02.12.2017  /  8:00

Glamurama falou com Irene Ravache sobre carreira, preconceito racial e redes sociais. Vem!

Irene Ravache no papel de Sabine, em “Pega Pega” || Créditos: Rede Globo/Divulgação

Irene Ravache é daquele restrito grupo de atrizes que sempre esteve com tudo. No ar na novela das sete da Globo “Pega Pega” e em cartaz nos cinemas com “Yvone Kane”, coprodução entre Brasil e Portugal, a atriz abriu o jogo com o Glamurama sobre detalhes de sua vida. Ela não se rendeu às redes sociais mas adora trabalhar com jovens atores, não pratica esportes e faz parte da lista de poderosos atores que ainda mantém contrato com a Globo. E o que ela tem a dizer, não dá pra perder. Voilà!

Glamurama: Qual será o fim da Sabine, sua personagem em “Pega-Pega”?
Irene Ravache: “Acho que ela vai ficar sozinha, não consegue manter um relacionamento por afeto. Ela sempre tem um interesse. Acho que o único homem que ela amou foi o Pedrinho (Marcos Caruso). Adoro ler os capítulos quando chegam. Acho a trama muito saborosa. Tem dado os maiores picos de audiência da casa. Ela toca em assuntos pertinentes, sempre dentro da sua linha de humor. Hoje, temos no ar um ladrão arrependido, um ladrão bem mau caráter, pessoas que compram pessoas, pessoas que querem puxar o tapete de outras, como no caso do meu personagem. Temos coisas muito parecidas com o que acontece no Brasil real.”

Glamurama: Na trama, sua personagem é mãe de um filho adotivo. O que você pensa sobre adoção?
Irene Ravache: “Acho que é um ato de amor tão grande. Um acolhimento. Adoção é ter amor dentro de você.”

Glamurama: Ter feito o papel mudou sua opinião sobre o ato?
Irene Ravache: “Não por causa da forma como a Sabine pega essa criança – uma mulher rica não teria condições de encontrar os pais dessa criança? Como tenho dúvidas a respeito do caráter dela, acho que ela é capaz, sim, de fazer uma vilania dessas.”

Glamurama: Você acompanhou o caso da Titi, filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, que foi vítima de preconceito racial na web? 
Irene Ravache: “Eu acho isso um absurdo tão grande que custei um pouco entender o que as pessoas estavam falando. Eu não entendia. Estou num estagio de vida que não passa pela minha cabeça que essa mulher [Day McCarthy] tenha feito isso. Não passa pela minha cabeça que alguém possa ofender uma criança, um ato tão canalha.”

Glamurama: Você tem preferência por fazer teatro, cinema e novela? 
Irene Ravache: “Não tenho preferência por nenhum, apenas não gosto de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Já fiz e é uma corrida contra o tempo. Teatro você tem que estar com sua melhor voz e se fica muito cansado, a primeira coisa que se vai é a sua voz. Gosto de fazer todos, mas um de cada vez.”

Glamurama: Ao que pretende se dedicar após o fim da novela?
Irene Ravache: “Meu projeto agora é ficar um pouco na minha com meu marido. Por enquanto não tenho viagem programada. O fato de ter um neto que mora no Rio, outra em São Bernardo e outra em Cotia dificulta juntar todo mundo. Para isso tem que ser aos fins de semana em São Paulo.”

Glamurama: O que você acha da nova geração de atrizes, como Camila Queiroz que trabalha com você?
Irene Ravache: “Adoro trabalhar com jovens atores. Cada um tem uma pegada diferente, uma proposta diferente, uma forma particular de decorar o texto. Isso me revigora muito.”

Glamurama: O que você faz para manter o pique?
Irene Ravache: “Faço o que toda mulher contemporânea, que mora numa cidade como São Paulo, acaba fazendo, principalmente com a minha idade. Tenho uma alimentação mais regrada e fico de olho no meu colesterol. Não como frituras, nem gordura. Não gosto e isso facilita bastante. Gosto muito de sopas e verduras, e por não ter uma digestão muito boa, sou muito restritiva. Não sou de experimentar muitas coisas.”

Glamurama: Pratica alguma atividade física? 
Irene Ravache: “Nada”.

Glamurama: O que você acha desse sucesso instantâneo que vem das redes sociais?
Irene Ravache: “Não tenho rede social. Achei que não daria conta e também não tenho curiosidade. Não tenho curiosidade de saber que os outros pensam a meu respeito. Tenho curiosidade sobre o que algumas pessoas queridas pensam, e só. Trabalho com teatro e quando você estreia uma peça, o crítico não só fala o que achou como publica e assina. Me acostumei com o olhar da crítica. O publico se gosta comparece, se não gosta, vira as costas. Já tenho essa mostragem. Agora, se gostou do meu corte de cabelo, da minha roupa, da comida que comi, ninguém sabe. Quando viajo, só a alfandega fica sabendo. Sou muito low profile. Tive Facebook pra me comunicar com família e alguns amigos à distância, mas não boto foto de ninguém. Mas se as pessoas curtem, tudo bem. Não dou conta de ler os livros que quero ler, imagina dar atenção a essas coisas…”

Glamurama: Quais foram os trabalhos mais especiais da sua carreira?
Irene Ravache: “A gente sempre lembra daqueles que deram mais trabalho. Quando fiz uma deficiente auditiva em “Filhos do Silêncio” (1982) com Odilon Wagner, tive que aprender todas as linguagens, ou quando fiz “Intimidade Indecente” (2001) com Marcos Caruso e envelhecemos em cena. A condessa Vitória, de “Além do Tempo”(2015/16), foi um trabalho de que me orgulhei muito assim como quando fui indicada para o Emmy pela novela “Eterna Magia”(2007). Adorei ter feito Sassaricando (1987/88) e “Éramos Seis”(1994), do SBT. No cinema, destaco “Que Bom Te Ver Viva” (1989), que foi um filme muito premiado, e “Amores Possíveis”(2001), da Sandra Werneck, que me deu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema de Miami.”

Glamurama: Quais mulheres você acha que deveriam ser retratadas no cinema? 
Irene Ravache: “Aqui no Brasil, a médica Zilda Arns – ela fez um trabalho muito bonito com a ONG Pastoral da Criança – e a freira Maria Valeria Rezende.”

Glamurama: Você as interpretaria? 
Irene Ravache: “Adoraria viver Zilda Arns,  porque o que é bonito no trabalho dela é que ela ensinou as mães a usarem o soro caseiro. Na época, quem não tinha um tostão, hidratava as crianças com isso.  Maria Valéria Rezende não, acho que não tenho nem o tipo físico para o papel. Mas ambas são mulheres interessantes.” (Por Julia Moura)