10.09.2020  /  15:18

Ícone do feminismo, Shere Hite morreu nessa quarta-feira, em Londres, aos 77 anos

Shere Hite || Créditos: Reprodução

Pioneira do feminismo, Shere Hite morreu nessa quarta-feira, aos 77 anos, na casa em que dividia com o marido, Paul Sullivan, na região de Tottenham no norte de Londres. Sua morte só foi anunciada nessa quinta. Mais conhecida por seu best-seller “The Hite Report: A Nationwide Study of Female Sexuality”, lançando em 1976 e um sucesso sem precedentes com mais de 50 milhões de cópias vendidas até hoje, Hite teve como base para escrever a obra uma pesquisa que fez com mais de 3,5 mil para tratar de um assunto que na época ainda era polêmico: o sexo sob o ponto de vista mais feminino possível da coisa.

Em “The Hite Report”, Hite revelou que muitas mulheres que entrevistou para sua pesquisa não sentiam prazer com a penetração, e também defendeu a ideia de que elas deveriam ser mais “anti-macho” e fariam bem ao “assumir o controle” de suas vidas sexuais, o que rendeu ao livro o apelido de “The Hate Report”, dado por editores da “Playboy” americana. “Só disse que a penetração não serve de nada para as mulheres e que muitas ficam até irritadas quando passam por isso”, sua autora disse em 2011, em uma entrevista que deu naquele ano ao “The Guardian”.

Nascida no estado americano do Missouri, um dos mais conservadores dos Estados Unidos, Hite foi criada pelos avós. Quando era estudante da Columbia University de Nova York, ela chocou os colegas ao topar posar nua para uma campanha da fabricante de máquinas de escrever Olivetti, mas não gostou nem um pouco do slogan usado na peça – “A máquina de escrever já é tão inteligente que ela [Hite, no caso] nem precisa ser” – e protestou veemente contra seu uso em uma edição da “Playboy” que chegou às bancas no começo dos anos 1970.

Sempre criticada em sua terra natal, Hite decidiu renunciar à cidadania americana em 1995 e em seguida se mudou para a Alemanha, onde viveu durante 14 anos com seu primeiro marido, o pianista alemão Friedrich Höricke. Os dois se divorciaram em 1999, e depois de temporadas em vários países da Europa a lendária feminista se estabeleceu em Londres, onde morou até o fim da vida com Sullivan, seu segundo marido. De acordo com a também escritora Julie Bindel, que era amiga dela, Hite foi diagnosticada há anos com as doenças de Alzheimer e Parkinson e não resistiu às complicações de ambas. (Por Anderson Antunes)