08.08.2019  /  14:59

Ícaro Silva celebra a black music e fala de ‘O Rei Leão’: “Minha voz não é ‘estonteante’ mas tem a ver com a proposta realista do filme”

Ícaro and The Black Stars chega à São Paulo || Divulgação

Representatividade é a palavra que explica o novo trabalho de Ícaro Silva. O ator sobe aos palcos com o espetáculo “Ícaro and The Black Stars” que percorre a essência da black music com muito som e uma pitada de manifesto. Quem vai curtir agora a performance dele e de suas ‘backing vocals’ são os paulistanos. O musical chega à cidade no próximo dia 16 de agosto para uma temporada que vai até outubro, no Teatro Novo, na Vila Mariana.

A peça marca uma fase de realização profissional de Ícaro. Atualmente, ele está nas telonas dublando Simba, na live-action de “O Rei Leão” e acaba de se despedir de Ticiano, sensação da lambada na novela “Verão 90”: “Gosto muito de ver a reação das pessoas, principalmente dos jovens, que se identificam comigo, com meu trabalho e se encontram dentro da própria etnia.” Glamurama bateu um papo com o ator que falou sobre representatividade negra, carreira e novos projetos. Vem conferir! (por Luzara Pinho)

Glamurama: Conta um pouquinho sobre o que São Paulo vai ver no palco em “Ícaro and The Black Stars”?
Ícaro: É uma viagem intergalática pelo universo música negra, indo de James Brown ao grupo Molejo. É uma forma de contemplar esses ícones, que são pilares formadores da nossa cultura black. Queremos elevar corações em São Paulo, em um tempo tão cheio de trevas e abordar o tema com amor e leveza. Além disso, o espetáculo é um manifesto vibrante e divertido. Quero entregar algo que o paulistano ame e que acredito que vai se encaixar muito com o público, incluindo a cultura preta que se desenvolve cada vez mais aqui.

Glamurama: Como tem sido a reação do público na abordagem principal do espetáculo, o protagonismo negro?
Ícaro: Quando você se propõe a falar sobre alguma coisa com amor, as pessoas aceitam com mais facilidade. A reação tem sido muito amorosa e carinhosa, mesmo com esse tom de manifesto, e a música ajuda a permear e abraçar os assuntos com mais leveza. Estou surpreso positivamente.

Glamurama: Aliás, essa é uma pauta que você faz questão de abordar sempre, né?
Ícaro: A gente pode analisar por um viés histórico ou por um viés mais pessoal. No geral, ser negro no Brasil é ter que falar sobre isso. A abordagem é fundamental! Ao mesmo tempo gosto muito de ver a reação das pessoas, principalmente dos jovens, que se identificam comigo, com meu trabalho e se encontram dentro da própria etnia. Sou muito feliz por isso.

Glamurama: O que é mais difícil, cantar ou atuar? Por quê?
Ícaro: Cantar. O canto demanda muito mais do físico, precisa de uma atenção técnica mais apurada. Mas é um prazer muito grande, até porque é uma das formas que mais toca o público. Comecei a escrever muito cedo, aos oito anos escrevi e divulguei meu primeiro livro, “Três Historinhas de Ícaro Silva”. Cresci em uma realidade difícil, então sempre fui pautado pela imaginação. Depois veio o ator e rapper, fase em que eu compunha as músicas com minha irmã e a gente se apresentava. Na arte você vai se descobrindo e encontrando maneiras de se expressar.

Glamurama: Novela, cinema, teatro… Essa tem sido a fase mais corrida de sua carreira até agora? Está feliz com o atual momento?
Ícaro: Na verdade, sempre estive neste ritmo. Comecei muito novo e sempre fui atrás das oportunidades. Essa rotina sempre fez parte da minha vida e minha mãe desde cedo me ensinou a importância de trabalhar. Hoje, com 22 anos de carreira, consigo conciliar um maior número de atividades. Estou bem feliz! Tenho estudado e lutado há muito tempo para chegar onde estou e hoje tenho feito papeis dentro do contexto de representatividade e lugar de fala.

Glamurama: E com a agenda tão lotada dá tempo de curtir a família e amigos?
Ícaro: Na medida do possível, estamos juntos. Meus amigos estão no meu trabalho e sempre mantenho contato com a minha família…quando dá, a gente se visita. Estou há bastante tempo focado na profissão e eles entendem isso. Não penso em trabalho o tempo todo, mas tem sido muito divertido para mim, além de ser um privilégio, porque amo o que faço.

Glamurama: Ficou surpreso com o convite para dublar “O Rei Leão”? Já havia feito dublagem antes?
Ícaro: Fiquei muito feliz e me senti com muita credibilidade. Simba é um personagem icônico, com uma roupagem que dialoga com nosso mundo. Foi muito marcante na minha infância. A proposta da Disney é falar com as crianças e me sinto muito bem acolhido porque também quero falar com elas. Gostei muito do resultado, eles queriam uma voz real, que tivesse fragilidade e juventude e o Simba é exatamente assim. Mesmo minha que minha voz não seja ‘estonteante’, nos coloca em contato com a proposta realista do filme.

Glamurama: E sobre os planos futuros, vem novidade por aí?
Ícaro: No segundo semestre vamos lançar o longa “Música para Cortar os Pulsos”, dirigido por Rafael Gomes e além disso, vamos começar a gravar a segunda temporada da série “Coisa Mais Linda”, da Netflix. E tenho mais alguns planos futuros que ainda não posso contar…