter um programa. Uma linha de produtos, talvez. “Sempre sonhei muito alto, porque sonhar é de graça, né? Também acredito muito na energia que você propaga, de colher aquilo que planta. Meus pais sempre me ensinaram que podia fazer o que quisesse e que meu lugar era onde quisesse estar. É muito legal ser estimulado por quem te ama”, revela a cantora, cuja marca hoje sustenta uma empresa com 60 funcionários.

IZA surgiu na cena musical com tamanha força e expressividade, justamente nesta onda crescente de discursos sobre o empoderamento das minorias. Ela sabe que no palco, além da música, seu papel é político. “Recebo muitas mensagens de pessoas que se identificam com o meu trabalho. Escuto coisas do tipo: ‘Pô, aquele dia você falou pra mim” ou “Estou usando esse cabelo graças a você’. Só isso já justifica meu trabalho”, conta ela, que relembra de crescer sem ter referências, apesar da família que sempre a incentivou. “Quando você vê alguém como você nas capas de revistas, no brinquedo, na TV, você se sente parte de um todo. E isso faz com que você se sinta confiante para responder caso alguém lhe diga que aquele ali não é o seu lugar”.

Iza na capa da revista J.P || Créditos: Pedro Dimitrow

MOOD DA REALEZA

IZA é diva, não tem outra definição. O clima no estúdio, com uma enorme produção e equipe é prova disso. Mas, o que realmente caracteriza sua “divindade” é o respeito com que tratou toda a equipe, cumprimentando um por um com beijinho e se sentando para almoçar com toda a galera. O bate-papo foi tão descontraído que dava para ficar horas e horas para saber mais detalhes dos churrascos que ela adora fazer em casa com o marido, o produtor musical Sérgio Santos, e com os amigos. IZA também não tem neura na dieta. Ama cerveja, pizza, hambúrguer, mas, como disse, tudo é uma questão de equilíbrio para conseguir cantar e dançar com aquele pique todo. Não gosta muito da atmosfera de academia, da “filosofia no pain no gain”. Para exibir essa barriga tanquinho das fotos, ela prefere malhar de biquíni em casa, tomando sol, e, na correria de shows pelo Brasil, bastam 100 abdominais e 100 agachamentos no quarto de hotel mesmo.