Leitica Colin e Carla Salle com corte pixie feito por Neandro || Créditos: Reprodução

Hairstylist queridinho das celebs, Neandro Ferreira adianta as tendências e fala da influência do feminismo nos cabelos: “Corte Joãozinho é machista”

1 Compartilhamentos
1
0
0
0
0
0
Leticia Colin e Carla Salle com corte pixie feito por Neandro || Créditos: Reprodução

O inverno já está dando as caras e todo mundo começa a ficar curioso sobre as tendências da próxima estação. A temperatura mais baixa aliada a mais de um ano de isolamento social traz propostas novas de estilo com um ar mais desconstruído, menos montado e – por que não? – mais rebelde. Para adiantar as novidades sobre o que esperar da temporada mais fria do ano, Glamurama conversou com Neandro Ferreira, expert em tendências e corte e hairstylist queridinho das famosas, que entrega: “O poder agora está nos curtos!”.

BELEZA FEMINISTA
“As pessoas estão cortando o cabelo como nunca”, revela Neandro que afirma que a tendência é uma influência do movimento feminista. “Antes, existia a concepção de que o cabelo feminino tinha que ser longo, uma ideia bem machista e uma referência muito clara às mulheres da Bíblia. Quando voltei ao Brasil, na década de 90, depois de uma temporada em Londres durante os anos 80, ouvia muito das minhas clientes que o marido ou namorado preferiam cabelos desse ou daquele jeito. Hoje em dia é raro ouvir isso, principalmente entre as jovens de 18 a 30 anos. As mulheres não se importam mais com isso. O que vale é o que elas querem e todo mundo gosta de um cabelo bem cortado”, revela Neandro.

Com as redes sociais, o movimento feminista ganhou ainda mais força, nos levando a repensar e questionar inúmeros hábitos, comportamentos e terminologias que até então eram rotineiros. Na moda e na beleza também não foi diferente e o famoso corte “joãozinho” passou a ser chamado de “pixie”. Ponto para a conscientização! “Joãozinho é um nome machista que não combina mais com a mulher moderna. O termo foi criado no Brasil nos anos 60 pela sociedade extremamente patriarcal da época, mas no mundo todo o nome sempre foi pixie, que remete à personagem Sininho de ‘Peter Pan’, ou seja, uma estética delicada e feminina. Mas, por aqui, colocaram esse nome justamente para dar a entender que a mulher que corta seus fios muito curtos fica com cara de homem”, explica Neandro.

ALERTA TENDÊNCIAS
Uma onda fortíssima que está fazendo a cabeça de muitas mulheres é a franja. “A atriz Andréia Horta, que é uma lançadora de tendências que corto sempre, está se preparando para o seu próximo trabalho como protagonista. E adivinha? De franja! Está super em evidência, seja ela reta, gráfica, irregular ou cortininha. É uma tendência que vem do movimento rock ‘n roll, dos anos 70. Quanto mais rebelde, desconectada e desconstruída mais legal, pois ela dá textura ao visual, traz aquele ar de quem não passou pelo salão de beleza, é mais casual e natural”.

E tá aí outra palavra que está em alta: naturalidade! “Por muito tempo rolou essa coisa da perfeição, do padrão Gisele Bündchen que dominou os últimos vinte anos. Agora, entrando na década de 2020, a terceira do século, as pessoas cansaram disso. As mulheres não querem mais ter aquela cara de Barbie ou princesa. A ostentação caiu por terra e o look ‘montação’ não é mais a realidade do mundo atual. Hoje, é OK ter o nariz grande, os dentes amarelos ou separados, ter cabelo branco e ruga, ser gorda ou magra, preta, branca ou amarela. A tendência é essa e que bom! O ideal da mulher perfeita afetou muito o psicológico da sociedade e levou pessoas à loucura com incontáveis procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. A moda reflete muito o momento atual, o cenário político, e esse é o sentimento da vez. Todos e todas vão ter seu lugar na cena da beleza, todo mundo pode ser bonita do jeito que é!”, conclui Neandro.