Série mais comentada do momento, ‘The White Lotus’ explora privilégios brancos, riqueza e ansiedade existencial

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The White Lotus // Reprodução

Perturbadora. Essa é a melhor palavra para definir a série hype do momento. ‘The White Lotus’ chegou despretensiosamente e, de repente, foi alçada ao posto de atração mais comentada do pedaço. Assunto obrigatório nas rodas mais antenadas, a trama criada por Mike White (escritor de ‘Dawson’s Creek’ e ‘Escola de Rock’) é o que se pode chamar de sucesso de crítica e público. Não por acaso, já foi renovada para segunda temporada pela HBO, com personagens totalmente novos.

Alguém morre em ‘The White Lotus’. Não, não se trata de um spoiler. Logo nas primeiras cenas, vemos uma caixa com um cadáver sendo embarcada em um avião. Nem tente adivinhar o que está por vir. A minissérie que se passa em um resort de luxo no Havaí, não é apenas uma história de mistério. Vai além. Apresenta a exploração caricata e obscuramente intensa de privilégios brancos, riqueza e ansiedade existencial.

A paradisíaca praia havaiana onde fica o resort que dá nome à série, ganha tintas desbotadas, ao contrário do que se imagina ver na famosa ilha do Pacífico. O céu e o mar não são tão azuis, o sol não brilha com força, a praia não é tão convidativa… tudo proposital, para entrar no mood dos hóspedes que acabam de chegar para uma temporada de férias por ali. Todos envolvidos com suas próprias questões, desde um pai de família preocupado com um possível câncer de próstata, a jornalista em lua-de-mel que percebe que o marido não é o que ela esperava, e a problemática mulher com problemas de alcoolismo e uma carência exacerbada, que chega para jogar as cinzas da mãe morta no mar. O staff do hotel formado por tipos diversos ganha protagonismo fazendo contraponto à elite branca, servindo, servindo e servindo, apesar de suas inquietações e dificuldades, em cenas que se vê corriqueiramente nesses ambientes na vida real.

Com esse mix de personagens e emoções, o resort que seria um refúgio para questões das quais queremos escapar, se torna um caldeirão de dilemas, com pitadas de humor negro, atuações incríveis, situações e diálogos inesperados, muitas vezes desconcertantes, tudo muito bem amarrado por um roteiro que consegue segurar as rédeas dessa história esquisita do começo ao fim. Destaque para as atuações de Murray Bartlett na pele de Armond, o simpaticíssimo e atormentado gerente do hotel, da ótima Jennifer Coolidge como a solitária Tanya, e Fred Hechinger, como o adolescente entediado Quinn.

Outro destaque: a trilha sonora hipnótica criada por Cristóbal Tapia de Veer completa a atmosfera quase sufocante da série. Mike White, autor e diretor de todos os seis episódios de ‘The White Lotus’, disse que queria “uma música que faça você sentir que haverá algum tipo de sacrifício humano a qualquer momento”. Segundo ele, Veer acertou em cheio e conseguiu manter uma sensação de “ansiedade tropical”. Imperdível!

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