12.09.2020  /  9:00

Geração Z: Está na hora de parar de me sentir constrangida com a palavra ‘influenciadora’ e ter orgulho do meu trabalho

por Cesca Civita *

Outro dia alguém me perguntou o que eu fazia e se trabalhava. Respondi que sim e não me estendi sobre minha atividade. Quase respondi que era uma criadora digital, mas me segurei porque, na verdade, acredito ser mais que isso. Parei para refletir e quase disse que produzia conteúdo para mídias sociais. Na verdade é muito mais que isso também, afinal, produzo conteúdo para várias marcas, além do conteúdo que produzo para meus seguidores. Me perguntei se ‘produzir’ era a palavra correta, pois além de criar, roteirizar, criar, atuar, produzir e fotografar, eu também escrevo, desenho e distribuo conteúdo, ufa! Hahaha! Sim, conteúdo tem dia e hora certa para ser divulgado dependendo de quem desejamos impactar.

Já que faço tudo isso, por que será que tenho receio de usar o nome técnico que é dado a quem exerce minha profissão? Por que simplesmente não respondo que sou uma ‘influenciadora’ ou ‘influencer’? Para a maioria das pessoas o ‘influenciador’ não tem uma profissão e sim um hobby que lhe proporciona uma renda. Nada mais distante da verdade, pois o influenciador de fato, além de constituir empresa e fornecer nota fiscal, paga impostos sobre seus ganhos e é responsável por aquilo que divulga, seja sua mensagem pessoal ou a exposição do produto de terceiros.

Sendo ainda mais específica, posso ser considerada uma micro-influenciadora. O micro-influenciador é aquele que produz conteúdo relevante para um nicho segmentado, que reconhece sua autoridade no assunto e considera sua opinião uma referência para suas atitudes e decisões de compra.

O próprio nome diz: micro-influenciador digital é alguém que tem a capacidade de influenciar um grupo específico de pessoas – seja para usufruir ou adquirir um determinado produto e/ou serviço ou assumir um posicionamento sobre algum assunto específico.

O influenciador reflete com seus seguidores sobre os mais variados assuntos. Podemos afirmar que ele é um “formador de opinião” que usa diferentes plataformas para transmitir o que acha, o que faz e aquilo que conhece para seu público. Até muito pouco tempo atrás era comum as pessoas acharem que só existiam ‘influencers’ na moda e na beleza, mas isso está longe de ser a regra.

Atualmente temos influenciadores falando sobre praticamente todos os assuntos, de culinária à política, de saúde às artes, de esporte a entretenimento. Tem influenciador que ajuda a meditar, a praticar yoga, a pintar… e a lista é longa.

Enfim, como em qualquer área, existem profissionais bons, responsáveis e competentes, assim como tem gente que não é boa naquilo que se dispõe a fazer e cabe ao ‘seguidor’ ou ‘cliente’ ou simplesmente admirador perceber isso.

O meu “receio” em dizer – “sim, sou uma influenciadora”- não é por vergonha nem nada do tipo, muito pelo contrário… o que mais me incomoda é quando algumas pessoas tem uma visão preconceituosa em relação ao que muitas pessoas da minha geração hoje fazem como fonte de renda. Não, não é legal falar “ah, então você é blogueirinha, né?” em tom pejorativo. Muitas blogueiras – coisa que não sou, pois não tenho blog – são fonte de inspiração e informação, e sei o trabalho que dá.

Por outro lado, amo a relação que tenho com muitos dos meus seguidores, os que apreciam e fazem uso do meu conteúdo diariamente. É quase uma amizade de penpal – amigos por correspondência, sabe? Hahaha. Mesmo não os conhecendo pessoalmente, dividimos muitas ideias incríveis por lá.

Bom, agora que expus tudo isso acho que está na hora de parar de me sentir constrangida com a palavra ‘influenciadora’ e ter orgulho do resultado que o meu trabalho produz. Tenho o privilégio de trabalhar com aquilo que amo e por isso tenho a obrigação de fazer da melhor forma possível e com qualidade, sempre superando meu último ‘post’. *(Cesca Civita é criadora de conteúdo digital, formada em Global Marketing Management pela Regents University de Londres)