25.08.2020  /  15:38

Geração Z: Vamos falar de slow fashion, esse movimento da moda que chegou chegando e veio para ficar?

por Cesca Civita*

Vocês já ouviram falar de ‘Slow Fashion’? Se ainda não, tenho certeza que logo logo vão ouvir. Depois de participar de um evento via Zoom com Carol Bassi e Helena Bork, em que elas dividiram um pouco da história da marca Aparaitinga e todo o conceito que existe por trás (#slowfashion), fiquei com vontade de vir falar sobre isso por aqui.

Esse movimento na moda que chegou chegando e veio para ficar, porque não é uma coleção, nem um look, nem um estilo ou conceito, é um novo modo de viver e encarar nossos hábitos de consumo e responsabilidade social. Isso não quer dizer que ficaremos menos estilosos ou menos ‘cool’ na hora de organizar nosso guarda-roupa, muito pelo contrário (vejam o Instagram da Tess Montgomery – @tessmontgomery)… vai sobrar espaço para nossa criatividade!

O ‘slow fashion’ é uma tendência que muitas marcas já estão adotando. Empresas têm levado em conta vários aspectos antes irrelevantes na hora de produzir suas peças, como uma cadeia produtiva sustentável, tendo o cuidado de ver a origem da matéria-prima e se envolve testes ou maus tratos em animais, bem como irregularidades que causem danos ao meio ambiente. Também procuram se certificar de que não há trabalho escravo envolvido e que a qualidade é superior e de longa duração.

Por incrível que pareça, essa nova forma de produzir fará com que roupas e acessórios tenham maior durabilidade, mais qualidade e serão mais atemporais. Na verdade, a ‘nova’ forma é um resgate ao passado, quando o artesão era a peça-chave no desenvolvimento do vestuário. Todo o cuidado que se tinha tanto na confecção dos tecidos, quanto na alfaiataria e costura, voltam a ser prioridade, porém com preços mais acessíveis e justos.

Além de trazer imensos benefícios para o planeta e para a sociedade, o ‘slow fashion’ faz com que também deixemos de ser escravos da ditadura da moda. Coleções, estações, tendências deixam de ser relevantes e o que passa a valer é nossa criatividade. Não abram mão daquela peça comprada há quatro ou 10 anos, ela é muito valiosa hoje pois você poderá fazer dela o que quiser, usar como vintage estiloso, reciclar customizando, misturar com peças de diferentes coleções e criar aquele look que só você tem. É muito legal poder se expressar através do que vestimos e mostrar ao mundo quem somos desta maneira. A roupa diz muito sobre nossa personalidade, nosso humor, nossos gostos e prazeres, portanto essa liberdade é muito bem-vinda. Não vamos mais ficar aguardando os lançamentos da próxima temporada, aquele sapato que todo mundo vai ter igual ou aquele que vai estar ‘sold out’ assim que aparecer o primeiro post no Instagram! Esse vácuo que existe entre quem conseguiu comprar e quem não conseguiu não vai mais rolar, e tenho certeza que minha geração já pensa exatamente assim.

Graças a essa onda que veio para ficar, agora somos os ditadores da nossa individualidade na moda. É claro que a genialidade dos criadores e estilistas continuará sendo importante e prioritária, como de qualquer artista, e vamos contar com eles para designs inusitados seguindo essa filosofia, como Stella McCartney já faz, e a H&M também. Os lançamentos serão mais espaçados, responsáveis e sustentáveis, mas continuarão importantes e aguardados, como uma nova série da Netflix.

Bom, agora que falei tudo isso, chegou a hora de abrir o armário da sua mãe, avó e das amigas, e fuçar. Troque, recicle, customize ou faça disso um negócio. Mais e mais estamos vendo crescer a popularidade das peças de ‘segunda mão’ e, assim como um hobby ou um colecionador, você vai poder procurar aquela bolsa Prada do ano em que você nasceu e não fabricam mais ou aquele colar de búzios originais que sua mãe usava na praia e que hoje voltou a ser febre, como o tie-dye dos anos 60 em Woodstock.

Eu pessoalmente sempre fui adepta deste conceito, adoro customizar, misturar coisas antigas com novas, ‘roubar’ peças da minha mãe ou das amigas e usar da maneira que me der vontade. Não tenho medo de misturar cor, marca e estilo, faço do meu jeito que é ‘quanto mais, mais divertido’… e único. A pergunta que mais me fazem é como defino meu estilo e é sempre difícil de responder. Meu estilo muda de acordo com o dia, o clima, meu humor e as inspirações à minha volta, e o ‘slow fashion’ veio para dizer que estamos todos livres para nos expressar como quisermos na moda e, ao mesmo tempo, preservar nosso ambiente… sempre com estilo. (*Cesca Civita é criadora de conteúdo digital, formada em Global Marketing Management pela Regents University de Londres, cidadã do mundo e apreciadora do inédito)