03.05.2018  /  9:00

Giovanna Antonelli: “Quantas vezes a gente não vem do fundo do poço, como uma fênix?”

Giovanna Antonelli || Créditos: Leo Marinho

“Quantas vezes a gente não vem do fundo do poço, como uma fênix”? Giovanna Antonelli usou essa frase para resumir o que tem em comum com Luzia, sua personagem em “Segundo Sol”, próxima trama das nove da Globo. A novela fala de segundas chances, recomeços. E a atriz se identifica. “Toda hora tenho uma segunda chance. De ser melhor. Comigo principalmente. Na minha casa, com meus filhos, no meu trabalho. Quem nunca? Quantas vezes a gente não recomeça lá do fundo do poço? Digo lá dentro da gente, não no externo, na aparência. E a gente vai se reconstruindo, se reprogramando, ‘resetando’ o HD. Isso é fundamental”.

“Nada me traumatizou, mas passei por vários momentos de decepção”

Pedimos para ela contar um momento específico de superação que tenha vivido. “Nada me traumatizou, mas passei por vários momentos de frustração, desgaste, decepção. Isso é muito normal. Acontece sempre nas nossas vidas”, respondeu, sem entrar em detalhes. E como se proteger disso? “Não me protejo. Vivo. Digo boa sorte pra quem me fez mal e… ‘Move on’! ‘Move on’! Toco pra frente”.

“A gente erra, né? Ninguém é perfeito”

Todo mundo tem direito a uma segunda chance? “Todos têm direito, sim, merecem, mas será que todos tentam? Resta saber o que você faz com sua segunda chance, de que forma você aproveita ela. Tem que, no mínimo, aproveitar melhor do que a primeira. Fazer de verdade. A gente erra, né? Mas com a melhor das intenções. E o aprendizado também faz parte da nossa trajetória. Ninguém é perfeito. E às vezes o meu erro pode fazer o outro acertar”.

“É muita tragédia”

Continuando a sessão divã… “A Luzia é acusada por um crime que não cometeu, é enrolada por uma pessoa que não imaginava… Acha que um filho morreu, que o amor da vida dela morreu… É muita tragédia”. Ok, mas aí ela foge da prisão e vai embora do país, deixando os filhos pra trás. Uma se vicia em drogas, o outro vira garoto de programa, enquanto ela reconstrói a vida na Islândia com outro nome, trabalhando como DJ…

“Sem meus filhos, talvez a vida perca o sentido”

Luzia não teria sido negligente com as crianças? “Esse negocio de julgamento pra mim… Eu nunca me sinto nesse direito… Só vivendo esse drama para falar”. Será que Giovanna consegue imaginar um motivo que pudesse a afastar de seus filhos, na vida real mesmo? “Não posso nem pensar numa coisa dessa. Nem vivo com essa realidade pra mim. Trabalho com a cabeça no positivo, foco no positivo. Isso desestrutura um ser humano, né? Sem meus filhos, talvez a vida perca o sentido”.

“Isso te trava”

Resumindo, a personagem é uma mocinha que também tem falhas, certo? “Não consigo me colocar no lugar dela. Os filhos não têm noção do que aconteceu, eram muito pequenininhos. Quando ela volta, 18 anos depois, já são adultos e estão vivendo resquícios de um passado sem detalhes. E ela só tem coragem de voltar quando se sente forte. E entra no país com outro nome, ou então seria presa imediatamente. É uma situação complicada… Você não estar preparado para resolver as questões da sua vida… Isso te trava. Você não consegue ser esclarecido e resolver”.

“Faz o que seu coração mandar. Não me meto”

Que conselho daria para Luzia? “Sou péssima de conselho. Odeio me meter na vida dos outros. Não dou conselho, palpite na vida de amigos. Eu falo: ‘Olha só, meu amor, segue seu coração’. Minha mãe me ensinou isso desde pequena. Era isso que ela me respondia quando eu pedia conselho. “Faz o que seu coração mandar. Não me meto'”. (por Michelle Licory)